Política

PREFEITURA A SERVIÇO DA UNIVERSAL

Não é de hoje que Crivella trata a prefeitura como um "departamento” da Igreja Universal

O novo escândalo da reunião de Crivella com líderes religiosos, onde prometeu benefícios a seus fiéis e fez campanha para candidatos do PRB, está longe de ser a primeira vez que o bispo usa a prefeitura a serviço de sua igreja. Relembre aqui alguns episódios.

Fernando Pardal

@fepardal

terça-feira 10 de julho| Edição do dia

O evento articulado por Crivella, intitulado “Café da Comunhão”, ocorreu na quarta-feira passada, 4, no Palácio da Cidade, o mais suntuoso espaço da prefeitura destinado a eventos oficiais, apesar de ter sido um evento secreto por fora da agenda oficial. De acordo com as informações divulgadas pelo jornal “O Globo”, a mensagem enviada por Whatsapp para líderes religiosos convocando para o encontro era um “convite de nosso amado e querido prefeito Marcelo Crivella e dos pré-candidatos Rubens Teixeira e Raphael Leandro” e falava para que fossem levadas “reivindicações por escrito em duas vias, relação de suas igrejas e número de membros”.

Rubens Teixeira, do mesmo partido e igreja de Crivella, esteve à frente da Comlurb – de onde foi afastado pela justiça por ter participado de campanhas eleitorais – e foi secretário dos transportes da gestão do prefeito. Ele está também sendo denunciado por Fraude na Transpetro por ter favorecido a empresa de sua ex-chefe em um contrato fraudulento que custou R$ 869 mil à empresa subsidiária da Petrobrás. Já Raphael Leandro também é do PRB de Crivella.

O texto deixava claro a oferta de favorecimentos da prefeitura e o apoio explícito aos candidatos, utilizando a prefeitura para tentar eleger mais membros da Universal e do PRB: “Na ocasião ouviremos tudo o que a prefeitura tem a nos oferecer, inclusive instalação de creches, depois levaremos os pré-candidatos a nossas igrejas”. Ele ainda afirmou que é necessário “votar em homens e mulheres de Deus” e que é o “Brasil evangélico que vai dar um jeito nessa pátria”.

Não é a primeira vez que Crivella utiliza a prefeitura para beneficiar a “empresa da fé”: em novembro do ano passado, o bispo-prefeito concedeu o título de “utilidade pública” à Universal, garantindo inúmeras facilidades para a instituição em parcerias e recebimento de verbas públicas.

Tampouco é uma surpresa que Crivella se dedique a fazer do Estado um defensor dos interesses de sua Igreja, pois, como ele mesmo já assumiu publicamente, entrou para a política como uma “missão” em nome da Igreja para conseguir avançar na empreitada do “Plano de Poder” da Universal (aliás, este é o nome do livro em que Edir Macedo explicita essa estratégia).

A prefeitura de Crivella e a forma como ele recorrentemente vem colocando o Estado a serviço de seus valores opressores – como no caso da absurda censura a uma peça de teatro com uma protagonista trans, ou sua fracassada tentativa de acabar com o Carnaval – são exemplos pontuais de como o fortalecimento das bancadas evangélicas e suas representações políticas transforma cada vez mais a ideia de Estado laico em uma ficção no Brasil. O fato de que sua defesa pública tenha se pautado justamente nesses “valores familiares” e na condenação do aborto escancara a necessidade de lutar contra esses setores.

Nos espelhemos no "tsunami verde" das mulheres argentinas que vem desafiando os políticos e governos e impondo o avanço da luta pela legalização do aborto. Veja mais sobre o debate de como lutar contra Crivella aqui.




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