MRT

PELO DIREITO DE VOTAR EM QUEM QUISER

Contra a prisão de Lula e os ataques golpistas

A prisão de Lula decretada por Moro é mais um ato, de grandes proporções, do golpe institucional orquestrado pela mídia golpista, o judiciário autoritário e por grande parte da direita mais reacionária do país.

sexta-feira 6 de abril| Edição do dia

Essa aliança nefasta teve apoio para este ato até mesmo de setores das Forças Armadas que fizeram ameaças graves até mesmo de intervenção. Tem no MBL e Vem pra Rua agentes de articulação nas redes sociais e que tentam ser o fator de mobilização nas ruas. Até tiros na caravana do Lula esses reacionários se aventuraram. É este clima reacionário forjado pelo golpe que deu lugar também ao bárbaro assassinato de Marielle.

O discurso utilizado por essa aliança, da luta contra a corrupção, é do cinismo mais odioso. Os exemplos são múltiplos, mas qualquer trabalhador entende a arbitrariedade e seletividade política ao ver impune Temer, Aécio, Renan e tantos outros. Na verdade, trata-se de uma operação orquestrada pelo imperialismo, que treinou Moro, e tem poderosos interesses por trás da Lava Jato. Trata-se da mesma operação que fazem também em outros países pelo mundo. Essa nova medida da prisão de Lula tem o objetivo de dar um salto nos poderes do judiciário e impedir a população de votar em quem ela quiser, inclusive em Lula.

Os golpistas querem retirar Lula do pleito porque querem eleições onde o resultado possa mais facilmente favorecer que o eleito seja um defensor de um plano para aprofundar os ataques mais do que Temer já vinha fazendo, e muito mais do que o PT poderia fazer num próximo governo, ou como fez nos governos Lula e Dilma.

Nós do MRT sempre fomos críticos ao PT, partido no qual nunca chamamos voto nem apoiamos politicamente. Sempre denunciamos aos trabalhadores que na nossa visão abriu espaço para o golpe com sua política de conciliação de classes, aplicando ataques, assimilando métodos da corrupção e paralisando o movimento de massas, boicotando a luta de classes. Nesse sentido, é responsável também pelo Brasil ter chegado nessa situação que vivemos hoje, de perda de direitos econômicos, políticos e sociais. Por isso, nós sempre exigimos da CUT e da CTB a necessidade de romper a paralisia, mas Lula, a direção do PT e do PCdoB controlam essas centrais sem colocar nenhuma perspectiva de luta efetiva. Assim, passou o golpe institucional, cada um dos ataques do governo golpista e agora estão por prender o Lula.

Mas nunca deixamos de batalhar na primeira linha contra os golpistas e seus ataques. Para nós, se trata de um principio elementar e segue sendo uma tarefa crucial, e ainda mais urgente.

Cada avanço do golpismo em curso significa uma restrição ainda maior dessa democracia dos ricos, que hoje prende Lula mesmo sem provas, e amanhã ameaça estrangular a luta dos trabalhadores e dos movimentos sociais, para assim poder fazer passar seus ataques históricos às condições de vida do povo, como já fizeram com a reforma trabalhista e querem aprofundar.

Ao mesmo tempo, estar na linha de frente de maneira consequente só pode significar um enorme combate contra aquelas direções oficiais do movimento de massas, pois sempre bloqueiam as perspectivas de luta de classes e apostam nas negociações palacianas, como fizeram até agora. Apostaram até o ultimo limite nas negociações e nas ilusões na justiça, e chegamos nessa situação limite de estarmos com ameaça de Lula estar preso nas próximas horas.

Basta de trégua e conciliação! Paralisar o país pra impedir a prisão de Lula e derrotar os planos dos golpistas.

Este dia 6 de abril precisa ser o começo da reversão urgente dessa paralisia. Nenhum arrego frente à arbitrariedade para garantir a continuidade do golpe! Precisamos de uma resposta da classe trabalhadora e da juventude para parar o país e impedir os planos de Moro, da Globo, do STF, e da cúpula do Exército. Não permitamos que avancem nem mais um milimetro na continuidade do golpe para que possamos avançar a reverter cada ataque que vieram fazendo com a reforma trabalhista, com a PEC 55, com as privatizações.

É urgente que se organize uma resistência de massas a partir de cada local de trabalho e estudo para garantir mobilizações combativas em todo o país e não permitir a prisão de Lula, bem como avançar na reversão da reforma trabalhista, a PEC do teto dos gastos e outros ataques do governo golpista que quer descarregar a crise nas costas dos trabalhadores.

Mesmo depois do despacho de prisão, o PT e Lula ainda dão sinais de conciliação, de que poderia se entregar, e de expectativa na justiça, apesar de que chamaram algumas ações. Apesar de tardias, cada ação combativa deve ser apoiada ativamente, e ser apenas o começo de uma radicalização mais profunda, que precisa ser com a entrada em cena dos batalhões da classe trabalhadora que a CUT e a CTB dirigem.

Não é o momento de uma vigília pacífica em São Bernardo, como se fosse um ato de despedida. Muito menos é hora de anunciar, como faz a própria CUT, uma “recepção” a Lula em Curitiba: "As CUT´s da Região Sul - Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - estão se organizando para fazer uma grande recepção ao presidente Lula em Curitiba"

Isso seria o limite da conciliação. É mais uma mostra de que precisamos tomar nas nossas mãos a luta democrática para que Lula não seja preso e tomar as ruas massivamente, apesar da vacilação e paralisia das direções.

Daremos toda nossa energia para que se desenvolvam grandes ações da classe trabalhadora, participando ativamente de todas ações que expressem essa resistência ativa ao avanço do golpe, contra a prisão e todos os ataques dos golpistas e dos empresários. Se a CUT e as organizações de massa alterarem sua orientação em São Bernardo do Campo para impedir a prisão estaremos prontamente à disposição para dar este combate.

Ao mesmo tempo que construiremos com todas nossas forças os atos que sejam combativos, não vamos endossar a linha petista de chamar atos com mote de “Lula inocente” (como fez a Frente Brasil Popular em SP pro ato das 17hs do dia 6) ou de exaltação da figura do Lula e do PT. Atos assim são parte descarada da estratégia meramente eleitoral do PT, e não servem de fato para a mobilização que o país precisa contra esse avanço autoritário. É o momento de ações comuns entre todas as organizações operárias e populares ao redor de objetivos claros de combate contra a prisão do Lula, em defesa do direito do povo decidir em quem votar, e contra os golpistas e seus ataques, como a reversão da reforma trabalhista. São os capitalistas que devem pagar pela crise. Só assim poderemos criar uma força capaz de responder à altura a ofensiva golpista.

É preciso que as centrais sindicais, em especial a maior do país, a CUT, tracem um plano para uma paralisação nacional, começando pelos batalhões centrais da CUT, como metalúrgicos, petroleiros, bancários e professores. Chamamos a todos os trabalhadores e jovens do país a nos organizarmos para dar essa batalha em comum, pois sem uma forte organização combativa pela base que coloque essa perspectiva, não vamos afetar a passividade das direções do movimento de massas.

Organizemos assembleias em cada local de trabalho para que os trabalhadores possam ativamente ser sujeitos de impedir essa prisão e com esta força possamos avançar a derrubar cada ataque implementado pelos golpistas, impondo uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que revogue cada ataque de Temer e dos governos anteriores e abra espaço para debater cada problema social, político e econômico do país. Nós do MRT batalhamos por uma Assembleia Constituinte na perspectiva de erguer um governo operário de ruptura com o capitalismo baseada nos organismos de democracia direta das massas.




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