Gênero e sexualidade

GÊNERO E SEXUALIDADE

Na véspera da direita queimar boneca de Judith Butler, debate na Unifesp foi escoltado

terça-feira 7 de novembro| Edição do dia

Judith Butler veio ao Brasil e reanimou com sua vinda o ânimo da direita mais conservadora, do MBL e da bancada evangélica. A autora, uma das principais teóricas sobre gênero no mundo, desenvolvedora da ‘teoria queer’ está participando, entre os dias 7 e 9 de novembro do seminário “The ends of democracy” promovido pela Boitempo Editorial e o Sesc Pompeia. Desde o anúncio da vinda da autora grupos de direita, sobretudo o MBL se colocaram contra a vinda da autora nas redes sociais, promovendo grandes alardes online sob a promessa de impedir a vinda e a participação de Butler no seminário.

Nesta segunda feira (06) a autora, por intermédio da Boitempo e da Unifesp, lançou em São Paulo o livro “Caminhos Divergentes”, o evento ocorreu sob a tensão de uma intervenção de tais grupos o que moveu a equipe do evento a organizar uma equipe de segurança completa. A autora entrou e saiu do auditório escoltada por três policiais federais e na platéia estava o Dr. Marlon Weichert -procurador federal do estado de São Paulo- citado pela atual reitora da Unifesp no meio da palestra. O que, no entanto, não impediu que após a fala da autora uma senhora se levantasse gritando “Deixem nossas crianças em paz! Menino nasce menino! Menina nasce menina!” o que foi rapidamente repudiado pelo público com vaias, é importante ressaltar que a temática do livro lançado assim como o motivo de sua vinda não remete às questões de gênero. O livro em questão trata de judaicidade enquanto o seminário no Sesc se propõe a discutir democracia.

Para o seminário no Sesc Pompéia (7-9/10) um cordão humano de proteção está sendo chamado nas redes sociais assim como um ato em defesa da liberdade de expressão e das pautas democráticas. No entanto esse fato não é isolado, é uma demonstração direta de como a atual conjuntura brasileira, claramente reacionária após o refluxo das mobilizações com a traição das centrais sindicais na greve geral do dia 30 de junho, abre espaço para grupos que promovem discursos de ódio atuem com força, principalmente pela internet. Há algumas semanas um debate promovido pelo Coletivo de Diversidade Sexual da Faculdade de Educação da USP foi diretamente atacado pelo MBL e pelo pastor Marcos Feliciano por tratar de gênero e sexualidade na escola.

É sumariamente importante que diante de tantos ataques da ultra-direita conservadora, que vislumbra ascender Bolsonaro nas eleições de 2018, que a esquerda e os movimentos sociais se organize em busca de deter e se colocar com força contra esta ofensiva. O debate de opressão têm que ser central nas pautas progressistas imbuídos de um caráter classista em prol da transformação de todo o sistema.

Foto de capa: Nilton Fukuda/Estadão




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