Juventude

Na FAFICH-UFMG, dia de debates sobre o corte de verbas reúne professores e estudantes

Francisco Marques

Professor da rede estadual de Minas Gerais

sexta-feira 9 de outubro de 2015| Edição do dia

Nesta quinta-feira (8), os professores do Departamento de Antropologia e Arqueologia da FAFICH-UFMG (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas) paralisaram suas atividades e chamaram uma assembleia geral da faculdade com professores, técnico-administrativos e estudantes para discutir os cortes de verbas. Os estudantes da faculdade compareceram em peso em assembleias às 11:30 e 18:30. Também participaram das atividades durante todo o dia técnicos e professores da Faculdade de Educação e do Departamento de Sociologia e Antropologia. As entidades estudantis presentes foram o DCE (Diretório Central dos Estudantes) e o CAFCA (Centro Acadêmico de Filosofia).

Segundo o informe de professores e pesquisadores do departamento convocante da assembleia, a pós-graduação está sendo afetada com falta de verbas para realização de mesas de defesa de tese, falta de verbas para trabalho de campo e há insegurança sobre o fornecimento de bolsas aos mestrandos e doutorandos em 2016.

Os estudantes mostraram como o corte de verbas também tem afetado o corpo discente, com o congelamento da concessão de bolsas de permanência estudantil para calouros e atraso nas bolsas já concedidas. E denunciaram também como os primeiros afetados foram os trabalhadores terceirizados, a maioria mulheres e negras, demitidos pela reitoria. Os estudantes responsabilizaram a FUMP – Fundação Mendes Pimentel, fundação privada que gere a assistência estudantil da UFMG – e a reitoria por essa situação, bem como os cortes do governo federal de Dilma Roussef (PT). Disseram também como é preciso expulsar todas as fundações privadas da UFMG, que lucram com as pesquisas, terceirização e com os direitos dos estudantes.

Nas assembleias foram aprovadas as seguintes pautas: - Pelo imediato pagamento das bolsas da FUMP atrasadas e concessão de bolsas a todos calouros que precisem; - Fora FUMP, 10% do PIB para educação e assistência estudantil para todos que precisem. -Pelo fim da terceirização na UFMG, efetivação de todos trabalhadores terceirizados sem necessidade de concurso público. Os professores chamaram os estudantes também a participarem de um ato em frente ao baile promovido pela APUBH (sindicato dos docentes que foi denunciado por estes por não nem sequer ter chamado uma assembleia da categoria), que exigirá que esta direção organize a luta contra os cortes de verbas. Ficou decidido um novo dia de assembleias e mobilização dos três setores na FAFICH para a próxima quinta-feira, 15/10, Dia do Professor. Esse dia é também um dia nacional de mobilizações em defesa da educação convocado pela ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre) e outras entidades estudantis.

Durante a tarde aconteceram outras atividades sobre a precarização da educação e sobre o ataque machista e LGBTfóbico à oficina organizada na Letras na semana passada.

Durante todo o dia sobraram críticas ao governo federal de Dilma Roussef e às direções sindicais e estudantis atreladas ao governo, como o Levante Popular da Juventude, a UNE, a CUT e a própria gestão do DA-FAFICH, que não divulgaram nem construíram o dia de mobilização.




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