Gênero e sexualidade

VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

Mulheres em Itapetininga (SP) se mobilizam contra impunidade de vereador em caso de estupro

No dia 27 de agosto, uma votação na Câmara de Itapetininga, interior de São Paulo, vetou a abertura de uma CPI para investigar a denúncia contra Douglas Monari, vereador pelo PSDB, acusado de participar do estupro coletivo de uma jovem de 15 anos em março de 2013. A adolescente foi dopada e estuprada em uma chácara alugada por Monari, que foi acusado de embriagá-la e coagir as testemunhas.

Inty Oliveira

Coletivo Marias e Clarices

sábado 12 de setembro de 2015| Edição do dia

Na época do ocorrido, diversas mulheres se mobilizaram na cidade a partir do coletivo Marias e Clarices, reunindo cerca de 400 assinaturas em favor do afastamento de Douglas e da abertura de uma Comissão Processante, vetada na época pelo então presidente da Câmara bispo André Bueno (SD).

Hoje, as mulheres continuam a mobilização para que Douglas não saia impune, e o coletivo soltou uma nota pública em repúdio ao resultado da votação ocorrida no dia 27, a qual pode ser lida ao final dessa matéria.

Em um país onde a cada ano 527 mil pessoas são estupradas, sendo quase 90% do sexo feminino e 70% crianças e adolescentes, esse caso é apenas mais um exemplo de como a violência à mulher é reproduzida e legititimada pelos governos como parte de uma ideologia que visa manter a submissão e exploração dos setores oprimidos. Por isso é fundamental que nos organizemos contra essa casta política, para que nenhum caso de assédio, estupro e violência passe impune!

Segue a nota de repúdio redigida pelo coletivo Marias e Clarices, de Itapetininga:

"O Coletivo feminista Marias e Clarices, junto de outras organizações da região que atuam pelo fim da violência contra a mulher, vem expressar repúdio a Câmara Municipal de Itapetininga, que no seu discurso prega pela moral e o respeito à família, no entanto, vetou a abertura de comissão processante, na sessão desta quinta-feira (27), para apurar uma denúncia contra o vereador Douglas Monari (PSDB), conhecido como Douglas da Farmácia. Ele é suspeito de estar envolvido em um suposto estupro coletivo a uma adolescente, de 15 anos em 2013.

O vereador foi considerado culpado em primeira instância e segunda instância na Justiça tendo recorrido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Brasília (DF), onde o processo ainda tramita, respondendo em liberdade.

Em 2013 este coletivo organizou um abaixo assinado com cerca de 400 assinaturas pedindo um posicionamento dos vereadores para que Douglas fosse afastado enquanto não houvesse sentença. O pedido de uma Comissão Processante foi formalmente negado pelo então presidente da câmara na época, vereador Bispo André Bueno (SD), que na quinta-feira passada foi um dos que vetaram a abertura da Comissão.

Este coletivo acredita que houve falta de decoro parlamentar. Ele já foi condenado em 2ª instancia por um crime hediondo, ou seja, crime entendido pelo próprio Poder Legislativo como os que merecem maior reprovação por parte do Estado. Mesmo sem o julgamento no STJ o vereador está envolvido em um caso que é contra os princípios do cargo que assume, enquanto representante popular, tendo o seu salário de vereador pago com impostos da população.

O resultado da votação mostra a banalização de algo que aflige a vida da maioria das mulheres no Brasil. A cultura da violência sexual contra meninas, adolescentes e mulheres não é um fato isolado. Itapetininga tem o dever de combater a violência contra a mulher, não apenas em suas leis, mas, principalmente, em suas práticas.

Segundo a ONU, nosso país tem cerca de 50 mil estupros e 5 mil assassinatos de mulheres por ano. Enquanto representantes da população a Câmara Municipal de Vereadores não deveria tolerar qualquer ato ou menção a este tipo de ato e sim promover a consciência pública sobre a gravidade e os altos índices de violência contra as mulheres e meninas na nossa cidade.

Pelo fim da conivência com a violência contra mulheres e meninas!

Itapetininga, 1 de setembro de 2015
Coletivo Feminista Marias e Clarices- Itapetininga-SP
Age- Apoio a Gestante- Itapetininga- SP
Missão Planeta Terra- Itapetininga- SP
INICS - Instituto Nossa Itapetininga Sustentável - Itapetininga/SP
Coletivo Estudantil Domínio Público- Itapetininga- SP
Coletivo Feminista Rosa Lilás- Sorocaba- SP
Ladies Rock Camp- Programa de Empoderamento de Mulheres através da Música- Sorocaba- SP
Marcha Mundial das Mulheres- Núcleo Helenira Resende- São Paulo- SP
Coletivo de teatro Vulva da Vovó – São Paulo- SP
Pão e Rosas Brasil"




Tópicos relacionados

Mulher   /    Violência contra a Mulher   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar