Gênero e sexualidade

ESTUPRO COLETIVO GERA REVOLTA

Mulheres do MRT se manifestam contra estupro coletivo e Alexandre Frota

O caso de estupro coletivo que ocorreu no Rio, onde mais de 30 homens violentaram uma jovem de apenas 16 anos e ainda divulgaram vídeos e fotos na internet, chocou milhões e gerou uma onda de indignação por todo o país. No mesmo dia, o ministro da educação do governo golpista, Mendonça Filho, recebeu para uma reunião Alexandre Frota, que em entrevista ao vivo em programa de Danilo Gentili, já confessou ter estuprado uma mãe de santo, estando até hoje impune. Frente a isso, mulheres do MRT, juntamente com milhares de outras mulheres, expressaram nas redes sociais sua revolta.

quinta-feira 26 de maio de 2016| Edição do dia

Jéssica Antunes, estudante da Letras USP e membro do Centro Acadêmico (CAELL):

lembre-se
"30 homens estupraram uma menina"
antes de elogiar a mulher que você não conhece
antes de encostar numa mulher que você não conhece
antes de forçar um beijo, pegar no cabelo, segurar o braço no rolê
lembre-se
"30 homens estupraram uma menina"
antes de gritar com uma mulher
antes de afirmar que uma mulher é sua
antes de chamar a mina de shortinho de vagabunda
lembre-se
"30 homens estupraram uma menina"
antes de secar a mina no busão
antes de insistir depois que ela disse não
sendo você um desconhecido ou mesmo o namoradão
lembre-se
"30 homens estupraram uma menina"
antes de reproduzir os valores "naturais"
antes de aceitar a ideologia dominante
antes de dizer que o capitalismo é triunfante
lembre-se
antes de pensar, antes de falar, antes de agir
conscientize-se contra a cultura do estupro
levante-se contra a violência, o machismo, o patriarcado
e lembre-se
30
30
"30 homens estupraram uma menina"
porque nós mulheres jamais esqueceremos.

**

Estupro coletivo
Estupro corretivo
Estuprador aconselhando educação
Estuprador andando livre na rua, eu não.
Competição? Divisão?
Não! União!
Por um levante de mulheres
Organizadas pela revolução!

Maíra Machado, professora de Santo André (SP) e diretora da APEOSP pela oposição:

Minhas alunas lutadoras e minhas colegas professoras, vejam o que o governo golpista de Temer está promovendo, isso é muito sério! Alexandre Frota indo opinar sobre a política educacional brasileira, diretamente no Ministério da Educação, um estuprador confesso e orgulhoso! No mesmo dia em que o próprio organizador de um estupro coletivo publicou, tirando sarro, um vídeo em que uma menina é estuprada por mais de 30 homens no Rio e Janeiro.
Não podemos permitir, precisamos nos organizar e colocar esse governo golpista abaixo, governo que quer calar a voz das mulheres, enquanto incentiva a violência contra a gente.

Carolina "Cacau" - professora e membro do Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ:

Mexeu com uma, mexeu com todas!

Se eles vêm com Alexandre Frota, com projetos como escola sem partido e escola sem ideologia de gênero, prontos para naturalizar ainda mais a cultura do estupro e toda violência que as mulheres sofrem diariamente, nós mulheres não nos calaremos e também vamos para cima. A gente precisa retomar a Primavera das Mulheres, organizar toda essa indignação que hoje tomou conta das mulheres para gritar que não aceitaremos continuar compondo essas estatísticas. Está na ordem do dia reocupar as ruas para mostrar que não vamos mais aceitar nenhum estupro a mais, nenhuma mulher a menos. Que vamos jogar nossas forças para não apenas barrar esses projetos educacionais conservadores que avançam com o governo golpista, como também vamos exigir educação sexual em todas as escolas, que sirva também para educar os jovens e ensiná-los que o corpo das mulheres pertence somente à elas!

Rita Frau, professora do Rio de Janeiro (RJ):

Esse caso absurdo e aberrante de estupro de uma mulher por vários caras aqui no Rio mostra que já passou da hora de irmos pras ruas e retomar a Primavera das Mulheres numa campanha séria contra a violência contra as mulheres! Na Argentina terá um novo "Ni Una Menos" no dia 3 de Junho, temos que seguir esse exemplo! Nojento saber que no mesmo dia dessa notícia revoltante, o Alexandre Frota, estuprador assumido, vai debater a educação no MEC, que está liderado por um governo golpista que só vai naturalizar e incitar ainda mais a violência e estupros contra as mulheres atacando nossos direitos! Eu estou revoltada e queria que essa jovem soubesse que lutaremos e que não vamos deixar passar nenhuma violência e machismo, que são tão funcionais nessa sociedade capitalista!

Tassia Arcenio, servidora pública de Contagem (MG)

Desde ontem milhões de mulheres choram, sentem náuseas, raiva, ódio, indignação e não pensam em outra coisa que não seja na jovem violentamente estuprada por 33 homens e no horror da desumanidade do ato, que a ideologia dominante da sociedade patriarcal e do sistema capitalista quer fazer passar por vezes como natural, vezes como justificável.

Frente à realidade de absurdos e incontáveis casos de violência contra às mulheres, contra lgbt, contra negros, o governo golpista já nasce com as mãos sujas de sangue: Temer extinguiu o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, já deixando claro que a situação das mulheres não será prioridade do governo golpista e conservador.

Cresceu o ódio, ao sabermos que ao mesmo tempo que a notícia do estupro coletivo veio à tona, o Ministro golpista da educação recebia o estuprador confesso, Alexandre Frota, machista e racista de carteirinha, que foi falar contra a "doutrinação nas escolas", enquanto estudantes, professores e educadores de SP, MG, RS, RJ, CE, MS se mobilizam em escolas e universidades para lutar por uma educação de qualidade e para todos - que está mais do que claro, envolve também a urgente necessidade de educação sexual nas escolas e debate de gênero e diversidade sexual em todos os níveis escolares, além do resgate das lutas históricas das mulheres nas grades curriculares, como parte de mostrar que as mulheres sempre foram e serão sujeitos de suas próprias vidas.

É preciso que as organizações, sindicatos, entidades estudantis, associações de bairro, artistas, trabalhadores, juventude e mulheres construam, desde os locais de estudo, trabalho e moradia, grandes atos, grandes campanhas e grandes lutas contra a violência às mulheres! Coloquemos de pé um grande movimento de mulheres que exija nenhuma mais violentada! Que sejam punidos os agressores e sejam derrotados os golpistas! Mexeu com uma, lutaremos milhares!

Marcella Campos, professora de São Paulo (SP)

A dor de milhões de mulheres se soma à dor inimaginável dessa jovem de 17 anos. Nós sabemos o que é ler notícias como esta e ficar aterrorizada, ficar em choque.
Poderia ter sido com qualquer uma de nós. Não foi porque é jovem, ou porque bebeu ou porque estava no lugar errado. Para estar no grupo de risco basta ter nascido mulher numa sociedade machista, que celebra estupradores confessos, como Alexandre Frota, e que permite que torturadores e estupradores, como Brilhante Ustra, sejam homenageados ao vivo pela TV.
Que as mulheres retomem as ruas contra os Frotas, os Cunhas, os Bolsonaros, os 30, contra o machismo, contra um governo golpista que recebe estuprador para falar de educação, contra esse sistema podre capitalista que sobrevive as custas da dor de todas nós.
NÃO ACEITAMOS NENHUMA A MENOS!!!

Flávia Valle, professora de Contagem, MG:

Um estuprador confesso como Alexandre Frota ser referência de educação para um governo que é golpista, entende-se o que move os setores que falam do reacionário projeto "escola sem partido": é uma maneira reacionária de construir ideias que tentarão dizer que uma jovem ser estuprada por 30 homens é exceção e não regra no Brasil, escondendo que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada.

Thais Oyola, bancária e delegada sindical da agência Sé da Caixa:

Difícil expressar o que se sente. Ninguém inventou palavra.
Esta noite, nenhuma mulher dormiu tranquila por ter se sentido, um minuto que fosse, na pele de uma de nós, de 17 anos, estuprada por 30 homens.
Todas as mulheres estavam de alguma forma ali. Só que representadas no avesso de sua humanidade.

A perversidade do machismo e do capitalismo, que sabe muito bem se aproveitar dele, nos mete nessa pele todos os dias. Querem domesticar, controlar, e no limite, nos expropriar dos nossos próprios corpos. "Não saia da linha ou vai ser ameaçada". "Saia da linha e provavelmente será punida". Punidas com a barbárie do linchamento moral, do estupro, do feminicídio.

Os 30 homens não são 30 monstros. São 30 homens, produtos deste mundo bestial onde sequer o corpo das mulheres é delas próprias. São 30 homens frutos de um mundo onde é "natural" subestimar e subjugar as mulheres.
São 30 homens frutos de um mundo onde um estuprador confesso como Alexandre Frota tem holofotes pra falar de "educação". São 30 homens frutos de um sistema que quer por o estuprador na certidão.

Não quero que ser mulher signifique medo de responder "não", "sim", ou o que quiser pra quem quer que seja.
Não quero que ser mulher signifique precisar ser valente por não estar acompanhada.
Não quero que ser mulher signifique culpa, punição e castigo.

Porque não é. E não será.
Não será mais.

Nenhuma mulher será esquecida. Não vamos admitir nenhuma a menos!
Vamos incendiar a opressão desse capitalismo podre!




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