Gênero e sexualidade

Mulheres de mais de 50 países se manifestaram no dia de paralisação internacional #8M

quarta-feira 8 de março| Edição do dia

Mulheres de mais de 50 países se manifestaram no dia de paralisação internacional #8M. Neste ano há uma intensa mobilização mundo afora com chamados a organizar não apenas atos, mas também uma paralisação internacional das mulheres, colocando ênfase na luta da mulher trabalhadora. Dos Estados Unidos Angela Davis, Nancy Fraser e outras ativistas chamaram a uma paralisação de um feminismo para as 99% da população, contra o "feminismo neoliberal".

Na Argentina, o grande movimento #Nem Uma a Menos também chamou a mobilizar, e a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, com o PTS e o grupo de mulheres Pan y Rosas à frente exigiram das centrais sindicais uma paralisação real de toda a classe trabalhadora.

Nos Estados Unidos, o repúdio a Trump foi canalizado na convocatória A Day Without Women, organizado em solidariedade à paralisação internacional. Várias escolas ficaram fechadas pela adesão de professoras e trabalhadoras da educação à paralisação.

Ainda que de menor magnitude que as marchas de mulheres que levaram 2 milhões de pessoas às ruas contra a posse de Trump, em 21 de janeiro, as manifestações levaram milhares de pessoas às ruas na capital Washington, em Nova Iorque e em Chicago. Em Boston foi realizada uma manifestação em defesa da mulher trabalhadora. Em Washington, a deputada Democrata Nancy Pelosi discursou em “defesa dos direitos das mulheres”, tratando de ofuscar as políticas de Obama contra o direito ao aborto, nem falar das intervenções imperialistas no Oriente Médio.

Em Dublin, na Irlanda, centenas de mulheres saíram às ruas para repudiar as leis que proíbem o direito ao aborto.

No México, em Cidade Juarez, mulheres pintaram cruzes nos postes para denunciar o feminicídio e o desaparecimento de mulheres como política de Estado. Na capital da Turquia, Istambul, uma torrente de mulheres encheu as principais avenidas da cidade.


Em Cidade Juarez, no México

Como mostramos neste #8M no Esquerda Diário, centenas de mulheres saíram às ruas na Tailândia, na Índia e nas Filipinas, contra o autoritarismo dos regimes patriarcais como o de Rodrigo Duterte, e em defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras.

Em Londres também houve manifestação em frente ao parlamento britânico, enquanto trabalhadoras e estudantes paralisaram as ruas de Roma, na Itália.

Em Varsóvia, capital da Polônia, houve massiva manifestação na Praça da Constituição, mesmo local dos protestos de mulheres contra a proibição do direito ao aborto em 2016

No Estado espanhol as manifestações estiveram presentes em várias cidades, como Madri, Barcelona e Zaragoza. O grupo de mulheres Pão e Rosas esteve presente agitando a necessidade da construção de um movimento de mulheres anticapitalista e socialista.

Mais cedo, na fábrica alimentícia Telepizza, as trabalhadoras paralisaram os turnos em adesão à greve internacional de mulheres, apoiadas pelos companheiros operários.

Na Argentina, o grupo de mulheres Pan y Rosas, impulsionado pelo PTS como parte da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, esteve à frente das manifestações em várias cidades do país, exigindo o direito ao aborto (que foi negado pelo governo kirchnerista, e agora também pelo governo de Mauricio Macri) e a equiparação de direitos para as mulheres, como a equivalência salarial, especialmente neste momento de crise que afeta toda a classe trabalhadora, atacada pela patronal e pelos governos quando se mobiliza, como os professores que se enfrentam com Macri.

Pela manhã, hospitais e fábricas, como a multinacional PepsiCo, foram paralisadas contundentemente pela forças das mulheres, junto a seus companheiros homens que as apoiaram nas medidas de encerramento de turnos.

Myriam Bregman, referente política do PTS na FIT, e Andrea D’Atri, fundadora do grupo de mulheres Pão e Rosas internacional, exigiram que as centrais sindicais paralisassem os locais de trabalho como parte de um plano de luta para derrotar os ajustes de Macri e em defesa dos direitos das mulheres.

No Brasil, os atos contaram com dezenas de milhares em todo o país. Diversas direções de sindicatos foram aos atos, mas não organizaram praticamente nenhuma paralisação, impedindo a confluência das reivindicações das mulheres e da classe trabalhadora. Mas mesmo assim, foram mais de 10 mil mulheres nas ruas de SP, milhares no Rio, Porto Alegre, Brasília e em diversas capitais do país. Houve importante representação de jovens e do professorado - categoria majoritariamente feminina - como no ato em São Paulo, em que as professores das redes estadual e municipal tiveram de derrotar a linha divisionista da burocracia sindical da CUT, que dirige a APEOESP, para poderem confluir numa manifestação comum como parte da paralisação internacional (política essa defendida pelo Pão e Rosas nas reuniões de preparação do 8M).

Também as trabalhadoras da CEDAE no Rio de Janeiro, companhia de água e esgoto que está sendo ameaçada de privatização, estiveram na mobilização junto a professores e estudantes.

Seguimos a cobertura desta jornada mundial de paralisação das mulheres, que se trata de um setor estratégico para batalhar junto à classe trabalhadora por uma estratégia anticapitalista e revolucionária aos ataques da crise econômica mundial.




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