Educação

Movimento estudantil impede votação de aumento de preço do Restaurante Universitário na Unesp/Marília!

Na peça orçamentária que seria votada neste dia 13/12 na Congregação do Campus de Marília da Unesp, constava a proposta de aumento do valor da refeição do Restaurante Universitário (RU) em até 70%, rapidamente o Movimento Estudantil se organizou realizando um importante ato, e com a pressão a burocracia prorrogou a votação.

terça-feira 13 de dezembro de 2016| Edição do dia

Chegando ao final do ano, com o campus da Unesp de Marília já sendo esvaziado à beira do recesso, a burocracia universitária incluiu proposta a ser votada na Congregação deste dia 13/12 com elevação do valor da refeição do Restaurante Universitário (RU) em 40%, ou em até 70%. A verba cobrada a mais seria destinada aos Departamentos, Conselhos, Programas de Pós-graduação, etc. O que certamente aqueles que querem cortar da permanência estudantil não contavam é que mesmo com clima de fim de ano no campus, rapidamente o movimento estudantil se organizaria. Após debate na saída do RU os estudantes saíram em ato com palavras de ordem até a direção do campus. Com expressivo ato ocorrendo em frente a sala da Congregação, pressionados, inicialmente os congregados decidiram deixar esta pauta por último. Por fim, não cessada a pressão do movimento, a saída que encontraram foi prorrogar esta votação para Janeiro. Apesar de impedir que fosse aprovado o aumento nesta congregação, a elevação do preço ainda não foi barrada, e exigirá forte mobilização estudantil.

QUEREM ATACAR A PERMANÊNCIA DOS ESTUDANTES DA CLASSE TRABALHADORA, ENQUANTO ISSO... SUPERSALÁRIOS E PRIVILÉGIOS AOS BUROCRATAS!

O Restaurante Universitário da Unesp só existe e se mantém através da luta do movimento estudantil. Foi conquista de greves e ocupações. Na prática nos últimos dois anos o que ocorreu foi um fechamento do RU no período noturno, pela não contratação de funcionários e cortes de verba. O RU noturno que era uma conquista de luta, vinha sendo fechado parcialmente em períodos delimitados por falta de funcionários, e aos poucos o que era parcial foi se tornando permanente, até nunca mais abrir as portas. Muitos estudantes por isso passam o dia inteiro com apenas uma refeição. Certamente isso prejudica seus estudos. Que estudantes são os mais afetados? Certamente são aqueles que não têm dinheiro para refeições mais caras. Estudar com fome? Fazer trabalhos, pesquisas, projetos? Trabalhar e estudar para poder comer? Mas como com aulas em período integral? Ou como com imensa carga de leitura? Se o estudante trabalha fora do período de aula, em que horas irá estudar? Como participar de grupos de estudo, de extensão, e de pesquisa, que são fora do período letivo? Em que horas realizar coleta de dados de pesquisa? Como fazer estágio?

É assim que vai se vetando o direito de estudantes da classe trabalhadora pobre, que não têm familiares com dinheiro suficiente para sustentá-los, a estudar em uma universidade pública. A combinação deste aumento de preço do RU, com insuficiência de bolsas socioeconômicas e vagas na moradia estudantil, pode acarretar o abandono de vários estudantes de seus cursos – como diga-se de passagem já vem ocorrendo mesmo sem este aumento. É a lógica nefasta da Universidade Pública, que é sustentada com os impostos pagos pela classe trabalhadora, mas que fecha as portas para estes que possam nela estudar.

Ao mesmo tempo os grandes burocratas da reitoria ostentam supersálarios que chegam a 60 mil por mês, como ficou público em escândalo que noticiamos aqui, diretores tem carros importados à disposição trocados periodicamente com motorista para utilizarem, o "cafezinho" das reuniões dos burocratas com artigos das padarias mais ricas custa o mesmo tanto que alguns estudantes tem para viver por dois meses.

Neste momento de crise diversos setores estão sofrendo corte de verbas, inclusive de pesquisas e pós-graduação. Contudo, a Unesp carrega hoje o peso de anos de cortes seletivos, com insuficiência de contratação de professores e funcionários, como desenvolvemos aqui. Se hoje faltam verbas a departamentos e pós-graduação, a culpa não é das verbas destinadas à permanência estudantil, mas anos de gestão tucana de sucateamento da universidade, buscando sua privatização de diversas formas.

A LUTA PARA BARRAR O AUMENTO DO PREÇO DO R.U. É A MESMA PARA BARRAR PEC 55 E A REFORMA DA PREVIDÊNCIA!

Em um contexto de crise econômica no país a classe dominante faz uso de todas suas cartas, utilizando de seus representantes políticos, para fazer com que a classe trabalhadora pague pela crise, para manter os privilégios da burguesia. Se por um lado para aprovação da PEC que congelará gastos para áreas como educação e saúde, e da reforma da previdência que atacará direitos básicos do trabalhador, a burguesia argumenta que pela crise é necessário que os trabalhadores aguentem estes cortes em benefício do país e da recuperação da economia, por outro lado, aumentam os já exorbitantes salários dos juízes, mantém os supersalários de políticos, e, o principal, destinam quase metade de todo o orçamento federal aos bancos e grandes empresários através do pagamento de juros em cima de juros da dívida pública. Como explicamos aqui, neste mecanismo, quem decide o valor dos juros são os próprios bancos, essas dívidas nunca são quitadas, e na prática, os banqueiros decidem com quanto vão ficar a cada mês do orçamento federal. Trata-se, portanto, de um mecanismo absurdo de fazer sangrar os trabalhadores, com todo tipo de precarização do trabalho e da vida, injetando verbas nas mãos de uma pequena casta de milionários, que jamais abrirão mão de seus privilégios. Nesta crise, seus privilégios, seus modos de vida, suas contas, tudo permanece intacto, e alguns dos maiores milionários se tornam ainda mais milionários.

Havemos de notar que o que acontece na Unesp segue a mesma lógica do que ocorre na conjuntura nacional, é o mesmo movimento de cortar dos de baixo para salvaguardar o pleno funcionamento “normal” das instituições, enquanto os alto escalões permanecem com seus privilégios (como são os supersalários de altos funcionários de professores da Unesp). Não podemos aceitar o argumento da crise para cortarem políticas de permanência estudantil, destinadas a que os estudantes de baixa renda tenham direito de permanecer na universidade!

No mesmo dia em que os estudantes da Unesp de Marília realizaram importante ato contra o aumento do preço das refeições, milhares se manifestaram e foram reprimidos em várias cidades do país contra a aprovação da PEC 55! O movimento estudantil deve se organizar para barrar o preço do RU, que na verdade, deveria ser gratuito, ao mesmo tempo gritar que os patrões paguem pela crise, construir grande unidade operário-estudantil, pelo não pagamento da dívida pública, contra a PEC 55, a Reforma da Previdência e o governo golpista de Temer! É preciso superar as mobilizações corporativas e isoladas para golpear a burguesia com um punho só!




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