Política

GOVERNO BOLSONARO

Moro "não tem nada a declarar" sobre a crise do recém-eleito governo Bolsonaro

Sérgio Moro em uma entrevista nesta segunda (10) disse que não cabe a ele falar sobre o escândalo do relatório da Coaf onde denúncias de que um assessor do filho de Bolsonaro teria feito movimentações suspeitas em dinheiro vivo a partir da sua conta bancária, incluindo o pagamento de um cheque de 24 mil para a primeira dama. Mostrando a falácia que é o combate a corrupção de Moro e de sua operação Lava Jato.

segunda-feira 10 de dezembro de 2018| Edição do dia

Em entrevista nesta segunda-feira (10), Sérgio Moro se posicionou sobre a apuração das movimentações bancárias do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). Moro que foi o principal agente da Lava Jato e que ficou conhecido pelo seu suposto “combate à corrupção”, declarou na entrevista que não podia opinar sobre o caso envolvendo a família de Bolsonaro.

Na semana passada ao ser questionado sobre o tema, Moro se retirou sem responder sobre o relatório do Coaf. Nesta segunda, porém, falou rapidamente sobre o caso. Moro alegou que o presidente eleito “já apresentou os esclarecimentos” sobre os fatos e, se caso não for esclarecido, deve ser investigado. Na sequência, Moro afirma que não tem “como ficar assumindo esse papel” em relação à opinar sobre o escândalo.

Moro ainda disse na entrevista que “foi nomeado para ser ministro da Justiça, não cabe a mim dar explicações sobre isso. O que existia no passado do ministro da Justiça opinando sobre esses casos concretos é inapropriado”. E continuou dizendo que “o ministro da Justiça não é uma pessoa que deve ficar interferindo em casos concretos, e eu, na verdade, nem sou ainda ministro da Justiça. Então tiveram pessoas cobrando uma posição, mas assim, as pessoas [citadas] que têm que prestar esclarecimento”.

É uma grande ilusão acreditar que Sérgio Moro realmente combateu a corrupção. Ele mesmo que acobertou e enterrou em 2003 (com conivência de Lula e do PT) o enorme escândalo de corrupção do Banestado que envolveu diversos dirigentes do PSDB na década de 90, em esquema de desvio de verbas para o estrangeiro. Com esse primeiro grande escândalo envolvendo Bolsonaro e sua família, vemos que fica bastante claro que nunca houve uma intenção do regime de combater a impunidade dos capitalistas e seus políticos. A reacionária Lava Jato de Moro tratou sempre de substituir um esquema de corrupção com o rosto do PT por um esquema com a própria cara da direita, abrindo caminho às privatizações e especialmente à entrega da Petrobras às petroleiras estrangeiras.

A corrupção é inerente ao sistema capitalista, inseparável de seu modo decadente de produção e exploração. Todos os jogos de poder no capitalismo, as relações entre os “fatores reais de poder”, envolvem a corrupção como dispositivo tão importante como a artilharia para um Exército. Desde 2016, ela vem sendo usada como o principal ativo do autoritarismo judiciário para avançar no golpe institucional.
O combate ao autoritarismo judiciário é um componente chave de qualquer batalha séria contra a corrupção e a impunidade, inerentes ao capitalismo. De fato, o tema da "corrupção" - tão caro ao imperialismo, que se utilizou distintas vezes desse tema para interferir na política latinoamericana nos anos 90, é usado como o principal ativo do autoritarismo judiciário para avançar no golpe institucional, uma espécie de "distração" para que se avancem nos ataques.

Contra essa democracia manipulada por juízes politicamente interessados, é preciso defender que os juízes sejam eleitos pelo povo, revogáveis a qualquer momento e recebam o mesmo salário de uma professora, abolindo suas verbas auxiliares (como o grotesco auxílio-moradia). Para acabar com a farra de empresários e políticos corruptos, que atinge todos os partidos dominantes, todos os julgamentos por corrupção devem ser realizados por júris populares, abolindo os tribunais superiores.

Este programa de ataque aos privilégios do regime e da oligarquia de juízes deve estar ligado com pontos que enfrentem a crise econômica gerada pelos empresários: é necessário impor o não pagamento da dívida pública e a nacionalização dos bancos, do comércio exterior e dos recursos estratégicos da economia sob controle dos trabalhadores. Ligado a isso, é preciso defender a Petrobras e as demais estatais da privatização: isso está ligado à defesa de uma Petrobras 100% estatal administrada pelos petroleiros e controlada pela população, e a estatização sob gestão dos trabalhadores de todas as grandes empresas de infraestrutura, como a Eletrobras, a Embraer, os Correios. Para impedir a degradação das condições de vida com os mais de 25 milhões de pessoas sem emprego, é necessário impor a partilha das horas de trabalho a empregados e desempregados, e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, abolindo a reforma trabalhista de Temer.

A corrupção é inerente ao capitalismo e é mantida pelo Judiciário em estreita aliança com o Legislativo e o Executivo. Frente a isso somente uma política anticapitalista e revolucionária pode responder de fundo ao problema da impunidade dos capitalistas.




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