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Moro "combatendo a corrupção": quer legalizar parte da corrupção capitalista, o lobby

Disse que "é melhor que isso seja regulamentado do que feito às escondidas", referindo-se ao lobby que grupos poderosos como empresas, o agronegócio e a bancada evangélica já fazem cotidianamente sobre os políticos.

sexta-feira 14 de dezembro de 2018| Edição do dia

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Pela segunda vez na semana, o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, defendeu a regulamentação do lobby como uma medida de "combate à corrupção". Em breve contato com repórteres na sede da transição do governo, o ex-juiz federal da Lava Jato disse que a "ideia tem de ser ponderada". Segundo ele, é uma proposta a ser analisada "à parte", em um segundo momento, com uma "discussão específica".

Na terça-feira, 11, Moro já havia defendido a regulamentação do lobby, para retirá-lo das "sombras", em uma palestra alusiva ao dia internacional de combate à corrupção. Essa intenção também já havia sido externada pelo ex-juiz federal da 13ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná, em uma audiência no Congresso em 2016, período em que ainda era o relator da Operação Lava Jato.

Nessa posição Moro e Bolsonaro se alinham mais uma vez com o corrupto governo Temer, que reconheceu o lobby como uma profissão em fevereiro desse ano, por decreto. Mas ainda não está regulamentado pelo Congresso Nacional, onde diversos projetos tramitam há décadas sobre o tema.

Mais um membro do gabinete de Bolsonaro que naturaliza a corrupção capitalista é o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Guedes já tinha declarado logo após a vitória eleitoral de Bolsonaro, criticando os impostos sobre os empresários (que já pagam muito pouco, muito menos do que a maior parte da população) que "o maior símbolo de que os impostos são excessivos é que quem faz lobby consegue desoneração e quem não faz vai para o Refis (programa de refinanciamento de impostos). Se os impostos fossem mais baixos, não precisaria de nada disso", disse.


Paulo Guedes( esq), futuro ministro da Economia, e Onyx Lorenzoni (dir), apontado para Casa Civil. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADAO

Para esses servos dos empresários e especialmente do capital imperialista, é natural que a burguesia faça do Estado seu "balcão de negócios", como na expressão cunhada por Marx, e por isso legalizar o lobby seria somente regularizar o que já é um fato em operações legais e ilegais cotidianamente.

Moro e o "combate à corrupção"...como parte de um governo corrupto

As declarações em defesa da legalização do lobby vêm na mesma semana em que não se ouviu nenhuma palavra de Moro sobre o escândalo de corrupção da família Bolsonaro, que segundo todos os indícios estava lavando dinheiro se utilizando do motorista e outros funcionários como "laranjas".

Nesta segunda (10) Moro falou rapidamente sobre o caso dizendo que Bolsonaro “já apresentou os esclarecimentos” sobre os fatos e, se caso não for esclarecido, deve ser investigado. Também afirmou que não tem “como ficar assumindo esse papel” em relação a opinar sobre o escândalo.

Esse silêncio nada inocente da Lava Jato e Sérgio Moro escancara mais uma vez a arbitrariedade do judiciário que manipulou as eleições favorecendo Bolsonaro e tem atuado de forma cada vez mais descarada na política desde o golpe institucional de 2016.

Atuam a despeito de provas "graças a suas convicções" quando seus objetivos são de destruição de estatais para sua entrega ao imperialismo ou de dar continuidade ao golpe institucional. Mas quando os esquemas atingem peças úteis a ataques aos direitos dos trabalhadores e a seus objetivos políticos sua atuação é radicalmente distinta.

Basta lembrar a conivência de todo judiciário com Eduardo Cunha até a aprovação do impeachment, ou com Pezão, até este garantir diversos ataques ao funcionalismo e população do Rio de Janeiro.

Sob a tutela de Sérgio Moro como "superministro da Justiça", a COAF, de onde originou a denúncia contra o clã Bolsonaro pode ser usada na função de "engavetador geral da república" e/ou como pressão para que o presidente eleito com todo apoio do golpismo judicial – não somente proibindo Lula de ser candidato mas até mesmo roubando o direito de milhões votarem, usando a desculpa da biometria, uma medida que tirou milhões de votos do nordeste – foque no que o imperialismo e a burguesia nacional quer em primeiro lugar: a reforma da previdência e a entrega da Petrobras e o do Pré-sal.

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Com esta casta de juízes e procuradores com seus supersalários e privilégios, com suas mil-e-uma relações com os empresários e que são treinados pelo governo americano, como foi o caso de Sérgio Moro, não se combaterá a corrupção, nem sequer se terminará de conhecê-la.

O Esquerda Diário defende que todo juiz seja eleito e revogável, que ganhe como uma professora, e que todo caso de corrupção seja julgado por juri popular para garantir a expropriação de todos bens e empresas de corruptos e corruptores e que o roubo do país, agora com novos esquemas de corrupção com o aval e silêncio da Lava Jato e Sérgio Moro sejam destroçados e as riquezas do país, como as vastas reservas de petróleo sejam colocadas a serviço da população através de uma Petrobras 100% estatal, administrada pelos petroleiros com controle popular.




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