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Mineiros chilenos paralisam o maior jazigo de cobre do mundo

Os trabalhadores da mina Escondida no Chile, o maior jazigo de cobre do mundo, iniciaram esta quinta-feira uma greve, que advertem ser uma das maiores e mais extensas mobilizações dos últimos tempos no país.

quinta-feira 9 de fevereiro| Edição do dia

O sindicato nº 1 da Mineração Escondida do Chile decretou a paralisação dos trabalhos logo após as frustradas negociações com a empresa que solicitou a empresa. Os trabalhadores iniciam desta forma uma luta defensiva contra a empresa que pretende atacar conquistas ganhas pelo sindicato.

A escondida é a mina de cobre com maior produção no Chile e o jazigo mais importantes que controlado pela multinacional do capital australiano BHP Billiton, que também é dona das das minas Cerro Colorado e Spence. As empresas que exploram o jazigo Escondida, como é chamada, que produz umas 100.00 toneladas mensais de cobre, disseram a alguns dias que não produziria cobre durante a paralisação e que se focaria em evitar eventuais danos a suas instalações e equipamentos.

"Estamos fazendo efetiva (neste momento) a greve", confirmou a Reusters o porta-voz do sindicato, Carlos Allendes, lembrando que os ônibus saíram mais cedo vazios à mina apenas para pegar os trabalhadores do turno que saia aquela hora e que eram do sindicato, integrado por um total de mais de 2.500 operários.

Em um dos terminais de ônibus da empresa, os trabalhadores com bandeiras chilenas e faixas asseguram que tem toda a disposição para levar adiante uma extensa mobilização a fim de conseguir suas demandas. "Estamos dispostos a ir até o fim. Estamos aqui com união e força para levar isso adiante, devido as medidas que tomou a empresa em relação aos seus trabalhadores" disse Claudi Pérez, operador da planta Coloso de Escondida.

Os trabalhadores demandam o aumento salarial de 7,0%, um bônos de 25 milhões de pesos ( uns 38.460 dólares) por trabalhador, que se mantenham os direitos alcançados anteriormente, que os novos trabalhadores recebam os mesmos benefícios que os antigos e que o novo contrato tenha uma vigência de três anos. "Não vamos abaixar os braços, estamos unidos, temos 99,9% de apoio ( à greve) e isso não é fácil", disse em declaração a Antofagasta TV Jaime Thenoux, dirigente do sindicato. Assegurou que para retomar as negociações " O mínimo que estamos pedindo é manter o convenio coletivo atual. Não podem nos tirar nossos benefícios."

Os trabalhadores denunciam a tentativa de flexibilização que a empresa pretende impor. "Escondida quer fazer o mesmo que fez com suas empresas colaboradoras: arrancar todos nosso benefícios através de um convênio coletivo. Quer fazer responsáveis a todos nossos sócios, que sejamos responsáveis da catástrofe que pretendem impor", acrescentou Jaime Thenoux. "Se não enfrentarmos isso, vão começar a nos atropelar. Isso vai ser um exemplo para outras empresas", enfatizou o dirigente.

Mais que uma negociação econômica, a empresa têm outro propósito político: debilitar a força dos trabalhadores. Nas negociações prévias, que começaram no sábado passado, a empresa não chegou com nenhum proposta superior a que foi oferecida na negociação coletiva. Foi apenas, então, uma manobra para refrear o inicio da greve.

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Os trabalhadores reafirmaram sua decisão. Estão preparados. Com um fundo de greve feito desde a negociação anterior. Com a unidade, manifestada e uma votação favorável à greve de 99%. Com o orgulho, e a responsabilidade, da greve anterior de um mês em 2006. Com o apoio de outras organizações, como a Frente de Trabalhadores Mineiros, inclusive uma declaração de apoio da Federação Mineira do Chile.




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