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Milhares se manifestaram em Paris contra a violência policial

No sábado, houve uma manifestação de milhares de pessoas na Praça da República contra a violência policial e exigindo justiça por Théo, o jovem agredido e estuprado pela polícia. Também houve manifestações em Montpellier, Rennes, Niza e Dijon, entre outras cidades, que foram reprimidas.

segunda-feira 20 de fevereiro| Edição do dia

Mais de 5 mil pessoas se reuniram na Praça da República em Paris este sábado para se manifestar contra a violência policial, brutalmente posta em cena pela agressão e estupro ao jovem negro Théo.

A manifestação, que a direita tentou proibir, foi convocada na terça-feira (14) por uma serie de organizações sindicais, antirracistas e em defesa dos direitos humanos, como a CGT, FSU, SOS Racismo, entre outras, junto a vários sindicatos. O NPA (Novo Partido Anticapitalista) participou da jornada de luta, junto a outros agrupamentos políticos, como Lutte Ouvrière (LO).

Como ocorreu durante as manifestações contra a lei de reforma trabalhista durante 2016, a área amanheceu com cordões policiais, com a estação de metro fechada e com revistas às mochilas e roupas.

Enquanto os manifestantes denunciavam em seus discursos a brutalidade policial, sobretudo nos bairros onde vivem uma maioria de imigrantes, a polícia começou a reprimir os presentes com gás lacrimogênio e golpes de cassetete, resultando em 14 detenções só em Paris, que se somaram a outras 14 em Rouen e 4 em Rennes.

Além de Paris, em Niza, no sul do país também se mobilizaram centenas de manifestantes, assim como em Poitiers, em Montepellier e Dijon.

Théo, símbolo contra a violência policial e sua impunidade, sofreu uma violenta detenção em que foi estuprado por um policial no último 2 de fevereiro, na cidade de Aulnay-sous-Bois, ao noroeste de Paris.

O jovem de 22 anos, que tem um trabalho de tempo parcial como animador social, enquanto tenta carreira como jogador de futebol, deixou o hospital após duas semanas de estadia, durante a qual recebeu a hipócrita visita do presidente François Hollande.

Os quatro policiais envolvidos nesta agressão estão afastados por uso de violência e um deles por estupro, porém, estão em liberdade, já que no relatório policial, se reconheceu a detenção violenta e remarcou que a violência anal com o cassetete, que levou sua hospitalização, foi “acidental”, e não voluntária, dentro de uma detenção “violenta e forçosa”.

Ultimo momento: Bloqueios em Montpellier

Continua a mobilização por Théo. Na cidade de Montpellier, cenário de detenções de estudantes secundaristas durante os protestos do fim de semana, dezenas de jovens de diferentes escolas realizaram hoje bloqueios de rua em frente a algumas escolas, como o Georges Clemenceau. Imediatamente, dezenas de viaturas policiais chegaram ao local e começaram a atira gás lacrimogênio. Até o momento, 3 estudantes foram detidos, um deles fortemente agredido.




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