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FECHAMENTO DA FORD

Milhares de terceirizados da Ford foram ou serão demitidos. Por que ninguém fala disso?

A Ford mente quanto aos números de pessoas que ficarão sem fonte de renda após o fechamento das três últimas fábricas da montadora no Brasil. Por que não se vê falar dos trabalhadores terceirizados?

Maria Eliza

Estudante de Biologia da UFMG

quarta-feira 13 de janeiro| Edição do dia

Foto: Assembleia dos trabalhadores da Ford em Camaçari-BA. Rafael Martins / AFP. Editada

Como é da lógica capitalista com a qual os patrões, os governos e todos os atores do regime político atual lidam com as vidas dos trabalhadores, quase não se vê ou ouve falar dos trabalhadores terceirizados que também perderão seus empregos pelo fechamento das três últimas fábricas da Ford no Brasil.

Em Camaçari-BA, a estimativa do sindicato é de 8 mil trabalhadores demitidos para além dos 4.059 próprios da montadora: o dobro! Em Taubaté-SP, onde a empresa empregava 1.652 pessoas, outros 600 se vêm sem fonte de renda com o fechamento da segunda fábrica em menos de dois anos no estado. Os números referente à fábrica de Horizonte-CE, por sua vez, mal são estimados quando se trata do trabalho mais precário e mal-pago dos terceirizados. Os próprios que seguem trabalhando na Troller, filial da empresa no Ceará, são 460.

Fora esses no mínimo quase 15.000 trabalhadores, empregados de outros ramos, sobretudo da economia local das três cidades diretamente envolvidas, temem o impacto do aumento vertiginoso de desempregados no país quando mal há auxílio emergencial para enfrentar a pandemia, que segue em agravamento.

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A terceirização é um dos mecanismo usados pelos grandes empresários para diminuir salários, desrespeitar os já feridos direitos trabalhistas, precarizar o trabalho do conjunto da classe trabalhadora e dividir, para enfraquecer, suas fileiras. A terceirização irrestrita é um exemplo cabal de que no regime político em que vivemos, fruto do golpe institucional de 2016, o que unifica Bolsonaro, Mourão, o judiciário, o Congresso, governadores e prefeitos é o aprofundamento dos ataques aos trabalhadores.

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A tranquilidade com a qual a Ford anuncia que deixará milhares à míngua mostra como todos esses golpistas, sejam os bolsonaristas ou os "defensores das instituições", vieram concordando em governar para os capitalistas de forma ainda mais servil do que sempre fizeram os governos anteriores. A mídia tradicional mostra também que, ao contrário do que pinta a extrema direita, não se presta minimamente ao papel de servir aos trabalhadores.

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Ao mesmo tempo que nos aliamos ombro a ombro com a luta dos trabalhadores para reverter as demissões, defendemos a aliança entre efetivos e terceirizados para impor uma resposta dos trabalhadores ao ataque da Ford. A nível nacional, defendemos a proibição das demissões e a contratação dos trabalhadores terceirizados como próprios e efetivos, com os mesmos salários e direitos.




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