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METRÔ DE SP

Metroviários de SP aprovam plano de luta e posição contra prisão de Lula

Em assembleia marcada pela importante vitoria da aprovação do acordo de reintegração dos demitidos da greve de 2014, categoria vota plano de luta da campanha salarial e aprova posicionamento contra prisão de Lula.

segunda-feira 16 de abril| Edição do dia

Um pouco antes de dar início a última assembleia na quadra do sindicato, o Metrô/SP apresentou uma proposta de acordo para reintegração dos demitidos da greve de 2014. Depois de 4 anos de uma intensa batalha na justiça, "a solidariedade de classe da categoria prevaleceu sobre o autoritarismo governo e da empresa", comentou Marília, uma das metroviárias reintegradas e diretora afastada do sindicato.

Com muita comemoração e emoção de todos os presentes, por unanimidade a assembleia votou acordo.

Em seguida, abriu-se o ponto sobre conjuntura nacional para debater o posicionamento em relação a prisão de Lula no último dia 07/04. Depois de ter imposto um posicionamento por fora de qualquer instância da categoria, a maioria da diretoria CTB/CUT e o coletivo Chega de Sufoco, retiraram do site do sindicato a declaração que se posicionava contra prisão, ao mesmo tempo que fazia uma defesa velada do petismo.

A proposta da mesa foi debater a aprovação da declaração da FENAMETRO, que ao mesmo tempo que se posicionava contra a continuidade do golpe que representava a prisão de Lula, por outro lado não fazia defesa política de Lula, PT e seus aliados.

Guarnieri, operador de trem e diretor da FENAMETRO, defendeu a declaração em base ao manifesto construído pelo Movimento Nossa Classe, oposição a maioria da diretoria, que reuniu 72 assinaturas para a assembleia: "A reforma trabalhista aprovada apos o golpe institucional é a lei que fundamenta os ataques do Metrô na campanha salarial. A prisão de Lula da continuidade a esse golpe, com objetivo de acelerar e aprofundar os ataques aos nossos direitos. Os metroviários de SP ficarão conhecidos nesse dia como uma categoria que não fez coro ao golpismo de Moro e do STF, mas também por um setor representativo da categoria que enxerga que a luta contra essa direita tem que se dar de forma independente da estratégia de conciliação do PT, exigindo um plano de luta imediato das centrais".

Por ampla maioria aprovou-se a declaração contra a prisão de Lula, a qual quem defendeu contra (PSTU e Unidos Pra Lutar) ou se absteve (MES) foi o outro setor de oposição a maioria da diretoria, mais uma vez, assim como no golpe institucional desarmado os trabalhadores para enfrentar os ataques. "O problema desse setor da esquerda em não denunciar a continuidade do golpe, e consequentemente a decisão arbitrária do STF, o fortalecimento do poder seletivo do judiciário e a operação lava jato, é que entrega sem combate à burocracia sindical a defesa das liberdades democráticas nas mãos dos traidores da nossa classe, como a CUT e a CTB", disse Guarnieri após a assembleia.

A assembleia seguiu no debate do plano de luta campanha salarial, e a intransigência que o metrô segue nas negociações em manter os ataques ao ACT, como a redução do percentual pago na hora extra e adicional noturno, implementação do banco de horas, aumento da coparticipação no plano de Saúde da Metrus e retirada do plano odontológico, além da retirada do adicional de quebra de caixa com o avanço da terceirização das bilheterias.

Outro tema bastante marcado nas intervenções foi a mobilização dos funcionários da segurança, que na última comissão de negociação fizeram uma importante manifestação exigindo a contratação de mais funcionários, principalmente por conta das constantes agressões que vem sofrendo no sistema. Alem disso, se não bastasse, a empresa ataca os seguranças querendo retirar o adicional de risco de vida.

Nas setoriais os seguranças votaram uma série de reivindicações para apresentar a empresa, que respondeu apenas que irá criar uma comissão 15 dias após o fechamento da campanha para tratar dos temas. Na assembleia votou-se a incorporação dos pontos apresentados pelos seguranças no aditivo a pauta da categoria por consenso, a única diferença se deu por conta da reivindicação por EPR (equipamento de pronta resposta como spray de pimenta, balas de borracha e armas teaser).

Rodrigo Tufão, metroviário da estação São Joaquim e da bancada eleita da CIPA da L1, em sua defesa reivindicou a mobilização dos seguranças contra a empresa, mas alertou sobre essa proposta: "Os seguranças sofrem com a politica de desmonte da empresa e com a truculência do departamento. Ao invés de contratar mais funcionários, promovem estratégias que colocam em risco a vida dos trabalhadores. Por isso a mobilização é fundamental. Entretanto, mesmo respeitando a decisão em setoriais dos trabalhadores, a reivindicação de EPR não só leva que os seguranças fiquem mais expostos a conflitos, como também abre um precedente para que a empresa utilize a segurança para reprimir manifestações sociais, jogando os metroviários contra a população." Na votação, mesmo com uma parte da assembleia se posicionando contrário, o tema foi aprovado e se manter a na pauta de negociação com a empresa.

No debate sobre plano de luta, Tufão em sua defesa também falou da importância sobre o chamado de um Encontro dos trabalhadores de transporte para unificar as lutas na campanha salarial. "É muito importante nosso sindicato fazer o chamado a esse encontro. Para resistir aos ataques da reforma trabalhista é necessário unificar as categorias de transporte, principalmente com os rodoviários que estão em campanha salarial. Quando fazemos uma greve junto, nossa luta fica mais forte e o governo fica mais encurralado", disse ele.

A assembleia por consenso encaminhou um plano de luta para a próxima semana. Confira abaixo as ações e próximas atividades:

PARA ESQUENTAR A CAMPANHA SALARIAL!

A assembleia de 12/4 (quinta-feira) aprovou várias atividades para a continuidade da Campanha Salarial. Veja o Plano de Lutas:

– Uso de adesivo a partir de 16/4 (segunda-feira).

– Inclusão do aditivo do corpo de Segurança ao ACT 2018 baseado nesses pilares fundamentais: contratação de funcionários com urgência, realização de mais treinamentos, elaboração de estratégias para grandes eventos (jogos de futebol, manifestações…) e a utilização de equipamentos de segurança.

– Luta pela manutenção de todos os direitos dos companheiros da Linha 5-Lilás (contra as transferências compulsórias, pela manutenção da escala-base e dos adicionais Risco de Vida e quebra de caixa e pelo direito do OTM1 assumir a bilheteria).

– Ato na Linha 15 (estação Oratório) no dia 16/4, a partir das 9h, para denunciar a privatização e as entregas eleitoreiras de estações

– Ato na Linha 5 (a estação será definida em breve) no dia 18/4 (quarta-feira), a partir das 9h, também para denunciar a privatização e as entregas das estações

– Setorial da Manutenção, com toda a manutenção noturna, na madrugada de 18 para 19/4, na Sé

– Grande reunião no dia 19/4 (quinta-feira), com todos os companheiros da Manutenção, no Sindicato, às 17h30, antes da assembleia

– Assembleia no dia 19/4, a partir das 18h30, no Sindicato

Fonte: Aplicativo: "Sindicato dos Metrovários de SP" http://goo.gl/hu4JhD
Fotos: Paulo Iannone/Sindicato

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