Cultura

TRIBUNA ABERTA

Metrópolis: imagens de um futuro

sexta-feira 9 de junho| Edição do dia

Metropolis(1927), será um dos filmes expoentes do Expressionismo Alemão nos cinemas, mesmo que não tenha feito muito sucesso em sua época, e será uma das mais célebres obras de ficção científica. A obra é dirigida por Fritz Lang e a roteirista será Thea Von Harbou. A obra de Lang e Harbou agradou a Hitler e ao casal será convida a fazer filmes para o partido nazista, tendo Harbou, filha da aristocracia Alemã, entrado no Partido Nazista, em 1932, e Lang fugindo para o EUA. Para explicarmos a obra precisaremos explicar o tipo de narração e o movimento estético a que pertence. Aos leitores maldosos, não será aqui a condenação do expressionismo como movimento estético que será visto.

A ficção cientifíca

As obras de ficção científica projetam tendências de um tempo que o autor pretende abordar. Os aparatos tecnológicos nessas tramas dão substrato para o desenvolvimento de situações em que personagem interage. A tecnologia na ficção científica serve como suporte para verosimilhança para as situações fantásticas, ou seja, um mero apêndice da história, ou pode ser fator estruturante da narrativa que possibilita a reflexão da relação indivíduo e máquina, indivíduo e sociedade em outra base material, e sociedade e máquina.
O conjunto de reflexões da existência humana e a moral dentro desses eixos serão largamente explorados nos mais diversos campos da arte e passa a ter um significado sobretudo fantástico com a hegemonia da Pop-Art e com a indústria cultural. Além dos elementos fantásticos as narrativas de ficção científica são capazes de prefigurar tendências futuras de uma maneira muito evidente para as pessoas.

O Expressionismo Alemão

Feito o primeiro ponto e discutido a importancia da especificidade do tipo narrativo, agora passaremos ao movimento estético que mesclar-se a narrativa. O expressionismo será uma das primeira correntes artísticas de vanguarda que surgiu em contraposição ao positivismo e o racionalismo das obras naturalistas/realismo e impressionistas. Do autor que passa no realismo a descrição minuciosa, quase contábil das coisas, simétrica, contextual, histórica e exata. Do impressionismo o começo do rompimento da forma exata para expressão da impressão que o autor tem da realidade.
O expressionismo será o movimento que demonstra a visão intuitiva e pessoal do autor, e para expressar isso desfigura a forma da sua representação exata da realidade e as cores de tonalidades escuras para demonstrar os temas da angústia e do desespero humano. No cinema o expressionismo terá uma forma única na Alemanha, aonde um país arrasado pela primeira guerra mundial, o cinema nesse contexto vai ser um importante instrumento de comunicação em massa para representar os sentimento de um povo em angústia e ferido pela guerra.
O cinema era em preto e branco, e mudo, assim o expressionismo nas telonas surgiu na distorção nas proporções e paisagens da cena, enquadramento da câmera, gestos dos personagens, movimentações do personagem atípicas, maquiagem carregada tudo; ou seja, toda a mise en scène; no sentido de causar confusão e angústia no espectador.

A metropolis

Todo o expressionismo é carregado do irracionalismo e da defesa dos elementos religiosos e metafísicos. O filme Metropolis(1927) não seria diferente, a composição dos cenários são uma obra prima: da cidade do subterrâneo escura, cinza, feia, apertada; de seres que vivem de cabeças baixas, sem esperança, sem iluminação, apenas esperando a hora da morte; da fábrica em seu ritmo maquinal, onde se trabalha até morrer, onde o tempo não para; da máquina que assassina e que de repente toma formas mitológicas dos demônios(Moloch) tomando a vida dos trabalhadores.
Em contraposição das cidades dos ricos, das luzes, felicidades, dos prédios altos e bonitos. A composição de cena e paisagem no filme são magníficas e extremamente figurativas.

A temática

Das cenas elegantes, mas um roteiro que retrata uma sociedade que se corrompe e tem seus valores morais perdidos devido a maquina, e aqui o roteiro falho e toda herança Alemanha. O roteiro traz a divisão do trabalho intelectual e manual como uma constatação, e a máquina como elemento desumanizador(reparem que desumanização não vem por ação do humano, mas de uma causa terceira que o aliena de sua essência, mas não considera está mesma é feita pelas mãos e pelo cérebro dos humanos). A narrativa em torno da construção da torre de babel e sua destruição como resultado das mãos não terem entendido as grandes ideias dos cérebros.
Justamente nessa contradição que virá o messias, o messias é aquele que fará a mediação da mão e o cérebro, será o coração. Para além de todos os elementos irracionalista(atribuir a emoção ao coração e não ao cérebro e as ações) há a retomada da tradição Alemã que discute que a essência humana é a essência do cristianismo, que a figura do deus misericordioso e amoroso como a expressão mais pura do humano. Marx debate longamente com toda essa tradição quando combate a esquerda Hegeliana.
A trama então apresenta a origem do mal na máquina e a solução e o bem no cristianismo. Tanto que o cristianismo é apresentado na ambientação das catacumbas, isso não é fortuito, mas uma referência ao cristianismo primitivo que em meio às perseguições romanas professavam sua fé no mausoléu em formato de labirinto. Muito importante o elemento do cristianismo na narrativa.
A máquina, quando adquire o formato humano, será ela a precursora do apocalipse, catalisadora de todos os pecados capitais(nunca será o lucro capitalista, todos são bons na história, eles apenas não se compreendem, falta um “mediador”), o inventor é um bruxo que vive em uma casa mal assombrada. A máquina que se alimenta dos pecados das elites e manipula a massa. As massas de trabalhadores serão retratadas ignóbeis, violentas, manipuláveis e desleixada.

Conclusão

O final é realmente condiz sob todo esse ponto de vista, mas irônico frente a realidade, sob a orientação da religiosa o filho do burguês aperta com sua mão esquerda o pai burguês e com sua mão direita aperta a mão do capataz, que no começo denúncia as ações dos trabalhadores para os patrões e este planeja reprimir-los; com todos os trabalhadores da cidade subterrânea vendo essa cena esperando um mundo melhor. Não à toa que Hitler chamou Lang para fazer parte de seu gabinete de propaganda, por toda sua conciliação entre as classes, por todo seu irracionalismo, por toda sua metafísica, por toda sua tradição Alemã é do porque o nazismo queria em suas fileira.
De qualquer maneira é um filme muito bom.




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