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Mesmo matando mais em 2017, polícias estaduais ganham autorização para arma mais potente

Exército permite que policiais possam portar as mortais pistolas 9mm em seu horário de folga, ignorando a explosão no número de mortes causadas por policiais neste ano.

quarta-feira 13 de setembro| Edição do dia

O comando do exército autorizou o uso particular da pistola 9mm, considerada uma das armas curtas mais letais do mundo, para todos os policiais civis e militares do país. Essa liberação acontece em meio ao aumento da pressão das associações e sindicatos policiais por mais armamento para, supostamente, combater o aumento na criminalidade decorrente da crise econômica e das medidas que os governos burgueses tomaram para combatê-la.

A pistola 9mm é considerada capaz de matar uma pessoa com apenas um tiro em quase 100% dos casos, graças a sua capacidade de perfurar os corpos, podendo inclusive atravessar até 3 pessoas com um único de disparo, ao contrário da pistola .40, arma utilizada anteriormente pelos policiais fora de serviço e que não costuma atravessar um corpo.

Tal autorização vem ao mesmo tempo que o aumento na criminalidade vem sendo amplamente alardeado pela mídia, como, por exemplo, o fato de mais de 100 policiais terem sido mortos no Rio de Janeiro nesse ano ou o aumento no número de policiais de folga mortos em São Paulo, numa tentativa pouco discreta de convencer a população de que se faz necessário um aumento na repressão policial, como no modelo da intervenção militar em curso no RJ.

O que essa campanha não mostra é a intensa participação dos policiais na piora da segurança nos estados, participação essa que os números esquecidos pela grande mídia mostram de forma transparente.

No mesmo Rio de Janeiro onde alguns setores burgueses tentam alçar os mais de 100 policiais mortos a categoria de mártires houve também uma explosão nas mortes decorrentes de operações policiais, operações sempre localizadas nas favelas e comunidades onde a imensa maioria é composta por trabalhadores e trabalhadoras negros.

No primeiro semestre de 2017 foram mortas 302 pessoas em decorrência da ação policial no estado, um aumento de 85% em relação aos já absurdos 163 mortos do primeiro semestre de 2016. Para uma comparação, o aumento na letalidade violenta no RJ, aquelas mortes causadas por ações criminosas ficou em 26% e mesmo as tão divulgadas 100 mortes de policiais não representam um aumento em relação ao ano anterior, quando morreram 142 policiais no ano inteiro.

Em São Paulo, os números são ainda mais eloquentes. Segundo dados da própria Secretaria de Segurança Pública, foram mortos 856 pessoas por policiais no estado de SP em 2016, sendo que o número de mortes causadas por policias fora de serviço foram maior em 16 anos, 266 casos. Em 2017 a situação parece se agravar, pois a polícia matou só no primeiro semestre 459 pessoas, um aumento de 14% em relação ao semestre anterior.

Embora só os dados oficiais já sirvam para mostrar o quão descabida é autorização para os policiais terem acesso à armas mais potentes, é importante levarmos em consideração que boa parte dos casos de violência policial não entram nas estatísticas oficiais. Todas as mortes causadas por policiais membros de milícias, de esquadrões de extermínio ou em atividades diretamente criminosas não são relatados ou não são considerados como crimes cometidos por policiais, mortes que certamente aumentariam muito a estatística de violência policial.

A autorização para policiais portarem armais mais letais irá certamente aumentar a violência policial a qual os trabalhadores e o povo pobre são submetidos, como até mesmo o ouvidor da PM paulista, Júlio César Fernandes Neves, admite: “Onde se deveria dificultar, estão, na verdade, facilitando. Isso é um estímulo para o aumento da letalidade policial. Porque um policial com uma arma dessas vai se sentir mais poderoso e com mais facilidade para tirar a vida de alguém”.

Essa autorização vem se juntar a histeria midiática para gerar condições onde os diversos setores burgueses, para proteger as reformas e privatizações da luta dos trabalhadores, possam utilizar mecanismos de repressão militar de forma mais aberta e indiscriminada, como a Garantia de Lei e Ordem implementada pelo PT de Dilma. Nesse caso, assim como em relação a intervenção militar no RJ, o objetivo é reprimir contra qualquer foco de revolta popular que possa surgir em reação aos esmagadores ataques que o governo ilegítimo de Temer busca desferir na classe trabalhadora e, portanto, a esquerda deve se colocar frontalmente contra qualquer movimento dos governos no sentido de fortalecer as polícias e as Forças Armadas.




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