Política

REGIME POLÍTICO E CAPITALISMO

Mercenários do Congresso a espera das moedas de Temer ou Dilma

Quando Marx dizia que o Estado é um comitê de negócios da burguesia, lá no século 19, talvez não pudesse ter ainda dimensão de como essa frase conseguiu representar no desenvolvimento podre do capitalismo, seja no salvamento bilionários dos bancos nos EUA, Inglaterra e outros países, como aqui em nosso país.

Fernanda Inês

São Paulo

terça-feira 28 de junho de 2016| Edição do dia

No Brasil pós impeachment os senadores, depois dos deputados parecem querer dar uma prova viva dessa definição, a troca de “favores” pelo apoio político ao governo golpista Temer, é um céu aberto de jogatinas de mercenários que mudam de ideia conforme a quantia que vá entrar nos seus bolsos, seja agora, ou antes na Lava Jato ou em cada “jogada” estadual como o trensalão paulista, entre vários outros esquemas.

A troca de cargos, e favores, método tradicional do Estados capitalista pelo mundo, como se vê escancaradamente no parlamentarismo, no Brasil se traduz em anos de esquemas bilionários de corrupção que envolve todos os partidos. O PT que se formou com base operária, longe de fugir à regra, é e foi um fator fundamental desses esquemas, tanto se voltarmos as suas raízes dos anos 80, e seu papel de desviar o ascenso operário contra a ditadura para garantir uma transição que lhe abrisse espaço ao passo que mantivesse de pé instituições da ditadura, como a polícia militar.

Nos seus anos de governo também garantiu a chamada “governabilidade”, em base a acordos políticos corruptos que em grande medida rifaram os direitos mais democráticos da população, como Dilma negociar com as bancadas fundamentalistas o direito ao aborto ou até mesmo o kit anti-homofobia, ou seu laço com a latifundiária Katia Abreu. Sem falar do fortalecimento do judiciário como uma instituição sem nenhum controle democrático, e diga-se de passagem, com salários completamente privilegiados tal como todos os políticos.

Tal como todo um regime podre, o impeachment nasceu das mesmas negociatas que sempre sustentaram os governos, o toma lá da cá. Contudo os sujeitos que organizaram o impeachment, são parte da direita mais reacionária, homofóbica, xenófoba e ditatorial, que quiseram tirar o PT para atacar ainda mais, com sujeitos como Bolsonaro e Cunha a frente, alem do tucanato privatista paulista.

O bando do impeachment já está escancarado, seja pela via da Lava Jato, seja pelos seus procedimentos “normais” de exigir cargos. Depois de tanto discurso de que fariam o impeachment pela limpeza da política, parecem escancarar a politica de sempre... entre a lista de “favores” esta os de Romário (PSB-RJ) que apesar de ter votado pelo impeachment, agora parece indeciso, aparentemente o comando da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e uma diretoria em Furnas, pode aclarar suas ideias.

Já para Hélio José (PMDB-DF) bastam “apenas” 34 cargos, incluindo a presidência de Itaipu, Correios e Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, sua modéstia é clara nos pedidos, claramente mostrando a convicção material do seu voto.
Esses exemplos explícitos escondem certamente uma série de ameaças e malas de dinheiro, por baixo dos panos dos interesses da mídia – que não vamos aprofundar aqui, mas que também tecem seus interesses políticos nada imparciais.

Essa série de políticos sem escrúpulos e sem ideologia não são uma característica nacional, um privilégio brasileiro, mas parte do balcão de negócios da burguesia. Se o fundamental no capitalismo é a garantia de lucro a poucas empresas monopolistas, enquanto milhares sofrem com a pobreza e deixando sua vida no trabalho, o seu Estado vai reproduzir e manter uma ideologia correspondente, onde o ser humano e seu livre desenvolvimento artístico, sexual e produtivo, está em ultima ordem.

A justiça por sua vez, tenta esconder seu braço podre, frente a crise no Brasil e a descrença das massas no regime e partidos, a justiça, com os holofotes da Lava Jato, na verdade escolhem quando e quais políticos atacar, ainda se mantem como uma instituição menos desgastada, o que não a faz menos corrupta. Pelo contrário, existe um esforço em manter a Lava Jato como justiceira frente os corruptos, apesar de que o uso constante de delação premiada, e a preservação nada “sem intenções’ do tucanato paulista, já vem provando de um desgaste onde não é tão fácil passar como imparcial, até mesmo a Folha de São Paulo em editorial saiu em defesa da operação e seus métodos vendo o desgaste da mesma.

Além do que já viemos denunciando sobre como a Lava Jato não visa combater a corrupção, mas sim possibilitar uma política mais neoliberal, entreguista e privatista que ataca ainda mais os direitos dos trabalhadores. Além do fato objetivo plasmado nos salários e privilégios desse setor que nada se identificam com os interesses dos trabalhadores, em plena crise o Judiciário brasileiro é dos mais caro do planeta.

Seus custos, escancaram de forma mais brasileira, mais de um país herdeiro de uma corte colonial escravocrata os privilégios de uma casta que precisa ganhar como burgueses para melhor servi-los. Enquanto países como Espanha, EUA e Inglaterra gastam entre 0,12% e 0,14% do PIB, o do Brasil está na casa do 1,3%. Comparado ao Bolsa Família, que muitos discursos de direita atacam, mostram a que serve o Estado e o dinheiro publica, quando se gasta em torno de 28 bilhões com o programa, o judiciária chega a 58 bilhões.

A política sob as rédeas dos trabalhadores e da juventude

Esse é o principal medo dos políticos e das empresas, que os trabalhadores e jovens queiram fazer sua própria política. Para impedir essa possibilidade, fazem de tudo, desde apagar a história da luta dos trabalhadores e oprimidos, a perpetuar uma ideologia consumista e individualista – que esta cada vez mais questionada desde a abertura da crise capitalista em 2008 – mas principalmente separar a grande política nacional da vida da população, como se uma não se relacionasse, dividindo as pautas especificas das lutas operarias e de juventude da grande política nacional.

O braço dessa divisão, tão fundamental para fazer “os de baixo” acreditarem que não podem ser sujeitos da politica, são as burocracias sindicais, a prova recente disso no Brasil foi a atuação nefasta da CUT e UNE (centrais dirigida pelo petismo) em não organizaram uma luta contra o golpismo do temer, ou seja, lutar contra o golpe com os métodos dos trabalhadores, greve e atos, mas sim, primou por manter os métodos parlamentares de troca de interesses e acordos mercenários.

É preciso combinar as lutas com uma resposta anticapitalista que questione esse Estado de privilégios, e esse sistema de exploração, desigualdade e opressão. Que Todos os funcionários políticos, sejam deputados, vereadores, prefeitos, presidentes, mas também os juízes e funcionários de alto escalão ganhem o salário de uma professora da rede pública e também que sejam revogáveis, para que a população decida. Nesse sentido, esta colocado a necessidade da luta para impor pela força da mobilização uma nova Constituinte, livre e soberana, para que seja a população que decida sobre os grandes problemas do país, desde a corrupção até o controle das grandes empresas brasileiras que deveriam ser geridas pelos próprios trabalhadores e usuários.

Para fortalecer uma voz anticapitalista nessas eleições, que defendam essas idéias, conheça as candidaturas do MRT.




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