Política

Meirelles e DEM divergem ou estão procurando enganar sobre a reforma da previdência?

Aliados do governo Temer começam a articular mudanças na reforma da previdência, uma enganação ou reflexo das dificuldades para aprovar tão terrível ataque aos trabalhadores. Os empresários e a grande mídia aceitariam um ataque mais "escalonado"? Essa negociações interessam aos trabalhadores? Podemos confiar que as diferenças entre Meirelles e congressista que apoiam seu governo paralisariam a proposta?

quarta-feira 8 de março| Edição do dia

Na guerra a informação é sempre contraditória. O general, já ensinava o pensador militar prussiano Clausewitz, precisa saber isso para conduzir corretamente os exércitos a seu objetivo. A "reforma da Previdência" é o nome da batalha atual. Uma batalha que tem como alvo eliminar esse direito dos trabalhadores brasileiros. Diferentes atores políticos emitem informações contraditórias, e entendê-las é chave para não nos confundirmos nas contradições entre Meirelles e os parlamentares. Suas diferenças, se forem reais, são só de tempo, sobre quem pagará mais rapidamente o pato.

Meirelles quer a reforma tal como encaminhada por Temer, Padilha e ele. Alguns congressista que apoiam Temer querem uma transição que afete gradualmente todos brasileiros. Quanto mais jovem (e desempregado, como uma ampla parcela da juventude) mais próximo estará da regra de Temer, que tornará quase impossível se aposentar.

Hoje mesmo, Meirelles reiterou que a proposta oficial é dura e precisa ser aprovada na íntegra. Como analisado nesta matéria. Ele chegou a dizer "uma reforma da previdência muito diluída para não criar resistências não resolve o problema".

Não foi o mesmo discurso adotado pelo DEM, parceiro de primeira hora do governo golpista, mesmo partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que também tem declarado que a reforma que será colocada em votação será tal como proposta por Temer e Meirelles.

O DEM já elaborou emenda para suavizar a regra de transição. Segundo reportagem do Estado de São Paulo, a idade mínima de 65 anos só valeria para servidores públicos e trabalhadores em geral que nasceram após 1993, ou seja, quem tem 24 anos nesse momento. Todos outros trabalhadores teriam uma escala "na maldade".

Pela proposta do governo Temer, os trabalhadores só poderão (nunca) se aposentar com 65 anos. Para homens acima de 50 anos e mulheres com mais de 45 anos há uma regra de transição com prazo intermediário. A ideia é que paguem um "pedágio" de 50% do tempo que falta para se aposentar pelas regras atuais.

A emenda do DEM mantém o pedágio, mas amplia o alcance da regra de transição. Há 12 fases de escalonamento: começa com trabalhadores nascidos até 1962, que poderão se aposentar, pagando pedágio, com 58 anos (homens) e 54 anos (mulheres), e segue até os que nasceram após 1993, que só poderão se aposentar com 65 anos. "O mero ’corte’ nas idades de 50 a 45 anos para, respectivamente, homens e mulheres, provocará injustiças para aquelas pessoas que já estão no mercado de trabalho, tanto público quanto privado, e têm expectativa de direito com base na regra previdenciária atual", justifica o partido.

Traduzindo: querem uma regra mais gradual para quem tiver 49, 48 anos, etc, do que Temer propõe. Mas confluem no objetivo. Querem acabar com seu direito de se aposentar.

Jogo de cena ou tentando diminuir as dificuldades para aprovação?

É muito conhecida a tática de interrogatório do "policial ruim e do policial bonzinho". Seria um jogo de cena desse tipo? Ou seria um cálculo político para garantir a aprovação diminuindo a gravidade do impacto imediato?

Ainda é cedo para poder afirmar que se trata de um "racha" dentro do governo sobre como conduzir a reforma. Muito menos se os empresários e a mídia, sedentos por pesados e intensos ataques aos direitos trabalhistas, aceitariam o ataque à prazo.

Mas, na guerra de informações, os trabalhadores em todo país podem mirar-se no exemplo carioca. Enquanto se discutia o pacote de maldades de Pezão e Temer havia numerosos sinais dados por parlamentares de que a proposta não iria à votação. Distribuídos os cargos, em poucos dias tudo se resolveu e aprovaram a autorização para privatizar a CEDAE.

Não será dos jogos de informação de Meirelles e do DEM que teremos nossos interesses garantidos. Sua divergência é pontual: o que oferecer a quem tem 40 e poucos anos de idade. De resto concordam.

Só garantiremos nossos direitos organizando todas forças da classe trabalhadora para resistir aos ataques. É preciso romper a trégua da CUT e CTB que "resistem" aos ataques somente na medida em que ajudam nos planos eleitorais para 2018, não organizado seriamente nenhuma paralisação para o dia 15/3, nem muito menos participando na greve internacional de mulheres do dia de hoje. É preciso organizar assembleias de base para que os trabalhadores democraticamente organizem um plano de lutas, com paralisações, piquetes, greves, para derrotar Temer e todos aqueles que querem nos retirar o direito a se aposentar.




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