Educação

RACISMO

Material infantil com conteúdo racista é distribuída nas escolas municipais de Santo André

Material distribuído em toda Rede Municipal de Santo André tem gerado muito indignação nos docentes, e pais que acompanham os anos iniciais da vida escolar das crianças.

Jenifer Tristan

ABC Paulista

Vanessa Oliveira

Professora do ABC

terça-feira 26 de junho| Edição do dia

Ler faz bem, mas não esse material regado a racismo, misoginia e machismo. Material distribuído em toda Rede Municipal de Santo André tem gerado muito indignação nos docentes, e pais que acompanham os anos iniciais da vida escolar das crianças.

A rede municipal entregou nas escolas, um kit pedagógico para ser utilizado nas aulas, que está totalmente em desacordo com algumas leis educacionais. A prefeitura municipal adotou a coleção Ler Faz Bem, da Editora Brasileirinho Educacional, onde o próprio dono da editora e publicitário, Gustavo Tomazin é autor dos livros, e integrante do partido que compõe o governo da cidade (PSDB).

O alto investimento cerca de 3 milhões pagos a editora não correspondem a qualidade pedagógica dos livros, pois ao analisarmos o material , o mesmo apresenta questões como estereótipos de gêneros, e estereótipos que inferiorizam os negros, e apresentam uma visão bem distante da proposta na lei 10.639/03.

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Contrato de fornecimento – Ler faz Bem.

É evidente que eurocentrismo ainda está presentes nos materiais didáticos escolares, mas há muitos professores que lutam pela sua desconstrução, apresentando as crianças um olhar mais crítico sobre o tema, mas quando é entregue nas escolas materiais como este fica muito claro, que o racismo é estrutural e a burguesia busca constantemente perpetuar a ideia de inferiorização dos negros, de descaracterização de seu papel histórico, enquanto pode escravizado.
A ideia da democracia racial segue sendo apresentada como algo bom para a sociedade, quando na verdade não passa de uma forma de fazer passar goela abaixo o racismo em nossa sociedade. Esse material é extremamente opressor e ofensivo! Estimulando o aprendizado, praticando conhecimento.

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Navio Negreiro – Parte IV(pg.79) “

Box de Curiosidades.
Além disso, se pegarmos a parte de linguagem, ou seja, os textos do material, ele se aproxima mais como uma ideia de almanaque, do que um incentivo a leitura fluente, com textos literários, gêneros textuais diversificados, o que para as crianças nas séries iniciais seria fundamental, pois aumentaria sua competência leitora de uma forma mais crítica e não apenas funcional, aprofundando o caráter educacional também no desenvolvimento das capacidades cognitivas.

Ao olhar as figuras humanas dos livros da coleção é predominante a figura do homem branco, e se tratando da figura da mulher, ele sempre é acompanhada de uma construção que a reduz a atividades domésticas e de cuidar, como na imagem onde o aluno deve ligar as pessoas as leituras de interesse, mulher lida com flores, enquanto o homem lê o jornal econômico.

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“O primeiro momento da leitura” pág. 10 e 11

O grande debate que se abre com a secretária de educação do município é que, em nenhum momento foi discutido com os professores sobre os materiais que seriam adotados. E em algumas escolas o corpo docente emitiu cartas à secretaria da Educação, declarando que não irão utilizar o material, por tais desacordos, e mesmo assim, não houve nenhum pronunciamento oficial sobre o caso.

Há relatos de professoras que estão sendo censuradas quando se apresenta uma visão mais crítica na rede, no início do ano durante a primeira formação das docentes das creches, foi negado o direito de fala as professoras, sob alegação de falta de tempo para discussões mais importantes.

Não é de hoje que a educação em Santo André segue rumos tortuosos, seja por falta de vagas nas creches, precarização do trabalho docente, e agora materiais distribuídos que ferem totalmente os projetos pedagógicos que tem sido debatido nos fóruns de educação da cidade, que visam uma educação emancipadora, que se contrapõe totalmente ao material pago pelos munícipes, pois os 3 milhões saíram dos cofres públicos.

É necessário questionar esse material. seu conteúdo opressor mascarado de material de didático, esses que querem defender o “escola sem partido” são os primeiros a defender e elaborar um material carregado de ideologia para dividir e oprimir a classe trabalhadora. Precisamos colocar de pé uma educação pública, gratuita e de qualidade que esteja a serviço da classe trabalhadora, uma educação emancipadora que ensina nossas crianças e jovens a terem senso crítico e que o machismo, racismo e a homofobia sejam constantemente combatidos.




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