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Marchezan quer censurar protestos de servidores durante "Prefeitura nos Bairros"

Frente aos ataques do prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan Jr (PSDB), o Sindicato dos Municipários vem fazendo protestos durante as visitas do projeto "Prefeitura nos bairros". As ações buscam mostrar à população que, enquanto dança "Despacito" para se promover, o prefeito destroi os serviços públicos. Com o apoio da Justiça, Marchezan quer calar os servidores e proibir os protestos.

quinta-feira 7 de setembro| Edição do dia

Foto: Adriana Irion/Agência RBS

Um projeto da prefeitura de Porto Alegre faz, a cada 15 dias, visitas aos bairros da cidade para prestar serviços que normalmente não estão disponíveis nas comunidades e promover a figura do prefeito Nelson Merchezan Jr. (PSDB). Com parcelamento de salários, ataque a direitos conquistados, ameaça de corte na meia passagem estudantil e dos professores, tentativa de extinguir a segunda passagem integrada, entre outros ataques, essas visitas passaram a ser utilizadas pelo Simpa para protestar contra as medidas da prefeitura.

Marchezan, que costuma ter chiliques toda vez que é contrariado, se incomodou com os protestos. As ações do Simpa também já repercutem nas comunidades e outras pessoas acabam se opondo ao prefeito.

Há, em Porto Alegre, uma enorme insatisfação com a prefeitura. Marchezan foi eleito sem a maioria dos votos (quem venceu no segundo turno em Porto Alegre foi o voto nulo). Sua popularidade cai e seus ataques afetam toda a população, principalmente a classe trabalhadora e povo pobre. Enquanto isso dança "Despacito" e tenta se promover levando a bairros carentes serviços que normalmente a prefeitura não oferece.

No último sábado (02) no bairro Partenon Marchezan chegou a tentar expulsar os municipários que protestavam no local onde ocorria o Prefeitura nos Bairros. Nesse mesmo dia o prefeito foi à Justiça pedir uma liminar para censurar essas ações e calar a voz dos servidores.

Na quarta-feira (06) o juiz Fernando Carlos Tomasi Diniz, da 4ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central em Porto Alegre, concedeu a liminar sob alegação de que o sindicato está supostamente obstruindo a prefeitura de prestar seus serviços à comunidade. Cabe ressaltar que prestar serviços às comunidades não é obrigação do poder público municipal. Algo que deve ser feito cotidianamente pois os problemas como esgotos a céu aberto, falta de moradia, falta de infraestrutura, obras atrasadas, e todos os que são decorrentes da precaridade dos serviços públicos imposta pela prefeitura não ocorrem a cada 15 dias, tampouco são resolvidos em um evento.

A direção do Simpa afirmou que não foi notificada e que vai manter os protestos. A próxima comunidade a receber o Prefeitura nos Bairros é a Cruzeiro. Uma região que, desde a Copa, sofre com despejos para realização de obras que não terminam. Como todas as comunidades mais pobres, convive com problemas históricos de infraestrutura, como a falta de tratamento de esgoto, a superlotação do Posto de Saúde, além de estar em meio ao fogo cruzado da guerra às drogas, que aterroriza a população com tiroteios diários, seja partindo da polícia ou mesmo de disputas entre facções.




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