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CORONAVÍRUS

Mandetta mentiu sobre testes e agora manda o povo se virar com o Covid-19

sexta-feira 3 de abril| Edição do dia

Um vai-vém espalhafatoso entre Ministros, secretários, Lives de Bolsonaro, pressão da imprensa e panelaços. Tudo isso nos holofotes enquanto os fatos verdadeiros, que a imprensa deveria dar destaque, passam desapercebidos, como é o caso dos testes massivos que nem o governo federal com Mandetta ou Bolsonaro, nem Doria e nem Witzel, garantiram em momento algum. E com estoque de insumos zerado, Mandetta afirma que só conseguirá material para fabricação de testes rápidos daqui a 60 dias.

O Ministério da Saúde publicou uma série de informações dando indicações para o povo brasileiro confeccionar as suas próprias máscaras. Em seu site e através de entrevistas, Mandetta contradiz o que havia dito anteriormente, de que as máscaras eram para uso exclusivo de quem tinha sintomas e de quem trabalhava na Saúde.

Esta linha já demonstra, por um lado, um reconhecimento da seriedade da epidemia, e por outro, a mensagem do governo Bolsonaro e de Mandetta: "se virem!"

A outra mensagem passada por Mandetta e ignorada pela imprensa é a de um mentiroso de marca maior, que enganou os brasileiros dizendo que haveriam até 15 milhões de testes do novo coronavírus. Tal informação passou de 5 milhões, para 10 milhões, para 15... repetida uma hora por seus secretários, outra por ele, outra pela imprensa capitalista que viu nele a oportunidade de fazer frente ao negacionismo de Bolsonaro sem se confrontar com os interesses empresariais do país.

Hoje, depois de mais de um mês desde o primeiro contágio comunitário, o ministério começa a distribuir... mas não será nem 1 milhão, mas 500 mil testes - cifra que não bate 1 vigésimo da população da capital de São Paulo. Mas o Ministro promete que serão 5 milhões de testes, doados pela Vale - empresa responsável por desastres ambientais e que segue funcionado da mesma maneira que sempre, com o aval dos governos e da justiça. Devemos desconfiar da cifra, pois a verdade é que o Ministério da Saúde tem falado de tudo para tentar agradar o povo, enquanto por outro lado a imprensa ataca o negacionismo horrendo de Bolsonaro para esconder, por outro lado, a negação de uma política para enfrentar o coronavírus, expressa por Mandetta, pelos Militares (que preparam hospitais com leitos apenas para seus oficiais) e dos governadores.

A falta de insumos impede a compra de milhões de testes, é o que afirma a imprensa, fato que demonstra como foi irresponsável e mentiroso o que os ministros e seus secretários afirmaram em diversas coletivas de imprensa. No fundo, o tal "ministro técnico" não tinha nada de técnico, e o resultado de sua "técnica científica" em geral é o lucro de empresas privadas e a abertura de milhares de covas para os usuários do SUS.

Segundo reportagem do UOL, que dá conta de alguns destes números, dos testes "não-rápidos", chamados testes RT-PCR, que são os mais precisos, sendo produzidos pela Fiocruz, o Ministério da Saúde teria distribuído, até o dia de hoje, 54 mil para os estados, enquanto estes outros 500 mil "estariam vindo". Especialistas ouvidos por esta reportagem afirmam que os insumos para produzir os testes estão em falta, criticando a política de Mandetta de testar apenas os casos sintomáticos. Enquanto isso centenas de milhares de trabalhadores da saúde se expoem ao contágio. Mas Mandetta tem a solução, máscaras caseiras de TNT!

Só com os trabalhadores tomando a dianteira é que esta crise pode ser enfrentada de modo a não haver milhares de mortos pelo covid-19. Bolsonaro, Mandetta e governadores como Doria e Witzel vem a vida dos trabalhadores como um cálculo eleitoral, e por isso não fazem milhares de testes, não colocar fábricas para produzir respiradores, e nada disso. Pois afina são representantes dos partidos que de ano em ano, atacam a saúde pública cortando verbas do SUS.

É necessário acabar com o teto de gastos e parar de pagar a dívida pública, taxar as grandes fortunas à começar pelos capitalistas que estão demitindo em massa ou cortando salários de quem faz quarentena. Revogação da MP que permite corte de 100% do salário, expropriação e centralização dos recursos do grande empresariado para o combate do covid-19, financiando testes, leitos, pesquisas, materiais de proteção, salário básico de R$ 2 mil para quem fizer quarentena e um plano de emergência para as favelas e periferias poderem fazer quarentena também, com acesso ao SUS, à água, medicamentos, ao salário e moradias dignas.

Leia mais: A saída é a unidade da classe trabalhadora que, como mostrou a pandemia, é quem move o mundo




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