Gênero e sexualidade

DIREITO AO ABORTO

Malu Mader defende direito ao aborto ao vivo na Globo

No programa Encontro com Fátima Bernardes de hoje, 06/12, a atriz fez um discurso inflamado em defesa do direito ao aborto legal. "Tem uma galera querendo que a gente volte para as trevas". "E mais uma vez é a sociedade criminalizando a mulher pobre."

quarta-feira 6 de dezembro| Edição do dia

Num debate sobre o resultado de uma pesquisa de opinião dos brasileiros sobre o aborto, no programa Encontro com Fátima Bernardes, a atriz Malu Mader deu sua opinião depois de uma fala da platéia que se dizia "contra o aborto".

Aflita, a atriz pediu a palavra e soltou o verbo: "Desculpa. É que eu tô meio aflita. Ninguém é a favor do aborto, não existe ninguém a favor do aborto, a favor de matar. Não é uma questão de ser a favor ou não. É uma questão de que ele existe. Muitas mulheres fazem aborto e muitas morrem e sobretudo as pobres. E mais uma vez é a sociedade criminalizando a mulher pobre. Quando a gente discutir isso de fato, porque a mim parece que não importa muito a vida dessa mulher. Ninguém está preocupado. Me parece as vezes questão de hipocrisia. Não é uma questão de ser a favor, não pode ser criminalizado. Se fizer a pergunta: você é a favor do aborto? Não. Você conhece alguém que fez aborto? Sim. Ninguém aqui em sã consciência acha [que merecia ser presa]".

E continuou, destacando como a questão do aborto não é sobre casos individuais, mas de saúde pública:

"Essas questões de onde começa a vida eu compreendo que as pessoas se choquem, mas ninguém nunca se empenhou numa campanha contra a gravidez indesejada, em educar. Ninguém tá assim tão preocupada com a vida das pessoas como quer fazer parecer", disse. "É um conservadorismo, uma pauta que é de saúde pública, não é uma questão de religião, de nada", completou.

Malu terminou reiterando a diferença entre o que é uma opinião individual sobre o aborto e uma decisão política para resolver um problema de saúde pública frente a uma sociedade profundamente desigual: "De fato eu acho uma coisa horrível [ter que fazer um aborto], mas quando comecei minha vida sexual eu tinha uma vida privilegiada. Um ginecologista à disposição, uma mãe em casa podendo me dar atenção, tinha com quem conversar", disse. "É preciso orientar, dar camisinha, informar".

E terminou desabafando em relação a possível mudança na legislação que prevê criminalizar as mulheres até em caso de aborto depois de um estupro (PEC 181): "Tem uma galera aí querendo que a gente volte para as trevas".

Não vamos voltar pras trevas!
Não à PEC 181! Pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito!




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