Sociedade

Mais de 7 mil crianças ficam sem aula e um homem é morto em tiroteios no Rio

Ontem (13), crianças ficaram sem poder ir à creche ou as suas escolas e moradores não puderam sair de suas casas. Houve confrontos e intensos tiroteios, um homem morreu e dois que ficaram feridos estão sob custódia no Hospital Federal de Bonsucesso.

quarta-feira 14 de junho| Edição do dia

Foto: Fagner França

Não é de hoje que assistimos à violência no Rio de Janeiro. Ontem, crianças ficaram sem poder ir à creche ou as suas escolas e moradores não puderam sair de suas casas. Segundo a polícia era necessário promover uma operação para recuperar cargas roubadas e combater o tráfico de drogas. Houve confrontos e intensos tiroteios, um homem morreu e dois que ficaram feridos estão sob custódia no Hospital Federal de Bonsucesso.

Alicy de 4 anos e moradora do complexo de favelas da Maré chorou e reclamou com o pai: "Escuta esse barulho, pai, é tiro de novo né? Caramba, não vai ter aula!". O fotógrafo Fagner França, de 26 anos, registrou a decepção da menina, parada na porta de casa, e a foto repercutiu nas redes sociais. "Ela cursa a pré-escola na creche municipal Monteiro Lobato e neste ano já ficou vários dias sem aulas por conta dos tiroteios", contou o pai.

Ao todo, nesta terça-feira, 13, 7.596 alunos de 12 escolas, quatro creches e cinco Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs) ficaram sem aulas, todas essas instituições se localizam no complexo da Maré. Isso segundo a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

Desde o início da manhã de terça, moradores da Maré se manifestavam, nas redes sociais, sobre os intensos tiroteios em favelas locais. "Ia trabalhar hoje, mas nem fui. Muito tenso e triste isso. Moradores presos em suas casas", escreveu Wander Firmino, morador da Maré, no perfil Maré Vive.

Ainda durante a operação na Maré, foram apreendidos mais um fuzil israelense da marca Galil, calibre 5.56 mm, 12 carregadores de fuzil de diversos calibres, uma espingarda calibre 12, 50 quilos de maconha, 14 quilos de pasta base de cocaína e 5 quilos de crack.
No mesmo dia, em outras áreas houve ação da polícia. No Morro da Providência, na região central da cidade, um ataque à base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) deixou três policiais feridos. Segundo a polícia, o confronto começou depois de atacarem a base da UPP com uma granada de fabricação caseira.

Houve também confrontos entre policiais e traficantes na Fazendinha, no Complexo do Alemão, na zona norte. Segundo o comando da UPP, policiais da unidade estavam em patrulhamento quando se depararam com pessoas armadas. Não há informações sobre feridos, prisões ou apreensões. No morro Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na zona sul, os moradores enfrentaram ontem o segundo dia consecutivo de confrontos. Parte do comércio foi fechado em Copacabana e Ipanema.

O caos instalado no Rio de Janeiro traz à tona novamente a discussão sobre o fim de todas as polícias. Não basta apenas desmilitarização, é preciso acabar com o braço armado do estado que só serve para proteger os interesses dos de cima. Enquanto crianças perdem o seu direito de estudar, a polícia mata pessoas e isso é tratado com naturalidade. Não há guerra as drogas que justifique o número de mortes pela mão dessa polícia assassina, só nesta matéria segundo os registros da polícia, que não são confiáveis foram dois feridos e um morto.

Até quando permitiremos que essa polícia assassina continue matando os mais pobres, negros e indígenas em sua grande maioria? A discussão não é de extermínio dos policiais, mas sim de fim dessa instituição que nada tem a fazer pelas pessoas. Os policiais agem como capitães do mato da burguesia e exterminam cotidianamente o povo pobre. Vale lembrar que o PT quem instalou as UPPs nos morros das favelas do Rio e que essas mortes também devem ser colocadas em sua conta.

Por fim cabe uma breve discussão sobre a guerra as drogas. Se há uma pessoa com problemas graves de vício, essa pessoa deveria ter um tratamento digno em que estivessem presentes psicólogos, psiquiatras, etc. bem como a droga poderia ser dada gradativamente, sob cuidados médicos até que o usuário pudesse se sentir tranquilo para largar o vício. Enquanto um problema de saúde pública for tratado como caso de polícia teremos mais e mais pessoas dependentes. O capitalismo nada nos oferece, os governos usam a polícia assassina para lidar conosco e não temos direito à saúde. Por tratamentos dignos e pela legalização de todas as drogas já!




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