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Mais brutalidade de Trump: defendeu a tortura por afogamento simulado

Em um ato em Ohio o candidato republicano defendeu o uso da tortura conhecida como “waterboarding”. “Me agrada muito. Não acredito que seja dura demais”, disse frente ao público.

Juan Andrés Gallardo

Buenos Aires | @juanagallardo1

sexta-feira 1º de julho de 2016| Edição do dia

O candidato republicano, Donald Trump, voltou a ignorar, nessa terça-feira à noite, as recomendações de moderação em seus inflamados discursos vindas dos chefes de seu partido. Durante um ato realizado em Ohio, logo após os atentados em Istambul, Trump se referiu ao waterboarding, como é conhecido o método de tortura por afogamento simulado. Em frente ao público disse: “me perguntaram o que eu opinava sobre o waterboarding e disse que me agradava muito, que não me parecia tão duro”.

As afirmações do magnata se espalharam pelas redes sociais gerando uma onda de indignação. O método de tortura por afogamento, que consiste em colocar sobre a face de prisioneiros imobilizados um pano e despejar água em suas vias respiratórias, não somente é brutal, como foi repudiado por organizações de todo o mundo, razão pela qual o Exército dos EUA e a CIA terminaram por proibi-lo em suas sessões de “interrogatório”.

Este método aberrante veio à tona logo após tomar-se conhecimento de que era praticada pela CIA e pelos militares nas prisões clandestinas na Europa e Oriente Médio, como também na prisão de Abu Ghraib no Iraque, e em Guantanamo, no território cubado, como parte da “guerra contra o terrorismo”.

É por isso que, ao menos publicamente, o Exército norte-americano proibiu em 2006 o uso do waterboarding, e em 2009 o governo também proibiu para a CIA, ao fechar o programa de interrogatórios de suspeitos de terrorismo, que habitualmente incluíam todos os tipos de tortura.

Tomando como desculpa os atentados que acabaram de suceder na Turquia, Donald Trump saiu em defesa da tortura, utilizando como argumento que enquanto os EUA não pode torturar mediante waterboarding, o Estado Islâmico pode fazer o que quiser. Trump afirmou que não devem existir mais restrições que mostrem o país como “débil”, “estúpido” e “sem liderança”, frente aos “terroristas”. E finalizou com uma frase ainda mais contundente: “O fogo deve ser combatido com fogo”, enquanto seus votantes estalavam em aplausos.

As novas declarações de Trump não fazem mais do que alimentar seu perfil populista apelando a todos os ódios, como demonstrou sem receios ao longo de sua campanha. A xenofobia, homofobia, islamofobia e o racismo são parte fundante de seu discurso.

Enquanto isso aparenta ser apenas mais um “discurso violento” de Trump, a justificativa de um método de tortura aberrante como o do waterboarding é compartilhado por um setor da direita do próprio partido republicano, ainda que, em época de campanha eleitoral, prefiram se calar sobre o assunto em frente ao público.

Tradução Daniel Avec




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