Política

DECLARAÇÃO

Maíra Machado: chega de paralisia das centrais, convocar greve pelas demandas dos trabalhadores e o do povo

A crise dos preços dos combustíveis somada à paralisação de caminhoneiros com uma pauta patronal está presente nas rodas de conversa de praticamente todos os locais de trabalho e estudo, o Esquerda Diário falou com Maíra Machado sobre esse tema.

sexta-feira 25 de maio| Edição do dia

Maíra: "A crise atual de desabastecimento não ocorre à toa, a fúria e apelo popular, que o bloqueio de transportes contra a tarifação do combustível despertaram, são de certa forma a expressão de uma população bastante furiosa com a situação de vida atual. O reajuste dos valores dos combustíveis passou a basear-se nas condições do mercado e para agradar os importadores e atrair empresas estrangeiras que só aceitam participar da privatização da Petrobras se o combustível for caro. Esse sentimento de apoio está sendo expropriado por patronais que não estão nem aí para a população e nem mesmo para os caminhoneiros.

Nenhuma das principais demandas toca nas condições de trabalho e salário dos caminhoneiros, não falam sobre a jornada de trabalho, sobre o preço dos fretes, dos problemas de infra estrutura, sobre a chantagem que a polícia rodoviária pratica nacionalmente para subornar os motoristas. A reivindicação se concentra somente no Diesel, as patronais nada se importam com o que pagamos na gasolina e no gás de cozinha.

Só com milhões de trabalhadores parando sem os patrões vamos dar uma resposta pra crise, inclusive para oferecer uma resposta aos caminhoneiros pobres que não explorem ninguém. Para responder aos ataques que o conjunto dos trabalhadores e da população sofre hoje, é preciso uma política independente dos patrões e ruralistas envolvidos na paralisação. As centrais sindicais como a CUT e a CTB, precisam romper imediatamente com seu imobilismo frente ao golpe e os ajustes de Temer, se colocando à frente da mobilização e permitindo que o conjunto da classe trabalhadora entre em cena. As centrais sindicais devem se separar das entidades que defendem os interesses patronais e impulsionar a greve dos petroleiros que já foi aprovada em todas as unidades do país e a partir disso organizar a entrada em cena de toda classe trabalhadora.

Ontem parte das patronais fecharam um acordo com o governo, e como previsto, o acordo não atende às necessidades da maioria da população. É preciso que essa energia da classe trabalhadora seja canalizada para suas próprias demandas, se apoiar e exigir da CUT que a greve de petroleiros que foi aprovada na base seja efetivada e levantar o conjunto dos trabalhadores para que entrem em marcha para lutar por uma Petrobrás 100% estatal gerida pelos petroleiros e controlada pelo conjunto da população, única forma de garantir preços mais baixos em todos os combustíveis, única maneira de colocar os imensos recursos do petróleo a serviço do conjunto da população e não ao imperialismo, à corrupção ou para subsidiar os lucros dos barões do transporte e da soja.




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