Sociedade

CRISE EM MANAUS E DEMISSÕES NA FORD

Maíra Machado: "Que a Ford produza cilindros de oxigênio para Manaus"

Em conversa com o Esquerda Diário sobre a crise em Manaus e as demissões na Ford, a professora Maíra Machado defendeu a necessidade de controle operário da fábrica, para que se reconvertesse a produção em função do combate a pandemia.

sábado 16 de janeiro| Edição do dia

Esquerda Diário: Como você vê a crise da saúde pública em Manaus?

Maíra: O desprezo de Bolsonaro diante do colapso da saúde em Manaus é revoltante. Enquanto a população sofre com a dor de perder amigos e familiares porque falta até oxigênio, ele cinicamente diz que fez a sua parte. Ou seja, que governou de acordo com os interesses capitalistas, responsabilizando a população pela crise, para que os patrões pudessem seguir lucrando. Da mesma forma a absurda declaração de Mourão de que não era possível prever o que aconteceria no Amazonas, como se toda política desse governo não levasse para um caminho onde são os trabalhadores e a população pobre os que mais sofrem. Mas isso não pode nos levar a confiar que golpistas como Doria e Maia, que cinicamente chamam panelaço contra o negacionismo de Bolsonaro, como se os ataques que eles foram parte de implementar, como as reformas, a PEC do teto dos gastos e de toda precarização do sistema de saúde público não fosse parte do que nos fez chegar até essa triste realidade.

ED: E qual o papel dos trabalhadores em meio a esse cenário?

Maíra: São os trabalhadores, que bravamente vem salvando as vidas em Manaus e em todo mundo. São as trabalhadores da saúde, os operários das fábricas, os entregadores, as caixas de supermercados, das farmácias, é a classe operária que move o mundo e salva vidas. Essa semana tivemos o anúncio de que a Ford encerrou a produção de carros no país e irá fechar três fábricas deixando milhares de trabalhadores nas ruas, mostrando como para os patrões o que importa é somente seus lucros. A Ford poderia diante da crise reconverter sua produção para produzir cilindros de oxigênio, respiradores e tudo que fosse necessário para combater a pandemia. Mas a única forma disso acontecer é pela via da organização dos trabalhadores, com ocupação das fabricas sob ameaça de fechamento, colocando para produzir sob controle operário e assim atender a necessidade e insumos e equipamentos para combater a pandemias e salvar as vidas. Avançando na luta pela estatização da Ford, sem indenização, garantindo a manutenção dos empregos.

ED: E qual seria o papel dos sindicatos nesse processo?

Maíra: Imaginem a força que teria se os sindicatos, ao invés de alimentar expectativas de que os governos irão encontrar outra patronal para seguir explorando os trabalhadores, ou apostar que o mesmo congresso que aprovou cada uma das reformas pode agora defender nossos direitos contra as demissões, passassem a defender a ocupação da fábrica para que ela seja coloca sob controle dos seus trabalhadores e passasse a produzir a tudo o que é necessário para combater a pandemia. Essa seria de fato a forma de colocar todos os seus esforços para combater o Bolsonaro e o regime golpista, e não alimentar ilusões de que a saída é votar num golpista como Baleia Rossi para presidente da Câmara, como coloca o PT e o PSOL. Nosso chamado é que a esquerda coloque todo seu peso do parlamento, dos sindicatos e das entidades estudantis a serviço de uma política independente da nossa classe. Na luta contra Bolsonaro, não podemos ficar no campo dos golpistas como Maia e Doria, mas sim apresentando uma alternativa de organização independente dos trabalhadores, construindo um polo de independência de classe que teria como primeira tarefa unificar os trabalhadores para traçar um plano de lutas contra as demissões e debater um programa emergencial para os hospitais de Manaus e para todo pais, diante da gravidade da segunda onda da Covid-19.




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