Economia

GREVE DOS APPS

Maior investidora do iFood é empresa que apoiou o apartheid racista na África do Sul

A Naspers, empresa midiática sul-africana que financiou e apoiou ativamente o regime brutal e racista do apartheid, é uma das maiores investidoras do aplicativo iFood, que segue lucrando com a escravidão assalariada dos entregadores negros.

Fernando Pardal

@fepardal

quinta-feira 2 de julho| Edição do dia

O iFood, aplicativo brasileiro que é líder no setor de entrega de comida na América Latina, atuando no Brasil, Argentina, México e Colômbia, fez fortunas com base no trabalho ultra-precário de seus entregadores, com os quais cinicamente nega estabelecer um vínculo empregatício.
A paralisação internacional dos entregadores desse 1 de julho está denunciando os absurdos que empresas como o iFood, Rappi, Glovo, Uber Eats, 99 Food, entre outras, submetem os trabalhadores. Já desmentimos aqui algumas das hipócritas tentativas da empresa de preservar sua imagem para não afetar os lucros.

O que vemos também é que grande parte dos entregadores do iFood, como na maior parte dos trabalhos precários no Brasil, são negros. São os jovens negros os que mais são obrigados a se submeter às condições degradantes de trabalho dessa empresa para poder pagar as contas, alimentar suas famílias, etc. Ou seja, o lucro dessa empresa se beneficia diretamente do racismo estrutural, que impõe aos trabalhadores negros os piores salários e postos de trabalho.

Mas esse não é o único proveito que o iFood tira do racismo. A empresa Naspers, gigante sul-africana do ramo das telecomunicações, é uma das maiores investidoras da empresa. Em julho de 2018, junto com a Innova Capital, a Naspers investiu US$ 124 milhões no iFood, o maior investimento recebido pela empresa até então. E, então, em novembro do mesmo ano, voltaram a investir, dessa vez com o valor de US$ 500 milhões.

A Naspers, pouco conhecida no Brasil, é, contudo, muito lembrada por sua participação no regime racista do apartheid na África do Sul, que durou de 1948 até os anos 1990, e incluía diversas leis de segregação dos negros e de impedimentos legais para que tivessem os mesmos direitos da população branca do país. A gigante midiática não apenas financiou o Partido Nacional, que criou e sustentou o regime racista, mas seus jornais foram parte integral da estrutura de poder que mantinha esse monstruoso Estado, responsável por incontáveis crimes contra o povo negro. Foi da cumplicidade com esses crimes que se ergueu a fortuna da Naspers. E é essa fortuna que hoje financia o iFood, uma empresa que, com a precarização de milhares de trabalhadores negros, segue lucrando com o racismo.

Apoiamos ativamente a luta dos trabalhadores do iFood e dizemos que as vidas negras importam. Pelo atendimento de todas as demandas dos entregadores e pelo fim da diferenciação salarial entre negros e brancos!




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