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Maduro reforça a presença dos militares no Governo e em empresas chave como a petroleira PDVSA

terça-feira 28 de novembro| Edição do dia

Neste domingo Maduro realizou algumas mudanças em seu gabinete e o primeiro que nomeou foi o general Manuel Salvador Fernández Quevedo como novo ministro do Petróleo e presidente da PDVSA. Quevedo é um militar da Guarda Nacional Boliviana (GNB) que esteve à frente do Ministério da Moradia e Habitatação em 2015, assim como na presidência da Missão Bairro Novo Bairro Tricolor em 2014. Antes de sua nomeação para a Moradia, este militar foi até maio de 2014 o chefe do Comando Regional Nº5 da GNB, grupo que foi iniciado para controlar as manifestações da oposição unificada na MUD naquele ano em Caracas.

Além disso, Maduro colocou o general da GNB, Ildemaro Villaroen como Ministro da Moradia e presidente do Bairro Novo Bairro Tricuolor. Durante a gestão de Quevemo nestas entidades públicas, Villarroel foi sua mão direita mas também o foi no Comando Regional da GNB N°5.

Também foi nomeado como novo Ministro do Transporte o major general, que vinha com altos postos em sua carreira, porque há apenas dois meses foi nomeado como presidente da empresas de ônibus Yutong e da Missão Transporte. Este major general vêm ocupando altos cargos nomeados pelo Executivo desde 2010. Naquele ano foi nomeado para a presidência da PDVAL e Ministério da Alimentação, onde se manteve até 2013.

Em abril de 2014, Maduro o nomeou Ministro do Escritório da Presidência, posto ao qual retornou em junho de 2017, em 2015 foi passado novamente para o Ministério da Alimentação e nomeado presidente da Corporação de Abastecimento e Serviços Agrícolas (CASA). Em janeiro de 2016 foi levado à chefia da Região Estratégica de Defesa Integral (Redi) Central (Aragua, Carabobo, Miranda, Vargas, Yaracuy e Distrito Capital). É de se destacar que Osorio tem estado entre os personagens que foram vistos pela população como corruptos, e inclusive mal visto como “gerenciador”, mas tem sido um dos únicos militares que sempre caem de pé.

Maduro localizou também no Ministério de Comércio Exterior a José Gregorio Vielma Mora, lopo após perder a reeleição da Governação de Táchira nos comícios regionais do 15 de outubro deste ano. Ainda que já esteja aposentado, Vielma Mora pertence ao setor militar, sendo que no 4 de fevereiro de 1992 foi parte do grupo de oficiais que, à mando de Chávez, participou na tentativa do golpe contra o presidente daquele momento, o neoliberal Carlos Andrés Pérez.

Como se pode ver Maduro reforça os setores chave com militares, onde gerenciam altos recursos, aumentando a presença de integrantes das Forças Armadas no governo que avançam em áreas que até o momento vinham tendo somente civis à frente como o setor petroleiro. Com estas nomeações, o Exército passa a controlar 9 dos 14 Ministérios relacionados com as áreas da Economia e Infraestruturas, tendo em suas mãos os setores que geram lucro. Além disso, dos 32 Ministérios, uma dezena está liderada por fardados. Maduro tem se sustentado com o apoio central das Forças Armadas, por isso as manifestações organizadas pela MUD entre abril e julho, buscaram dividir os militares ou causar rebeliões, objetivo que nunca alcança.

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, respaldou todas estas nomeações, particularmente a do major general Quevedo. Por isso o que mais se destaca é a nomeação militar da frente do Ministério de Energia e Petróleo e quem estará à frente do PDVSA. Supre respectivamente a frente da empresa e do Ministério de Petróleo com Nelson Martínez e Eulogio del Pino, dois personagens considerados de “perfil técnico”. Agora controlando PDVSA os militares avançam para um controle completo onde se geral e gerenciam altos recursos.

Com o discurso de luta contra a corrupção, avança com tudo um processo de “militarização” do PDVSA segundo já transpareceu que não acaba com a nomeação de Quevedo, já se espera que nos próximos dias mais militar assumirão postos de direção no PDVSA. Sempre foi público que era o desejo dos militares há tempos colocar as mãos diretamente na empresa petroleira responsável pela renda do 96% do montante que entra no país.

Mas a chegada dos militares à PDVSA não começou recentemente. No fim de janeiro deste ano, Maduro fez mudanças na junta diretiva da companhia petroleira quando substituiu os vice presidentes nas áreas de Exploração, Refinaria, Comércio e Finanças, ampliando além disso a junta diretiva instaurando uma nova vice presidência executiva da qual se encarregou a vice almirante Maribel Parra, uma militar que faz parte desde então da chefia da Companhia Anônima Militar de Indústrias Mineis, Petrolífera e de Fás, Camimpeg.

Os militares vinham exigindo cada vez mais espaço, não somente político, mas também econômico, sendo que além da sua grande presença na questão ministerial, tem um grande peso no setor empresarial do Estado, que se desenvolveu com a chegada de Maduro ao governo. Assim, por exemplo, no dia 19 de abril de 2013, seis dias depois de assumir a presidência, Maduro iniciou a instauração de uma “poderosa” zona econômica militar com o fim de “satisfazer a demanda da FANB”, e apenas três meses depois, no 9 de julho daquele ano, formalizou a Zona Econômica Militar Socialista com a abertura de umas primeiras seis empresas que arcam setores distintos, desde transporte, agricultura e comunicações, até finanças, bebidas e construção.

Assim, entre o período de julho de 2013 e fevereiro de 2016, o Ministério da Defesa criou 11 empresas para o “desenvolvimento econômico da FANB” que abarcam os setores econômicos que antes detalhamos, sendo parte delas, a empresa Camimpeg, que tem uma ampla gama de atribuições, de serviços petroleiros de gás e exploração mineira, manutenção de poços petroleiros, conserto de brocas, importação de produtos e equipamentos, transportes, obras civis, descontaminação ambiental, entre outros. Onde mais recentemente também tem avançado é na sua alta presença no Arco Mineiro do Orinoco na região de Guayana para a exploração do ouro e outros tipos de metais. Com PDVSA coroam o setor mais chave. Tudo isso é uma via pela qual Maduron garante a fidelidade do alto estamento militar.




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