Política Venezuela

Maduro recorre ao repudiado FMI em meio a emergência do novo Coronavírus

Nesta tarde de terça-feira, o vice-presidente Executivo Jorge Arreaza divulgou a notícia em sua conta no Twitter, após o anúncio de quarentena em todo o território nacional que o presidente emitiu.

quarta-feira 18 de março| Edição do dia

Venezuela cumpre seu segundo dia de “quarentena social” em sete estados, mas seu primeiro dia de quarentena em todo o território nacional, após a segunda-feira passada, o presidente anunciou a aparição de 16 novos casos, aumentando o número total de infectados para 33 (mais três casos foram anunciados hoje, totalizando 36). O sistema de saúde pública se encontra em precariedade extrema por falta de investimento e pela terrível crise econômica em que o país está mergulhado. A isso se somam as restrições ao financiamento e renegociação da dívida e outras forte sanções norte-americanas que agravam a situação para a maior parte da população.

O presidente Maduro pretende responder à crise solicitando 5 bilhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional, organização já conhecida por sua política de submissão financeira e exploração dos países da América Latina, que através de seus “programas de ajuste estrutural” tem sido responsável e promotor consciente do desmantelamento dos sistemas de saúde em todo o mundo, com consequências catastróficas no controle de epidemias. Na Venezuela, em particular, o FMI é lembrado como um dos arquitetos do Paquetazo de CAP II, rebelião Caracazo, esmagada a sangue e fogo pelas forças armadas naqueles dias de fevereiro de 89.

De acordo com o que se sabe, o governo nacional solicita o acesso ao IFR, “Instrumento de Financiamento Rápido”, uma figura que de acordo com os próprios estatutos da agência “fornece assistência financeira rápida e acesso limitado aos países membros que enfrenta necessidades urgentes de balança de pagamento, mas não precisa implementar um programa em si”, mas adiante no documento podemos ler estas linhas “...além da assistência de emergência sob a IFR, o FMI pode fornecer assistência técnica para fortalecer a capacidade de aplicação de políticas macroeconômicas abrangentes do país. Não se trata de um cheque em branco.

Com esse movimento a ser dado, que ainda não está certo, Maduro apostaria em conseguir, por meio dos fatos e protegido em casos de emergência, o reconhecimento internacional que vem sendo negado a mais de uma ano pela política de isolamento e não reconhecimento das principais potências capitalistas ocidentais, ao mesmo tempo que um canal de financiamento que também vem sendo negado e precisa de muito. Essa linha de crédito poderia abrir caminho para negociar com o imperialismo uma série de compromissos (tanto econômicos como políticos) de parte do governo.

Essas movimentações revelam a natureza do regime chavista, não como um governo que se confronta em princípios com a dominação imperialista, mas que aspira a coexistir e se agradar dela, mesmo que signifique continuar mergulhando a sua população na precariedade, em favor de um maior endividamento com o capital financeiro.




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