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Macri no Governo, as grandes multinacionais no poder

sexta-feira 27 de novembro de 2015| Edição do dia

O futuro chefe de Gabinete, Marcos Peña, revelou o mistério e disse os nomes dos ministros que serão parte do governo de Macri. A equipe é integrada por ex-gerentes de multinacionais, empresários, e políticos que passaram por distintas alianças agora reciclados na “mudança”.

Alguns dos nomes eram conhecidos como o ex-gerente da Shell, Aranguren, para energia, Prat Gay, o ex-New Man, e houve surpresa com a “garota” Bullrich em Segurança e, com o aval de Cristina, mantêm Lino Barañao em Ciência e Tecnologia.

A incógnita entretanto é a pasta do Trabalho, com um gabinete do mundo empresarial, deverão estar avaliando quem será o melhor gerente de RH para se candidatar ao lugar vago. Nos próximos dias, afirmou Marcos Peña, que será anunciado, assim como os cargos restantes. O Ministério de Planificação, que esteve a cargo de Julio de Vido por 12 anos, deixará de funcionar.

Macri, depois do portaço de Sanz, incorporou alguns dirigentes do radicalismo, como o riojano Julio Martínez em Defesa, Oscar “El milico” Aguad (amigo pessoal e um dos primeiros em brigar desde Córdoba com o acordo com o PRO) em Comunicações, Ricardo Buryaile em Agricultura, e José Cano, a cargo do Plano Belgrano de infraestrutura para o Norte, onde manejará ao redor de 30 bilhões de pesos.

Os ministros serão: Rogelio Frigerio (Interior); Alfonso Prat Gay (Economia); Susana Malcorra (Relações Exteriores); Esteban Bullrich (Educação); Jorge Lemus (Saúde);Gustavo Santos (Turismo); Ricardo Buryaile (Agricultura); Germán Garavano (Justiça); Julio Martínez (Defesa); Patricia Bullrich (Segurança); Francisco Cabrera (Produção); Guillermo Dietrich (Transporte); Juan José Aranguren (Energia e Mineração); Carolina Stanley (Desenvolvimento Social); Pablo Avelluto (Cultura); Sergio Bergman (Ambiente). Além disso o novo governo criará o Ministro de Modernização, e quem ocupará o cargo será Andrés Ibarra, que tinha o mesmo posto no governo de Buenos Aires.

“Tem time”…empresarial e pró agronegócio

Como dissemos nos PROntuários do gabinete macrista, vários dos ministros designados são ex-gerentes de empresas.

Juan José Aranguren: ministro de Energia e Mineração. Ex-presidente da Shell, companhia na qual entrou em 1977. Foi um grande garantidor dos lucros desta multinacional que aumentou os preços dos combustíveis sem freio. Se encarregou de demitir e perseguir seus trabalhadores combativos e descumprir todo o que pôde as cautelares de reincorporação dos demitidos.

Alfonso Prat Gay: ministro da Fazenda e Finanças. Foi assessor da princesa Máxima Zorreguieta, de Amalia Lacroze de Fortabat, diretor da J.P. Morgan. Esteve à frente do Banco Central nos governos de Eduardo Duhalde e Néstor Kirchner.

Ricardo Buryaile: ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca. Dirigente das Confederações Rurais Argentinas (CRA), pecuarista de Formosa e de origem radical. No conflito pela resolução 125 era vice-presidente segundo das CRA. Buryaile mantém boas relações com as patronais do campo, com a direção da Sociedade Rural Argentina (SRA), Confederações Rurais Argentinas (CRA), CONINAGRO, e Federação Agrária Argentina (FAA).

Susana Malcorra: ministra de Relações Exteriores, é a atual chefe de Gabinete da Organização das Nações Unidas (ONU). Trabalhou catorze anos na IBM na área comercial, até que em 1993 deixou a companhia norte-americana para trabalhar na Telecom Argentina. Em março de 2001 se colocou à frente da iniciativa de ampliação da Telecom, e chegou a ser Diretora Geral da empresa. Durante seu tempo como gerente geral da Telecom, aplicou um corte de 10 por cento nos salários dos trabalhadores da telefonia e realizou 400 demissões.

Francisco Cabrera: ministro de Produção. Foi o encarregado de levar adiante a política de Distritos Criativos, como o Distrito Tecnológico de Parque Patricios que foi criado em 2008. Foi fundador e CEO da companhia de Fundos de pensões Máxima AFJP. Desenvolveu a maior parte de sua carreira no holding financeiro Grupo Roberts, e depois no Grupo HSBC onde foi membro do Diretório da Buenos Aires Seguros, de Docthos e dirigiu o setor minorista do banco. Também foi Diretor Executivo do jornal La Nación e integrou o diretório dos jornais do interior: Los Andes e La Voz del Interior.

Guillermo Dietrich: ministro de Transporte. É economista egresso da Universidade Católica Argentina, com pós-graduação em Negociação na mesma Universidade e MBA Magna Cum Laude do IAE Business School da Universidade Austral. Grande parte de sua atividade se desenvolveu no setor privado. É o idealizador do Metrobus e suas denominadas bicisendas.

Pablo Avelluto: ministro da Cultura. Foi o coordenador do Sistema de Meios Públicos do Governo de Buenos Aires. Foi Diretor Editorial da Região Sul da Random House Mondadori Argentina. Antes foi Chefe de Imprensa e Comunicação da Espasa Calpe, gerente da editorial Planeta e responsável pela unidade de negócios de publicações periódicas da Torneos e Competencias (2000-2002). Também foi gerente editorial da Estrada.

Carolina Stanley: ministra de Desenvolvimento Social. Foi Diretora Executiva da Fundação Grupo Sophia, dirigida por Horacio Rodríguez Larreta. Em 2007, Macri a designa como Diretora Geral de Fortalecimento da Sociedade Civil do Ministério de Desenvolvimento Social, cargo que ocupou até o final de 2009.

Hernan Lombardi: Meios Públicos. Foi empresário de turismo, administrando vários empreendimentos como o complexo Torres de Manantiales de Mar do Plata. Depois, esteve encarregado da Secretaria de Turismo da Nação durante o governo de Fernando De La Rúa. Desde 2008, esteve a frente do Ministério de Cultura de Buenos Aires.

Andrés Ibarra: Modernização. Ministro de Modernização da Cidade, fez carreira no Grupo Macri, esteve em Boca e agora integra a mesa pequena de Macri. Trabalhou para Franco Macri e acompanhou o presidente eleito durante sua passagem por Boca Juniors. Declarou frente ao juiz Norberto Oyarbide, e foi afastado, por causa das escutas ilegais.

Também nomeou Gustavo Lopetegui, ex-CEO da LAN e ex-funcionário portenho de Felipe Solá, a titular do fundo Pegasus, com oficinas em Buenos Aires e Bogotá, Mario Quintana, como Secretários-Gerais que dependerão da Chefia de Gabinete, para coordenar os ministérios econômicos.

Mudança ou reciclagem, a garota da segurança

A designada ministra de Segurança do próximo governo, Patricia Bullrich, foi uma das surpresas do anúncio. Longe de toda mudança, Patricia soube reciclar-se por vários governos.

Bullrich foi deputada de Carlos Menem, Ricardo López Murphy, Elisa Carrió e Mauricio Macri, além de ser a primeira Ministra do Trabalho mulher no governo da Aliança UCR-Frepaso. Também formou parte da Coalizão Cívica, União por todos, o menemismo e o macrismo, substituirá a ministra Cecilia Rodríguez, que desempenha esta posição desde dezembro de 2013.

Os trabalhadores lembram bem da sua passagem pelo Ministério do Trabalho durante a presidência de Fernando de la Rúa, já que foi a encarregada de aplicar o decreto que estabeleceu a redução de 13% dos salários dos trabalhadores estatais e das aposentadorias, no contexto da chamada lei de déficit zero, cujos montantes foram superiores a 500 pesos argentinos conversíveis a dólares estadunidenses no mesmo valor.

A continuidade de Barañao em Ciência e Tecnologia

O macrismo decidiu deixar nas mãos do kirchnerismo o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação onde seu titular, Lino Barañao, seguirá encarregado desta pasta. Segundo informaram nas redes sociais do ministério, o funcionário "conta com o aval da presidenta Cristina Fernández de Kichner" para aceitar a designação de seu sucessor, Mauricio Macri. Também indicaram que "é um reconhecimento da política científico-tecnológica que levou à cabo este governo".

Um gabinete para o ajuste que virá

O macrismo designou um gabinete com ex-gerentes de empresas e amigos das patronais agrárias. As multinacionais podem comemorar porque seus ex-CEOs farão tudo que for possível para resguardar seus lucros e por seus PROntuários farão às custas de golpear sobre as condições de vida dos trabalhadores com desvalorização, achatamento dos salários, tarifaços dos serviços públicos e transporte e novo endividamento. Se podem cumprir seus planos ou não, dependerá da relação de forças, mas não se pode duvidar de suas intenções.

A Argentina que vem aí é um país “atendido por seus donos” ou pelos CEOs de seus donos.




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