Política

FORA TEMER

MRT vai às ruas exigir greve geral para derrubar Temer e impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

quinta-feira 18 de maio| Edição do dia

O escândalo das delações da JBS, que revelaram áudios desse ano de Temer comprando o silencio de Cunha, mostra o quanto o presidente ilegítimo e golpista esteve enlameado no jogo capitalista da corrupção. As redes sociais e os atos espontâneos em Brasília e em São Paulo expressam uma grande comoção pela saída do Temer.

Estaremos com todas as forças do MRT, da agrupação de mulheres Pão e Rosas, a Faísca e o Movimento Nossa Classe nas ruas nos atos “Fora Temer” de todo país para derrubar o golpista com as nossas mãos!

A pressão para a saída de Temer é generalizada. Trata-se de uma crise sem tamanho que temos de utilizar para nos auto-organizar e impor a queda de Temer que seja pelas nossas mãos. São inúmeros atos Fora Temer marcados da noite para este dia antes mesmo da Marcha em Brasília do dia 24. Não podemos esperar até essa marcha para ocupar as ruas contra Temer, vamos aos milhões em todo país sair às ruas nesses atos, massificando as ações, dessa vez junto aos trabalhadores que entraram com seus métodos em cena na greve geral do dia 28 de abril.

Está na ordem do dia uma nova greve geral contundente até derrubar o governo Temer. As próprias reformas dos golpistas estão paralisadas pela crise política. Sabemos que os políticos burgueses e os grandes empresários não desistirão das reformas ainda que Temer caia, e buscarão os melhores agentes para segui-las. Não há o que negociar, e portanto as centrais sindicais devem convocar imediatamente uma data concreta para a nova greve geral, como principal conteúdo para a ida a Brasília. Os atos de hoje devem fortalecer os Comitês de Base e as assembleias em todos os locais de trabalho e de estudo para preparar esta greve geral, uma auto-organização indispensável para que tomemos essa exigência às centrais e essa luta em nossas mãos.

Nós jovens, trabalhadores, mulheres, negros e LGBTs podemos impor uma saída de Temer que não seja pelas mãos dos deputados e senadores afundados até o pescoço na lama da corrupção, nem mesmo pelas mãos de juízes que não foram eleitos por ninguém e que recebem salários astronômicos junto a privilégios intermináveis.

Depois da greve geral do dia 28A, temos que ter a confiança de que será com a nossa mobilização que Temer cairá. Podemos derrubar Temer e os ataques que ele e os demais governos ligados aos empresários e banqueiros trouxeram em forma de leis antipopulares desde a Constituinte de 1988.

Existe contra isso a possibilidade de um pacto de distintos setores do regime político burguês pelas “Diretas Já”: não apenas o PT, mas setores importantes da própria base de direita do governo como o DEM, vendo a deslegitimidade do Congresso e a impossibilidade de eleições indiretas, defendem as eleições presidenciais diretas (por ora, o PSDB alegou defender a via de eleições indiretas). A queda de Temer por essa perspectiva não deve alterar nenhuma regra do jogo, mas apenas os jogadores. Fazem isso com o intuito de manter de pé o edifício corroído da Constituinte de 88, recompor o regime político com os métodos reacionários da Lava Jato e seguir com as reformas trabalhista e da previdência com um governo legitimado pelas urnas.

Por isso, precisamos de uma forte greve geral para derrubar Temer para impor uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que questione profundamente as bases desse podre regime político e altere as regras do jogo, e não apenas os jogadores.

A única maneira de colocar as grandes questões estruturais do país nas mãos dos trabalhadores e da população é impor pelos métodos da luta essa nova Constituinte, em que possamos eleger nossos representantes e anular todas as reformas de Temer, Lula e FHC, batalhar pelo fim do pagamento da dívida pública, a estatização sob administração democrática dos trabalhadores de todas as grandes estatais do país, a reforma agrária radical e que juízes e políticos sejam eleitos e revogáveis, recebendo o mesmo salário de um trabalhador.

Participamos dos atos pelo “Fora Temer” com essa perspectiva. Acreditamos que seja um processo que sirva para que os trabalhadores e jovens possam ter uma experiência profunda com a democracia dos empresários e banqueiros, assim como a que propõem os revolucionários: um governo dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo, uma democracia direta que tenha base em organismos de auto-organização da classe trabalhadora, única forma política capaz de colocar os trabalhadores como sujeitos que vão pensar todo o funcionamento do país a partir das suas demandas mais sensíveis, como a dos negros, dos LGBTs, das mulheres dos indígenas e dos trabalhadores rurais.




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