Sociedade

DITADURA MILITAR

MPF de SP denuncia ex-agentes por 1ª morte da ditadura

sexta-feira 27 de novembro de 2015| Edição do dia

(Imagem retirada do site: http://memoriasdaditadura.org.br. À direita uma foto de Virgílio Gomes da Silva, operário sindicalista morto pela ditadura)

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo denunciou quatro ex-agentes da ditadura pela morte, em 1969, do operário e sindicalista Virgílio Gomes da Silva, considerado oficialmente o primeiro desaparecido político após o golpe de 1964. Segundo a Procuradoria da República, o major Inocêncio Fabrício de Matos era um dos chefes da Operação Bandeirante (Oban) e participou, junto com seus subordinados Homero Cesar Machado, Maurício Lopes Lima e João Thomaz, da prisão e da tortura de Virgílio.

Pelo menos outras dez pessoas, já falecidas, também se envolveram no crime. Os denunciados devem responder por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Virgílio foi morto nas dependências do prédio onde funcionava a Operação Bandeirante, em São Paulo, dia 29 de setembro de 1969. Ele havia se notabilizado no início daquele mês por comandar o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, solto dias depois em troca da libertação de 15 presos políticos

Pouco tempo depois, a Operação Bandeirante deu origem ao Destacamento de Operações e Informações do II Exército (DOI), que, sob o comando do major Carlos Alberto Brilhante Ustra, transformou-se em um dos principais centros de tortura do regime militar. Só entre 1970 e 1974, durante a gestão de Ustra, 37 pessoas morreram ou desapareceram após passarem pela unidade.

O operário foi o primeiro dos 136 militantes de esquerda cuja morte pelas forças de repressão ditatoriais está confirmada. Ele era um dos dirigentes da Ação Libertadora Nacional, grupo de resistência capitaneado por Carlos Marighela. Segundo a Procuradoria, a perseguição a ele, no entanto, acontecia desde 1964, quando fora preso por liderar uma greve na empresa onde trabalhava, a Nitroquímica, no ano anterior.

Se condenados, além de cumprirem penas de prisão pela morte de Virgílio e a ocultação do cadáver, os agentes podem perder cargos públicos que ainda ocupem, bem como ter aposentadorias cassadas e o cancelamento de medalhas e condecorações recebidas.

A ditadura de ontem e a repressão de hoje

Enquanto isso, o governo do PT, ao longo dos seus 13 anos de governo, foi incapaz de fazer avançar a luta por memória, verdade e justiça dos crimes da ditadura, mantendo por todo esse tempo impunes nossos torturadores e assassinos, até mesmo permitindo que ocupassem cargos públicos.

Não obstante, este mesmo pacto da impunidade aos militares e empresários torturadores, permitiu que instituições provenientes daquele período terrível continuassem existindo, tal como o SNI (Sistema Nacional de Segurança) e a Lei de Segurança Nacional e, ainda, que resistisse intacta uma estrutura de repressão aos trabalhadores, e ao povo pobre e negro das periferias, que mata diariamente centenas, numa verdadeira guerra civil - veja mais aqui .

Para que estes pactos venham abaixo é preciso uma luta independente do governo para que a verdade, a memória e a justiça em relação aos crimes da ditadura sejam garantidos e que militares e civis que fizeram parte da repressão não permaneçam impunes.

Esquerda Diário/ Agência Estado.




Tópicos relacionados

Sociedade

Comentários

Comentar