Educação

MILITARIZAÇÃO DAS ESCOLAS

MEC avança na capacitação de profissionais para escolas cívico-militares

Termina hoje, em Brasília, a primeira capacitação para os profissionais que atuarão nas escolas cívico-militares. Até 2023, 216 escolas adotarão o modelo por todo o país, ano que vem, já teremos 54, com aproximadamente 1000 militares da reserva das Forças Armadas, e policiais e bombeiros da ativa, todos atuando na gestão.

sexta-feira 13 de dezembro de 2019| Edição do dia

Tudo isso se configura, primeiramente, como um grande ataque pedagógico às escolas públicas, que por meio de adesão de estados e municípios, terão que se submeter às regras de gestão e educacionais de militares, sem preparo para lidar com toda a diversidade do ambiente escolar e com as diversas questões de aprendizagem.

Afinal, não será em um curso de uma semana que militares, treinados para a repressão, aprenderão a lidar com as múltiplas realidades do ambiente escolar. O que se espera é que haja, principalmente nos locais mais pobres, o controle da escola por meio de uma disciplina militar e de uma gestão, tirando das mãos das educadoras e educadores o controle administrativo e, consequentemente, o pedagógico e de conteúdos a serem estudados.

O que tem se tornado um grande atrativo é o repasse de verbas, já que, no próximo ano, serão destinados 1 milhão para cada escola que aderiu ao programa. Ou seja, ao invés de o governo promover políticas públicas efetivas para a educação, como, por exemplo, com a ampliação dos repasses do FUNDEB (lei que garante o repasse de verbas para educação aos Estados e Municípios) mas que termina em 2020 e ainda está com propostas em tramitação no Congresso e no Senado.

As escolas cívico-militares também acontecem neste ano em que milhões foram retirados do MEC - da educação básica até a pós-graduação. Por isso, é necessário que as centrais sindicais e os grandes sindicatos da educação rompam com sua paralisia e lutem por uma educação de qualidade: salários dignos aos profissionais, infra-estrutura adequada nas escolas, materiais escolares, formação continuada de professores, diminuição do número de alunos por sala e programas para a permanência dos estudantes.

A militarização não tem nada a ver com proteção das escolas. Alteram a gestão, retiram a tarefa pedagógica da mão de especialistas e a transfere às mãos de policiais, o que fortalece a perseguição política, coerção e vitimização de professorxs e estudantes. Não há pensamento livre sob as botas policiais que todos os dias mostram como lidam com as crianças nas favelas, como foi com Ágatha Felix, Maria Eduarda, Ketellen, Marcos Vinicius e tantas outras.




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