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Luta nacional dos residentes: massificar o apoio e unificar para avançar

Os residentes, que já vinham se mobilizando por todo país, votaram greve no último dia 04 de maio para que suas reinvindicações atendidas. É preciso unificar as lutas e conquistar a população para garantir suas demandas e enfrentar Bolsonaro e os governos.

Isa SantosAssistente social e residente no Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ

quarta-feira 12 de maio | Edição do dia

Os residentes que votaram greve no último dia 04 de maio pela falta do pagamento das bolsas-salário e bonificação; vacinação imediata de todos residentes, junto aos colegas trabalhadores da saúde; e pelo retorno da Comissão Nacional de Residências Multiprofissionais em Saúde, com a participação de representantes de trabalhadores residentes seguem sem ter suas reinvindicações atendidas.

Os programas de Residência Multiprofissional e em Área Profissional da saúde constituem modalidades de ensino de pós-graduação lato sensu destinada a profissionais recém formados que abrangem as profissões da área da saúde, como: Biomedicina, Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional, sob a forma de curso de especialização caracterizado por ensino em serviço, com carga horária de 60 (sessenta) horas semanais, incluindo plantão, e duração de 2 (dois) ou 3 (três) anos dependendo do programa. Esses profissionais vem se organizando por todo país.

Contudo, estes profissionais apesar de alunos em formação também são trabalhadores que sofrem cotidianamente com a precarização da saúde, das condições de trabalho e com assédio moral, inclusive nos momentos que precisam lutar pelos seus direitos como é o cenário atual. Os residentes são parte fundamental para a manutenção de diversos serviços de saúde em todo o país, são em torno de 55 mil em todo o Brasil, e foram (e ainda são) parte da linha de frente do combate ao Covid-19, onde sem eles muitas vidas não teriam sido salvas, e o fazem arriscando suas vidas para salvar pacientes, mesmo com falta de EPIs e testes. Neste momento, muitos ainda não foram vacinados, não tiveram redução de carga horaria ou reorganização das escalas para menor exposição e seguem sem previsão de vacinação. Além disso, estes profissionais que são parte dos trabalhadores essenciais enfrentam atrasos salariais recorrentes sofrendo represálias no interior das instituições diante de suas mobilizações contra esse absurdo.

Todo esse cenário de precarização não é novidade, como relatado aqui, os residentes fazem parte de uma parcela dos trabalhadores com poucos direitos, pois como são também estudantes tem seu direito a greve muitas vezes negados ou são obrigados a repor a carga horária, mesmo nas situações de atrasos de bolsas. Atualmente há mais de 36 programas em greve em todo o país e aqui no Rio são ao menos 11 programas se mobilizando contra os ataques a saúde pública, vemos que a organização dos residentes é o único caminho para a garantia do pagamento dos salários e vacinação de todos os trabalhadores da linha de frente, mas precisamos ir por mais.

Mesmo após um ano de pandemia, onde já tivemos mais de 400 mil mortos em todo o país, vemos que a vida dos trabalhadores e dos setores oprimidos seguem não sendo a prioridade de Bolsonaro, mas tampouco dos governadores e prefeitos, como Eduardo Paes que festeja em bares do Rio, enquanto nós trabalhadores essenciais, seguimos sendo contaminados nos locais de trabalho e transportes lotados, sem sermos imunizados, sem direito ao lazer, correndo risco de despejo ou fome com os atrasos das Bolsas, que são a único meio de subexistência de muitos de nós. E junto a nossa situação há outras trabalhadoras como as merendeiras, que seguem com os salários atrasos, ou os trabalhadores demitidos, e com os contratos cancelados. Enquanto o governo Bolsonaro gasta mais de R$ 3 bilhões em emendas parlamentares, como forma de comprar apoio no congresso e perde milhares de teste de COVID-19 com validade vencida, nós os trabalhadores sofremos à mingua sem vacina, sem teste, sem EPIs e sem salários.

Tem ocorrido mobilizações como parte de explicitar a situação de descaso que os residentes, como parte das trabalhadoras da saúde, vem enfrentando ao longo de toda a pandemia. Essa situação é fruto dos recorrentes ataques que a saúde pública enfrenta há anos por diversos governos e que se aprofundam desde o golpe institucional e com o governo Bolsonaro. Neste momento, essa política tem se revertido em mortes que poderiam ser evitadas se houvesse um plano de emergência de combate ao novo Corona Vírus, como sempre defendemos.

Os trabalhadores da saúde são exemplo por estarem na linha de frente não somente no combate ao COVID-19, mas também na luta pelos seus direitos, não somente em diversos atos no Brasil. Mas estiveram nas ruas em apoio a luta negra dos EUA e na Argentina estão numa luta exemplar, conhecidas como os Elefantes de Neúquem, por pisar forte e andar em bando. Lá fizeram greve sem o apoio de nenhuma direção sindical, organizaram-se em assembleias pelo hospital e pela Interhospital, fizeram marchas com a comunidade e com quase 30 piquetes em toda a província de Neuquén paralisaram a produção de gás e petróleo em Vaca Muerta por 22 dias.

Veja aqui sobre a luta e o triunfo dos trabalhadores da saúde de Neúquen

A unidade com a população tem de ser vista como um elemento chave, como um ponto de apoio fundamental que devemos buscar. O êxito dessa unidade, desse apoio, se mostrou essencial para a vitória dos trabalhadores da saúde Argentinos. Aqui também há um forte potencial nos nossos usuários e na população que sabe que são esses trabalhadores que estão salvando vidas em cada unidade de saúde do país, que estão garantido a vacinação da população apesar de todos os desafios impostos pelos governos. Pensar como desde cada local de trabalho e de cada estado onde há residentes paralisados os diversos caminhos de conseguir transformar cada aplauso já recebido neste mais de 1 ano de pandemia em apoio, em apoio ativo, a nossa luta é uma tarefa urgente para conquistar nossas demandas.

Um elemento central, muito importante que diante dos ataques colocados a todos os trabalhadores do país incluindo os residentes, é que haja a unidade com outros trabalhadores em luta. Só desta forma será garantida a vacina para todos sem distinção entre terceirizados, residentes e efetivos tal como foi feito no HU da USP, mas também se unifique a luta dos metroviários em SP que também se mobilizam por, entre outras reinvindicações, vacinas para todos.

Somente nossa luta unificada poderá garantir essas e outras reivindicações.




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