Educação

PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO NO ABC

Lula e o PT: educação sexual nas escolas?

O jornal ABCDMaior publicou uma matéria sobre o discurso do ex-presidente, num seminário em São Bernardo do Campo contra os retrocessos promovidos pelos fundamentalistas e conservadores que aprovaram na capital de São Paulo e em outras cidades como Campinas e Santo André a retirada do termo e proibição do debate de gênero e sexualidade das escolas.

sábado 5 de setembro de 2015| Edição do dia

Lula defende de maneira enfática que "o melhor momento em que a gente pode educar as crianças e formar novos cidadãos que evoluam como seres humanos é nas escolas". Mas apesar desse discurso, a atuação do PT sob seu mandato e com Dilma a frente, mesmo esta sendo mulher, gerou mais expectativas do que avanços reais para os oprimidos.

Promessas e discursos no país mais homofóbico do mundo

Lula, Dilma e o PT vivem uma crise histórica, tendo no ABC, o bastião desse partido de onde surgiu a figura de Lula, atualmente há uma desaprovação que atinge mais de 84% da atual presidente. Nas eleições, Dilma já apelava dizendo que se eleita iria representar os LGBT e dava sua palavra que criminalizaria a homofobia e transfobia (PL 122). Há mais de 8 meses de mandato, já foi arquivada a PL e a Lei João Nery assim como o direto e o reconhecimento das identidades de gênero não cis seguem silenciadas e excluídas pelo PT e demais partidos da ordem.

A grande demagogia deste governo é afirmar a importância desses debates nas escolas, quando justamente foi o PT que vetou o kit-anti homofobia nas escolas, produzido pelo MEC com gastos federais para promover a inclusão e o respeito a diversidade, a partir de vídeos, de desenhos, que foram considerados "impróprios" e que "poderiam influenciar na sexualidade das crianças". (Mas se deve ter respeito e diversidade, porque a influência seria algo tão ruim?)

Lula foi quem firmou o pacto Brasil-Vaticano que garantiu a isenção de impostos das igrejas e favoreceu cada vez mais a relação do Estado com a igreja, promovendo em muitas escolas a formação religiosa cristã sempre tão discriminatória com as religiões de origem africana como o candomblé e a umbanda, que aceitam e naturalizam as sexualidades não heterossexuais. Em 2013, quando o PSC ainda era base do governo, Feliciano adentrou a comissão de direitos humanos a partir de acordos com o PT. Abriu-se assim espaço para a propaganda reacionária contra os LGBT e pautas como Cura Gay e o Estatuto do Nascituro (mais conhecido como Bolsa Estupro).

Educação sexual para decidir, aborto legal seguro e gratuito para não morrer

Os movimentos feministas, LGBT e negro historicamente levantam a bandeira de Educação laica onde o debate de gênero e sexualidade permita quebrar os valores burgueses desde as raízes da escola. Sabendo que é uma disputa ideológica dentro da sala de aula, é preciso entender que não é possível lutar por essa demanda ao lado do governo que com uma mulher a frente deixa todos os anos mais de 500 mil mulheres morrerem por abortos clandestinos e a precarização do trabalho seguir tendo gênero e cor de pele.

Virgínia Guitzel, ativista trans em defesa dos direitos LGBT e parte do grupo de mulheres Pão e Rosas declarou: "Não é com esse governo que esconde os nossos assassinos, que mantém solta a polícia que matou Laura Vermont e torturou Veronica Bolina, assim como segue de mãos dadas com a igreja católica que recentemente declarou perdoar as mulheres que abortam, sendo que os homens que abandonam seus filhos e o Estado que não garante as mulheres o pleno direito a maternidade seguem justificados pela " divina intervenção". O governo sabe que sua crise é profunda e tenta se alçar como alternativa para ter onde se apoiar. Nós LGBT não seremos esse apoio, porque sabemos que só podemos confiar em nossas próprias forças. Por isso nós do Pão e Rosas fizemos um grande encontro com mais de 400 LGBT e mulheres para discutir a importância de uma saída independente. Dia 18 marcharemos por nossos direitos, contra o PT e as oposições do PMDB e do PSDB. Nossa luta é ao lado dos trabalhadores e não dos empresários e políticos que só querem enriquecer".




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