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RACISMO

Luciana Gimenez banca a "sinhá" e chama a cozinha de sua casa de senzala

O ano é 2017, mas as referências são históricas. Mais uma vez o local comumente ocupado pelos empregados, em sua maioria negros, é referenciado como a senzala das fazendas latifundiárias do Brasil colônia, em que senhores e senhoras subjugavam negros e negras e impunham sua dominação e exploração racista.

Pammella Teixeira

Belo Horizonte

terça-feira 23 de maio| Edição do dia

Na última quinta-feira (18) durante a preparação da festa de 18 anos de Lucas Jagger, filho de Luciana Gimenez e Mick Jagger, a apresentadora usou o Instagram para postar um vídeo no seu snapgram em que, ao entrar na cozinha, se refere ao espaço como uma “senzala”.

"Vem cá, tá rolando uma bagunça aqui na senzala, é?"

Enquanto preparavam a festa do filho de Gimenez, em um momento de descontração na ampla cozinha, cerca de 7 empregados e empregadas, em sua maioria negros e negras, são interrompidos pela patroa que, filmando, solta a frase racista.

Com essa frase, ligando a condição dos seus empregados à dos negros escravizados, Gimenez escancara o perfil racista que ainda predomina no país, em que as relações entre patronal e empregados seguem uma linha muito parecida com a antiga relação dos senhores de engenho e seus escravos. Em que viviam em espaço separado dos seus senhores, limitados às cozinhas e senzalas. Em que nenhuma “bagunça” era permitida, em que qualquer sinal de expressão da cultura africana, organização de escravos ou descontração era castigado ou, no caso da apresentadora, questionado e filmado em tom de piada.

Não é piada. Não é engraçado. Graças à escravidão no Brasil, à manutenção do racismo estrutural para garantir a dominação e os lucros da burguesia, a população negra ocupa locais periféricos na nossa sociedade. São milhares de negros e negras que estão nos postos de trabalho mais precários e vivem nas favelas Brasil afora. É a juventude negra que compõe a maior proporção das taxas de desemprego ou estão morrendo todo dia graças à violência policial, garantida e mantida pelo Estado.

São trabalhadores e trabalhadoras que tem que sorrir de volta, para não perder seu emprego, enquanto a “sinhá” ri da condição deles e ainda posta na internet por pensar que nada pode atingi-la enquanto estiver na casa grande recebendo seu salário que chega a 500 mil reais por mês.

Que cada cozinha vire quilombo

O assunto tomou a internet, o vídeo foi recuperado e várias pessoas, páginas do Facebook, perfis pessoais em redes sociais e websites demonstraram seu repúdio à atitude da apresentadora. Mas, mais que repúdio, devemos lutar pela emancipação do povo negro junto à classe trabalhadora. Para que cada cozinha vire quilombo e nos levantemos em luta pelo fim da sociedade capitalista que mantém o racismo e condições de vida precárias para a população negra, que é maioria no país, em troca da riqueza e privilégios de poucos Gimenez e Jaggers.

A casa grande ainda vai pirar muito mais. E os negros e negras continuaremos avançando até que caia toda e qualquer exploração e opressão!

O vídeo não está mais disponível nas redes sociais da apresentadora, mas pode ser visto no Facebook pela página “Coletivo Sistema Negro”. Confira:




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