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López Obrador vence com ampla margem as eleições no México

domingo 1º de julho| Edição do dia

(Notícia em desenvolvimento)

Última atualização às 23h30

O candidato Andrés Manuel López Obrador venceu as eleições no México, segundo pesquisa de boca de urna. Obrador obteve de 43% a 49% dos votos, de acordo com pesquisa do Instituto Mitofsky, divulgada neste domingo, 1º. Ricardo Anaya, do Partido da Ação Nacional (PAN), e o José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), disputam o segundo lugar, mas bem atrás. Anaya teria de 23% a 27%, enquanto Meade obteria de 22% a 26%.

Esta foi a terceira vez que Obrador disputou a presidência. Em 2006, ele perdeu para Felipe Calderón, do PAN, que declarou guerra às drogas e até hoje é responsabilizado pela disparada da violência no país. Em 2012, ele foi derrotado pelo atual presidente, Enrique Peña Nieto, do PRI, envolvido em escândalos de corrupção.

Trata-se de um repúdio massivo aos principais partidos da burguesia mexicana: o PRI (Partido Revolucionario Institucional), o PAN (Partido Acción Nacional) e o PRD (Partido de la Revolución Democrática), que representam os negócios da burguesia dependente dos EUA. Curiosamente, vários políticos destes três partidos da ordem fugiram para a sigla de Lopez Obrador, o Morena (Movimiento Regeneración Nacional), um acolhimento que revela as boas relações do novo presidente mexicano com os capitalistas nacionais e estrangeiros.

O discurso "honestista" com que Lopez Obrador foi eleito se centrava na questão "anti-corrupção" com a promessa de fornecer bolsas-estudo para universitários e aumento das aposentadorias, sem dizer exatamente de onde viriam essas verbas. Sua promessa de revogar a reforma educativa de Peña Nieto atraiu os votos dos professores, um setor importante dos trabalhadores mexicanos.

Mantendo conversas com as federações patronais durante toda a campanha, acabou sendo visto com mais calma pelos mercados em função da enorme moderação do discurso, que contemplava a manutenção da entrada de capitais estadunidenses no norte do país, sem se enfrentar sequer com a racista política anti-imigrantes dos EUA (ou aquela política anti-imigrante do próprio estado mexicano, contra os centro-americanos).

É inegável que o ascenso de Obrador se deve em grande media à fúria da população trabalhadora e pobre contra as políticas neoliberais do PRI, PAN e PRD, e a perseguição e violência estatal (como nas mobilizações pelo aparecimento dos 43 assassinados em Ayotzinapa). Ao mesmo tempo, Obrador indica que atuará com fator de contenção dessa raiva popular dentro dos marcos do capitalismo, mostrando que não representa o "esquerdismo" que a imprensa golpista brasileira já usa para qualificá-lo.




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