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López Obrador: "Buscarei estreitar laços para cooperação com Trump"

Em entrevista com o programa “Despierta com Carlos Loret” de Televisa, o vencedor das eleições presidenciais mexicanas, Andrés Manuel López Obrador, colocou ênfase em algumas chaves de seu programa político. Uma delas é “buscar cooperar com Trump”.

terça-feira 3 de julho| Edição do dia

Em entrevista com o programa “Despierta com Carlos Loret” de Televisa, o vencedor das eleições presidenciais mexicanas, Andrés Manuel López Obrador, colocou ênfase em algumas chaves de seu programa político. Uma delas é “buscar cooperar com Trump”.

Ratificou que cancelará a reforma educativa e prometeu “estar à altura do que quer o povo do México”. López Obrador admitiu que “são graves os problemas do país”, mas que tem “convicções e vontade para enfrentar os desafios”.

Durante a entrevista deu a conhecer que o presidente que sai, Peña Nieto, o “felicitou respeitosamente, e manifestou seu apoio para o período de transição para que se possa elaborar o programa, para que de nenhuma maneira existam enfrentamentos, mas confiança e se possa iniciar a nova administração com estabilidade econômica e financeira”.

Com respeito aos ex candidatos presidenciais Ricardo Anaya Cortés, da coalizão Por México al Frente (PAN, PRD, e Movimiento Ciudadano) e José Antonio Meade Kuribreña, da aliança Todos por México (PRI, PVEM e Panal), deu a conhecer que falou com ambos, que o felicitaram e “os buscará para logo intercambiar opiniões”.
Andrés Manuel López Obrador sustentou que o México necessita de crescimento econômico, acabar com a corrupção e impunidade. Reafirmou que “Este é meu compromisso”.

Pediu confiança àqueles que expressam incerteza e medo ante seu triunfo nas eleições. Esclareceu que é um democrata, que respeitará as liberdades de crítica e de religião, e que aposta pela diversidade e a pluralidade. Segundo afirmou, não levará nenhuma ação contrária ao “interesse geral”.

Entrevista com López Obrador

Trata-se de um novo piscar de olhos aos setores empresariais e de classe média que são a base social do PAN. Isto que propõe está em sintonia com sua intenção de “governar para ricos e pobres”, garantindo o status quo favorável aos setores empresariais – seu bem-estar, seus privilégios, seu acesso ao luxo e à ostentação – o que implica não resolver a pobreza em que vivem amplos setores, uma pobreza devida aos baixos salários que se pagam no México e à precarização do trabalho imposta ao longo das décadas pelo PRI e pelo PAN.

Da corrupção e outros demônios

Explicou que será muito respeitoso com os poderes Legislativo e Judiciário, com a soberania dos estados e municípios, em alusão a que estará disposto a fazer acordos com outras forças políticas que estejam em governos estaduais ou locais.

Sustenta que o problema foram os políticos ambiciosos, reduzindo a questão da corrupção a um problema moral, quando a realidade é que está intrinsecamente vinculada ao modo de produção capitalista e sua política.

Por sua vez, López Obrador assegurou que deseja que o México se converta em uma potência mundial, e mencionou que entre os elementos que tem para consegui-lo se contam os recursos naturais nacionais. Este ponto põe de relevo a reforma energética, a entrega de recursos naturais às transnacionais, a devastação ambiental e o saque das comunidades indígenas que traz aparelhadas. O próprio López Obrador convocou há alguns meses as mineradoras canadenses a investir no México.

Sobre sua próxima gestão, o líder do Morena assinalou que haverá disciplina financeira e não se gastará mais do que ingresse na economia, e que não haverá déficit. Reiterou que haverá um plano de austeridade no qual será o governo que apertará os cintos. A dúvida é se isto será suficiente – sem aumentar impostos e sem aumento do preço da gasolina – para garantir a implementação do aumento das ajudas aos idosos e o sistema de bolsas aos jovens. Sobretudo tendo em conta que López Obrador não defende impostos às grandes fortunas de empresários como Carlos Slim, e mantém o pagamento do saque da dívida externa, que representa uma sangria sem fim para as arcas nacionais.

À sombra dos Estados Unidos

Sem dúvida um dos pontos mais controversos é a relação com o presidente estadunidense, Donald Trump, que avançou medidas tarifárias que são contrárias aos interesses das transnacionais que operam no México – e cuja implementação pode trazer como consequência um incremento dos preços que afete a classe trabalhadora e os setores populares – e implementou verdadeiros campos de concentração para imigrantes (tanto centroamericanos como mexicanos), através do destacamento de um discurso xenófobo desde sua campanha eleitoral.

Ainda assim, López Obrador afirmou que procurará estreitar os laços de amizade e cooperação para o desenvolvimento com Trump, com quem buscará acordos.

O Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN) é outro ponto áspero. Obrador explicou que as negociações da modernização do acordo se complementem com profissionais de sua equipe de trabalho, com o objetivo de que se somem aos atuais. Mas o problema é que ainda as condições atuais do acordo são leoninas quanto ao saque de recursos do país, e a “vantagem comparativa” do México com os baixos salários que se impuseram desde o Rio Bravo.

A construção do novo aeroporto esteve também mencionada na entrevista. A respeito, disse Obrador que nomeará uma comissão de cinco especialistas para que “se decida o mais conveniente e se possa abrir licitação aos empresários, com o objetivo de não utilizar recursos públicos”.

Queremos a reconciliação e meu governo vai representar todos os mexicanos

O fato inegável é que a ascensão de López Obrador se deve em grande parte à fadiga das maiorias dos tradicionais partidos patronais que dominaram o cenário político mexicano durante décadas. E, ao mesmo tempo, o candidato favorito atua como uma contenção desse cansaço dentro dos limites do atual status quo, e desviou a tendência para que o descontentamento se expresse nas ruas.




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