Mundo Operário

LUTA DAS MULHERES

Lições da luta da PepsiCo: no Brasil também não queremos nenhuma mulher no desemprego

Nas últimas semanas diversos lugares do mundo pararam para ver e se solidarizar com um dos grande exemplo de luta de classes do último período: a luta das trabalhadoras e trabalhadores da PepsiCo de Buenos Aires. Assim como na maioria dos processos de luta na história, as mulheres estão na linha de frente. Aprendamos com o processo de luta na PepsiCo: aqui no Brasil também não aceitaremos nenhuma mulher no desemprego.

Iaci Maria

Belo Horizonte

sábado 22 de julho| Edição do dia

A fábrica da PepsiCo em Buenos Aires, na Argentina, fechou suas portas no mês passado e esta tentando colocar 600 trabalhadores nas ruas. São 600 famílias que perdem seu sustento, seu meio de subsistência. Desses 600, 200 são mulheres, com filhos, sendo que muitas são a única fonte de renda da casa.

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Mas essas mulheres não abaixaram a cabeça, não se lamentaram. Elas estão resistindo até o fim, querem seus empregos, querem garantir o futuro de seus filhos. Querem tudo que lhes é direito, e por isso ocuparam a fábrica, resisitiram à repressão, tomaram as ruas. E ficaram assim conhecidas como “As Leoas da PepsiCo”.

São as mulheres que no início de junho saíram às ruas para gritar por “Ni Una Menos”, e que no 8 de março não apenas se somaram à paralisação internacional de mulheres, como se organizaram, fizeram assembleias junto à Comissão interna e convenceram seus companheiros de trabalho homens da necessidade deles paralisarem a produção naquele dia também e lutarem ombro a ombro com as mulheres contra a violência de gênero.

Essas mulheres, as Leoas da PepsiCo, não começaram a lutar agora e nem no 8 de março. Ela possuem uma longa trajetória, e foi com sua luta, ganhando cada companheiro homem para lutar ao seu lado, que ali na PepsiCo elas conquistaram salário igual para trabalho igual, sem diferença de gênero, e direitos básicos como creche para os filhos das trabalhadoras e trabalhadores. Lutaram contra a terceirização e cada demissão, por não aceitarem mais desemprego e trabalho precário para as mulheres.

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No Brasil da reforma trabalhista de Temer, também não aceitaremos nenhuma mulher no desemprego

Segundo o IBGE, no final do 2016 o desemprego no Brasil batia os 12%. Mas se olhar esses dados um pouco mais de perto e fizermos uma divisão de gênero, o que entramos é uma taxa de desemprego masculino em 10,7%, sendo que para as mulheres o número é de 13,8%.Ainda segundo dados do IBGE, a renda nacional do brasileiro é de R$ 2.043, sendo que os homens ganham, em média, R$ 2.251, enquanto para as mulheres a regra é receber R$ 1.762.

Agora foi aprovada a reforma trabalhista de Temer, que rasga a CLT e destroi direitos trabalhistas. Para as mulheres, essa reforma absurda chega a ser cruel, pois permite que mulheres grávidas trabalhem em condições insalubres, levando vários riscos à mulher e ao seu filho ainda no ventre.

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É preciso barrar essa reforma, que tanto ataca às mulheres, e lutar não apenas pela sua anulação como por muito mais. Para acabar com a desigualdade salarial e arrancar direitos como as creches nos locais de trabalho. E isso nossas vizinhas e companheiras argentinas mostraram ser possível!

A luta contra as demissões na PepsiCo mostrou que, mais uma vez, as mulheres estão no front da batalha. Mostrou que é possível fazer o governo retroceder, como Macri retrocedeu em sua tentativa de avançar em uma reforma trabalhista argentina “a lá brasileira”. É preciso aprender com o exemplo das trabalhadoras e trabalhadores da PepsiCo, que calam cada um que ousou dizer que a organização e luta das trabalhadoras e trabalhadores não leva a nada. Sim, leva. Leva o governo a retroceder, leva a que nossos direitos sejam conquistados.

No Brasil, façamos como na Argentina. Trabalhadoras e trabalhadores precisam se organizar em cada local de trabalho, construir comitês nas fábricas, organizar assembleias e tomar em suas mãos os rumos da luta contra as reformas trabalhista e da previdência, essa última ainda não aprovada. Para derrotar definitivamente Temer e o congresso.

Mas mais que isso, as Leoas da PepsiCo também nos mostram que com luta e organização é possível conquistar os direitos das mulheres. E isso só é possível quando elas conseguem ganhar os companheiros homens para lutar ao seu lado, ombro a ombro, exigindo condições dignas de trabalho para as mulheres, paralisando junto a elas contra a violência de gênero.

Essa forma de tomar as demandas da mulheres, buscando conquistar os homens para a luta, mas também fazendo-a sob uma perspectiva de enfrentamento com os lucros dos capitalistas e contra os governo, vendo que se é verdade que a opressão atinge a todas, também é verdade que algumas mulheres mantém essa opressão, como governantas como Ângela Merkel, Hillary Clinton e outras empresárias e capitalistas. Assim o combate é também de classes.

O combate das trabalhadores é para conquistar seus direitos, mas não sob a lógica de incluir as mulheres nesse sistema que justamente se apóia na opressão, mas sim para que cada conquista seja uma alavanca a mais para derrotar definitivamente o capitalismo e todas as opressões que ele impõe.

Não é só geograficamente que estamos próximos da Argentina. É no governo reacionário que quer atacar os direitos das trabalhadoras e trabalhadores, nas estatísticas do desemprego e do feminicídio, mas é também na força e disposição de luta que em tantos momentos demos exemplo que nos colocam lado a lado das argentinas. A solidariedade de classe, expressa desde o Brasil com a luta da PepsiCo, mostra que não existem fronteiras para a classe trabalhadora, somos uma só classe, travando uma só luta.




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