Política

LULA DEPÕE SOBRE SÍTIO EM ATIBAIA

Liberdade imediata a Lula: é preciso enfrentar o autoritarismo judiciário

Hoje o ex-presidente Lula deixa a prisão em Curitiba pela primeira vez. Ele irá depor sobre o caso do sítio de Atibaia à juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sérgio Moro na Operação Lava Jato após sua saída para assumir o superministério oferecido por Bolsonaro como recompensa pelos seus serviços.

quarta-feira 14 de novembro| Edição do dia

Lula já está cumprindo uma pena de doze anos, após ser condenado em primeira instância por Sérgio Moro, e em segunda pelo TRF-4 no caso do tripléx do Guarujá. Apesar da condenação, e do posterior impedimento de sua candidatura mesmo sem os recursos sobre o caso terem se esgotado, nenhuma prova minimamente substancial foi apresentada contra o petista. Como sintetizou bem o procurador Dallagnol em determinado momento, o judiciário não tinha provas, mas tinha muita convicção para prender Lula.

Hoje, Lula depõe novamente, dessa vez à juíza federal Gabriela Hardt, que substitui o papel de Sérgio Moro como juiz em primeira instância da Lava Jato de Curitiba, após a saída desse para ocupar o superministério criado por Bolsonaro para presentear aquele que cumpriu um papel tão destacado para garantir uma eleição manipulada e que tirasse do páreo o seu principal adversário, que muito provavelmente teria vencido ainda em primeiro turno a corrida presidencial.

Nessa quarta-feira, 14, Lula irá depôr sobre outra acusação que pesa sobre ele: a de que teria recebido favorecimentos ilegais com propinas da Petrobrás para a reforma de um sítio em Atibaia. Além disso, a Lava Jato o acusa de ser proprietário do sítio, que está no nome de seu amigo, o pecuarista José Carlos Bumlai, que também será ouvido em depoimento hoje. Mais uma vez, sobre essas acusações pesam muitas convicções dos juízes e procuradores, e nenhuma prova concreta.

Como desenvolvemos em inúmeras ocasiões no Esquerda Diário, os motivos que impulsionam essas “investigações” e a suposta “caça à corrupção” da Lava Jato são os interesses de grandes capitalistas, do imperialismo estadounidense (que inclusive treinou Sério Moro para sua missão. A máscara de “combate à corrupção” de Moro cai totalmente por terra quando esse assume um cargo no governo de Bolsonaro, eleito graças à atuação parcial e arbitrária do judiciário. Moro, que havia dito que o Caixa 2 era pior do que a corrupção, parece ter desistido dessas “convicções” para se integrar a um ministério composto por Onyx Lorenzoni, que já assumiu ter recebido mais de R$ 100 mil reais não declarados da JBS, e está sendo acusado por outros recebimentos, sem falar no próprio Bolsonaro, que recebeu R$ 200 mil da JBS quando era candidato a deputado pelo PP.

Há 222 dias na prisão em Curitiba, Lula vem sofrendo arbítrios autoritários completamente ilegais por parte do judiciário, como a proibição até mesmo de dar entrevistas - direito que foi concedido até mesmo a grandes chefes do narcotráfico, como o Nem da Rocinha. Mas, para garantir mesmo aquela “mãozinha” contra o PT, Moro ainda vazou ilegalmente a delação de Antonio Palloci às vésperas da votação do primeiro turno, para que viesse à luz a acusação de envolvimento direto do ex-presidente petista (mais uma vez sem provas, claro) com esquemas de corrupção.

O depoimento de hoje é a continuidade de uma farsa judicial cujo propósito está muito longe de ser o combate à corrupção, que nunca chegou a tocar figuras notórias envolvidas nos mais podres esquemas, como Temer ou Alckmin (o candidato preferido de Moro e do judiciário, que, no entanto, afundou).

O governo de Bolsonaro agora traz para dentro de si o “herói” da Lava Jato, procurando selar o pacto de sangue com o judiciário, e de mãos dadas para aprovar a reforma da previdência.

Por tudo isso, defendemos a liberdade imediata de Lula, sem, no entato, prestar nenhum tipo de apoio político ao PT.

Em seus treze anos de governo, esse partido não fez mais do que dar as mãos para essa direita golpista, fortalecer esse judiciário e todos os principais agentes do golpe, levando adiante o pacto pela “governabilidade” que enchia os bolsos de banqueiros, ruralistas e empresários. Assimilou os métodos corruptos dos capitalistas e preparou o terreno para o dificílimo cenário que vivemos hoje. Ainda por cima, segue legitimando essas eleições fraudulentas e o próprio judiciário, alentando a confiança nesse podre pilar do golpe. Por outro lado, no controle da maior central sindical do país, a CUT, faz de tudo para manter os trabalhadores na passividade e não colocar de pé nenhuma luta contra a reforma da previdência e os ataques de Bolsonaro, inclusive com Lula e Haddad dizendo que é hora de deixar “baixar a poeira” ao invés de construir um imenso combate contra Bolsonaro.

Defendemos sair às ruas, organizar comitês de base, construir assembleias para poder lutar seriamente contra o judiciário e suas arbitrariedades, e contra os ataques de Bolsonaro. Exigimos que as centrais sindicais, em particular CUT e CTB, deixem de passividade e trégua e mobilizem os sindicatos que dirigem.




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