Sociedade

MARIELLE, PRESENTE!

Lado a lado com Marielle

Myriam Bregman é advogada e deputada de Buenos Aires pelo PTS/FIT.

Myriam Bregman

Buenos Aires | @myriambregman

sábado 17 de março| Edição do dia

Foto: Mídia Ninja

Brutal. Chocante. Desde a noite de quarta, em que nos chegou a notícia, nos moveu profundamente. Eles a fuzilaram. Voltava de uma atividade militante e fuzilaram. Era ativista contra a intervenção federal do governo golpista de Temer no Rio de Janeiro, e a fuzilaram. Era mulher e a fuzilaram. Era negra e a fuzilaram. Nasceu em uma favela e a fuzilaram. Chegou a ser socióloga e a fuzilaram. Era vereadora pelo PSOL e a fuzilaram. Fuzilaram ela e o companheiro Anderson Pedro Gomes, que dirigia o caro. Desde que soubemos nosso sangue ferve, como dos milhares e milhares que se manifestaram no Rio e em todo Brasil. Eles mataram uma irmã.

Foi uma execução, um crime político, na cidade que deixou de ser maravilhosa há muito tempo. Na cidade do desemprego e da decomposição social que se agrava há décadas, apesar das promessas dos governos anteriores. Na cidade que agora o governo golpista, deslegitimado e fraco, escolheu para tentar se fortalecer com a bandeira da “segurança”. Como dizem meus companheiros e companheiras do Brasil, esse regime impõe menos direitos, menos emprego, atraso dos salários, menos serviços públicos, mais violência contra a população, com um discurso de uma suposta segurança pública, quando na realidade mancham as ruas com o sangue de nosso povo. Sinto como minhas a indignação e a raiva de dezenas e dezenas de milhares que se manifestaram no Brasil frente a execução de Marielle Franco.

Algumas palavras para a política. Sendo deputada no Congresso Nacional, denunciamos o golpe institucional de Temer desde o primeiro momento. Agora, na legislatura de Buenos Aires, conseguimos fazer com que se condene esse assassinato infame sob a militarização do Rio de Janeiro por parte desses mesmos golpistas. Não acreditamos nas declarações de compromisso. Acreditamos que a luta de Marielle não foi em vão e que é a bandeira daqueles que ocupam as ruas contra este brutal assassinato de uma filha do povo, nascida na favela da Maré, que tomou em suas mãos a causa dos explorados e exploradas.

O povo brasileiro expressou massivamente nas ruas sua tristeza, mas também sua raiva contra a polícia, contra a intervenção federal do Exército e contra como são tratados os trabalhadores, os jovens, os negros, as mulheres e a os LGBT. As universidades pararam as aulas no Rio de Janeiro e em vários estados. Nos locais de trabalho se expressou uma enorme indignação, nas greves de professores e servidores municipais de São Paulo e de Minas Gerais se repudiou esse brutal assassinato.

Os trabalhadores, as mulheres e a juventude sabem que se trata de um assassinato em quem os responsáveis são o Estado e todos aqueles que promoveram o golpe reacionário de Temer. Com esse espírito de luta também exigiremos desde a Argentina uma investigação independente para que esse crime não fique impune.

Originalmente publicado aqui: Hermanadas con Marielle




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