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Kia e Temer querem mais otimismo dos trabalhadores

Após a divulgação do anúncio que faz alusão ao discurso de Temer, o representante da Kia no Brasil, José Luiz Gandini, declarou que “é preciso acabar com o pessimismo do consumidor brasileiro que, com a instabilidade político-econômica recente, tinha receio de investir”

quinta-feira 19 de maio de 2016| Edição do dia

Os milhões de trabalhadores que passam a maior parte das suas vidas no local de trabalho, sob chuva, sol, doentes, ganhando pouco, ameaçados pelas demissões e tudo mais que só quem vive sabe, esses milhões, que tem sofrido graves consequências em suas vidas e na de suas famílias, fruto da crise econômica que assola o mundo e, no momento, mais gravemente o Brasil, esses milhões de trabalhadores precisam de uma injeção de ânimo e otimismo, precisam de 20 milhões de outdoors espalhados pelo país com a frase “pare de falar em crise, trabalhe”. Isso é o que pensa o presidente interino Michel Temer, assim como a gigante sul-coreana Kia Motors.

Após a divulgação do anúncio que faz alusão ao discurso de Temer, o representante da Kia no Brasil, José Luiz Gandini, declarou que “é preciso acabar com o pessimismo do consumidor brasileiro que, com a instabilidade político-econômica recente, tinha receio de investir”. Em seu primeiro discurso após o afastamento de Dilma, Temer disse que “há pouco tempo, eu passava por um posto de gasolina, na Castelo Branco, e o sujeito botou uma placa lá: “Não fale em crise, trabalhe”. Eu quero ver até se consigo espalhar essa frase em 10, 20 milhões de outdoors por todo o Brasil, por que isso cria também um clima de harmonia, de interesse, de otimismo, não é verdade? Então, não vamos falar em crise, vamos trabalhar”.

Otimismo pra quem?

O mesmo Gandini já havia declarado seu apoio a Temer, em 2015 disse, “sou fã do Temer e boto fé nele”, quando também analisou que “qualquer mudança drástica no Brasil vai melhorar o cenário”, pois assim os empresários iram “acreditar que as coisas vão melhorar”. A atitude de otimismo exacerbado foi um dos elementos de questionamento ao ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que insistia em dizer que o país se recuperaria rapidamente da crise. O otimismo do representante da Kia pode não ter bases muito sólidas também, afinal até a polêmica CPMF, que inclusive esteve no centro de outro “lema de golpista”, com a história de “não vou pagar o pato”, pode ser que volte. Talvez não seja uma mudança drástica assim.

Enquanto a indústria está no centro das demissões em massa no país, principalmente o setor automobilístico, a Kia Motors prevê para 2016 alta de 30% em relação ao ano passado, sendo que até 2020 planeja lançar 37 novos modelos de automóveis. Em São José dos Campos a GM, que no início do ano demitiu 517 trabalhadores, agora abre contratações para outros 200, que certamente entrarão ganhando bem menos do que os que saíram. Os trabalhadores não precisam de mensagens de otimismo vindas de um governo golpista e aliado dos grandes empresários, precisam sim encontrar as formas de não serem meros joguetes dos patrões, que buscam sempre e acima de tudo, como ampliar seus lucros.




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