Juventude

CONUNE 2019

Juventude Faísca leva debate sobre auto-organização dos estudantes no 57º CONUNE

Nós da Faísca, enquanto uma juventude anticapitalista e revolucionária, temos o objetivo de levar até as últimas consequências o potencial revolucionário da aliança entre estudantes e trabalhadores. Por isso, batalhamos pela construção de organismos de auto-organização dos estudantes: a luta precisa estar nas nossas mãos.

sábado 13 de julho| Edição do dia

Nos primeiros meses do governo Bolsonaro, a juventude e os estudantes saíram às ruas em peso nos dias 15 e 30 de Maio, e 14 de Junho, e apontaram o caminho para impedir o projeto escravista do golpismo e de Bolsonaro. Porém, com a aprovação da Reforma da Previdência no primeiro turno da Câmara dos Deputados, que acaba com o futuro da juventude e dos trabalhadores condenados à trabalharem até morrer, é muito urgente que essa juventude que se ergueu nos dias 15 e 30 de maio possam ter uma reflexão profunda e científica do que permitiu que perdêssemos essa batalha decisiva.

Nós da Faísca, enquanto uma juventude anticapitalista e revolucionária, temos o objetivo de levar até as últimas consequências o potencial revolucionário da aliança entre estudantes e trabalhadores, não nos contentamos com “explicações” que se limitam a culpar os próprios trabalhadores e da juventude “que não quiseram lutar”. Na verdade esse é um discurso de quem não quis organizar nossa luta, para que nosso futuro fosse negociado.

A disposição que expressou nas ruas não permite essa explicação. Para nós, é um erro muito grande fazer um balanço que não discute qual papel cumprido pelas atuais direções do movimento estudantil e operário nesse processo. O refluxo do levante da juventude que foi se mostrando desde dia 15 de maio, onde centenas de milhares invadiram as ruas, até o dia 14J, o dia de paralisação nacional chamado pelas centrais sindicais, é a manifestação concreta do papel das atuais direções na organização dos estudantes e trabalhadores para darem uma resposta à altura aos ataques impostos pelo governo reacionário de Bolsonaro.

Se olharmos desse ponto de vista para as lutas que ocorreram, fica evidente que as direções não só foram insuficientes, mas cumpriram um papel de freio, de contenção do desenvolvimento das nossas forças colocadas em movimento. Nós da Faísca viemos denunciando o papel que a direção majoritária da UNE, ou seja, a UJS do PCdoB, o Levante e juventudes petistas, assim como a CUT-PT e CTB-PCdoB, cumpriram de separar a luta dos estudantes e trabalhadores, a luta contra os cortes nas universidades da luta contra a reforma da previdência. A política divisionista levada à cabo pelas burocracias sindicais e estudantis dissipa a força imparável de estudantes e trabalhadores unificados, que se mostrou historicamente poderosa como no maio de 68 da França, onde juventude e operários fizeram uma das maiores greves gerais da história. Além disso, a não unificação das pautas expressa uma visão setorializada dos ataques de Bolsonaro, que na realidade fazem parte de um conjunto de medidas neoliberais com o único objetivo: fazer com que sejamos nós quem paguemos pela crise capitalista.

Ao mesmo tempo, reiteramos que, para superar essas direções burocráticas, seria necessário criar mecanismos que canalizassem a força da base de estudantes que se expressou espontaneamente nas ruas e assembleias. Por isso, batalhamos muito para que no calor dos dias 15 e 30 de Maio, UNE convocasse urgentemente um comando nacional de delegados eleitos e revogáveis em cada assembleia, que representassem as discussões e propostas definidas nas assembleias com todos os estudantes, e assim com a base reunida nesses espaços, colocasse em suas mãos o poder de decisão dos rumos da nossa mobilização.

Por sua vez, a Oposição de Esquerda se negou naquele momento de fazer essa denúncia à direção da UNE e batalhar conosco pelo desenvolvimento da auto-organização da base estudantil, deixando de cobrar a responsabilidade da majoritária: única via de tirar o controle da nossa luta das suas mãos. Ficou provado, com as negociações dos governadores do Nordeste do PT e PCdoB em torno da reforma da previdência em troca de migalhas da privatização do pré-sal para fazer demagogia eleitoreira, que a UNE, a CUT e a CTB não tinham interesse que nossa luta triunfasse. Ao contrário, como vimos na aprovação da reforma da previdência na Câmara, no dia da sua aprovação, nem sequer um ato organizaram.

"Menos de 24 horas depois da aprovação da reforma da previdência no Congresso, Bolsonaro, junto à Paulo Guedes e Abraham Weintraub anunciaram um projeto de avanço da privatização das universidades. Isso denuncia que o projeto de governo de Bolsonaro não é de atacar por um lado a juventude, e por outros os trabalhadores, e sim, fazer ataques de conjunto que precarizem a vida de todos. Sem educação pública, com trabalhos de regimes precários e trabalhando até morrer, a auto-organização é a ferramenta necessária para superarmos a burocracia estudantil e se organizar por um programa que de fato possa responder tudo que nos está imposto", declarou Fabrício, delegado da juventude Faísca pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Maria Eliza, delegada da Faísca pela Universidade Federal de Minas Gerais, completou "E é justamente por isso, que neste sentido nós da juventude Faísca fizemos um amplo chamado as correntes que compõe a Oposição de Esquerda à realizar conosco uma grande plenária, para discutir como construir a auto-organização dos estudantes desde a base, para que todos possam ter voz e tomar para si os rumos da luta, retirando das mãos dessas direções burocráticas que negociam nossos direitos debaixo de nossos narizes".




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