RACISMO

Justiça obriga trabalhadora negra que denunciou racismo a pagar indenização para acusados

quarta-feira 13 de janeiro| Edição do dia

Em mais um caso absurdo, a Justiça autoritária puniu uma trabalhadora negra que sofreu racismo e terá que pagar indenização de R$8 mil a um dos acusados por danos morais, algo extremamente revoltante decidida por essa deplorável Justiça racista.

Em 2016, Ana Theresa da Silva fez um boletim de ocorrência acusando dois colegas de trabalho de injúria. O inquérito havia sido arquivado. Em 2020, um dos homens citados ingressou com ação indenizatória, que foi acatada e fixada primeiro em R$20 mil e depois reduzida para R$8 mil.

O Judiciário, o mesmo que arquivou e não investigou uma acusação grave de racismo, acatou a ação e obrigou Ana Theresa a pagar a indenização. Foi alegado que no boletim de ocorrência Ana não teria citado injúria racial. O juiz Caio Salvador Filardi que julgou a ação afirmou que a acusação teve abalo e repercussão na vida pessoal do acusado, mas não cita nada sobre a trabalhadora negra que sofreu racismo.

O advogado Hédio Silva Jr., que defende Ana, afirma que a citação foi feita. “Trata-se de mais um caso, deplorável, no qual a vítima é punida por não permanecer quietinha”.

“Os magistrados não demonstraram interesse em saber se o arquivamento do inquérito se deu por inexistência de crime ou por insuficiência de provas, concluindo, decerto por excelente adivinhação, que a razão teria sido falta de provas”, afirma o advogado.

Esse episódio mostra mais uma vez a verdadeira cara da Justiça burguesa como mais uma instituição do Estado que exerce o racismo e a opressão onde uma mulher trabalhadora e negra foi punida por ter levado a frente uma denúncia de racismo que ela mesma sofreu. Em uma tentativa clara de amedrontar as negras e os negros que se manifestam contra o racismo que sofrem todos os dias na pele.




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