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LIBERDADE IMEDIATA

Justiça britânica nega o pedido de extradição de Julian Assange para os Estados Unidos

terça-feira 5 de janeiro| Edição do dia

Ao emitir sua decisão no tribunal criminal de Old Bailey, em Londres, a juíza Vanessa Baraitser considerou "provado" que o australiano Julian Assange, de 49 anos, apresenta risco de suicídio e pode tirar sua vida se for processado nos Estados Unidos, onde provavelmente seria mantido em condições de confinamento.

Os Estados Unidos exigem a extradição do fundador do Wikileaks para julgá-lo por ter publicado documentos militares e diplomáticos estadunidenses secretos e o acusa de espionagem. Se condenado, Assange pode receber pena de até 175 anos de prisão.

O ativista australiano e seus advogados rejeitaram as acusações, alegando que o caso tem motivação política e que uma extradição e julgamento contra Assange nos Estados Unidos seria um importante revés para a liberdade de expressão e o direito à informação. No entanto, a juíza britânica rejeitou os argumentos da defesa relativos à perseguição política e decidiu negar sua extradição apenas por motivos de saúde.

Ambas as partes podem recorrer da decisão, o que pode prolongar a longa saga judicial em torno do jornalista e ativista australiano. O Ministério Público Britânico, em nome da Justiça dos EUA, já indicou que apelará da decisão, portanto o juiz de primeira instância deve decidir em breve se deixará Assange em prisão preventiva enquanto durar o novo processo legal ou o deixará em liberdade.

Os problemas legais de Assange começaram em 2010, logo depois que seu site WikiLeaks publicou centenas de documentos militares e diplomáticos confidenciais que colocaram os Estados Unidos em mais do que um aperto. Entre eles, estava um vídeo que mostrava helicópteros americanos atirando contra civis no Iraque em 2007, matando uma dúzia de pessoas em Bagdá, incluindo dois jornalistas da agência de notícias Reuters.

Assange está detido em uma prisão de alta segurança em Londres desde sua prisão em abril de 2019 na embaixada do Equador, onde viveu como refugiado por sete anos. A defesa do australiano, coordenada em nível internacional pelo ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, denunciou no passado que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump queria aplicar contra ele uma punição "exemplar" em sua "guerra contra jornalistas investigativos" e que Assange não teria um julgamento justo na América.

As revelações no portal digital WikiLeaks expuseram crimes de guerra dos EUA no Iraque e Afeganistão, arquivos sobre detenções extrajudiciais na prisão de Guantánamo (na ilha de Cuba) e telegramas diplomáticos que revelaram abusos de direitos humanos em todo o mundo. Sua divulgação mostrou apenas uma parte dos crimes de guerra que não só os Estados Unidos, mas também outras grandes potências, fazem uso no dia a dia nas guerras que lutam ou apoiam em todo o mundo.

Assim como os Estados Unidos querem usar Assange como caso exemplar para intimidar aqueles que se atrevem a tornar públicas suas aberrações, a exigência de sua liberdade imediata e sem acusações é de primeira ordem, não apenas para preservar a liberdade de expressão e o direito à informação, mas pela defesa de todos aqueles que enfrentam e denunciam as brutalidades imperialistas em todo o mundo.




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