Gênero e sexualidade

FEMINICÍDIO NO RIO

Justiça acata denúncia contra dentista que matou e queimou o corpo de ex-namorada grávida

A 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro acatou denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) contra o dentista Thiago Medeiros, de 33 anos. Ele se tornou réu pelos crimes de feminicídio, homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e aborto sem consentimento da gestante. Medeiros está preso desde 26 de junho, acusado pelo assassinato da ex-namorada, a empresária Nathalie Rios Motta Salles, de 37 anos.

quinta-feira 24 de agosto| Edição do dia

A empresária, que estava grávida de três meses, desapareceu em 22 de junho. O dentista teve prisão provisória decretada após a polícia encontrar um corpo carbonizado dentro de uma pilha de pneus, em Vassouras, no sul fluminense, cidade onde a família de Medeiros mora. O cadáver estava irreconhecível e os dentes haviam sido arrancados. Familiares de Nathalie, porém, reconheceram os brincos e partes da roupa como sendo dela. Em depoimento, Medeiros negou a autoria do crime.

Segundo a denúncia do MPRJ, Nathalie estava grávida de treze semanas de Thiago Medeiros, "que não desejava ser pai, pois estava noivo de outra mulher". O documento narra que no dia do crime, Medeiros telefonou para Nathalie marcando um encontro e a levou para local desconhecido. Ela teria sido morta no interior de seu carro. A denúncia informa que há indícios de que o acusado dopou a vítima com sedativos.

Ao acatar a denúncia, a juíza Raphaela de Almeida Silva decretou também que Medeiros permaneça preso até o julgamento. No despacho, a juíza assinalou que "considerando-se que delitos desta espécie em muito aterrorizam a sociedade, que anseia por uma pronta intervenção do Poder Judiciário, mesmo que de natureza ainda provisória, deve ser decretada a prisão do denunciado, a fim de se alcançar a elucidação dos fatos em busca da verdade real".

Enquanto o Brasil segue um país campeão em violência contra a mulher e prisões isoladas são utilizadas "exemplarmente" para reforçar a lógica de punitivismo individual contra os agressores, o mesmo Estado que pune impede medidas elementares como a educação de gênero nas escolas ou casas de abrigo transitórias para mulheres vítimas de agressão.




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