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RACISMO EUA

Jovem negra contra tropa de elite da polícia dos EUA vira símbolo contra o racismo

Imagem de jovem negra barrando a passagem da polícia racista nos Estados Unidos viraliza nas redes.

segunda-feira 11 de julho de 2016| Edição do dia

Durante o fim de semana, os Estados Unidos voltaram a ser palco de protestos da comunidade negra contra a polícia racista. No domingo, dezenas de manifestantes foram presos em Baton Rouge, capital do Estado da Louisiana, onde na terça-feira um homem negro fora a morto a tiros por policiais.

Mas nessa atmosfera de tensão, marcada também por um intenso debate sobre a militarização das forças policiais do país, uma foto se tornou um símbolo da situação: de autoria de Jonathan Bachman, um fotógrafo de Nova Orleans a serviço da agência de notícias Reuters, a imagem mostra uma jovem negra de vestido, de pé e aparentando calma diante do que parece ser a chegada esbaforida de dois policiais armados e trajando equipamento completo de choque.

A foto viralizou nas redes sociais e entre as pessoas proeminentes que a compartilharam está Shaun King, conhecido jornalista da área de justiça que trabalha para o jornal New York Daily News e tem mais de 560 mil seguidores no Facebook.

Um dos seguidores classificou a imagem como "lendária" e disse que ela "ficará em livros de história e arte".

A foto foi tirada nas proximidades da sede da polícia de Baton Rouge, onde manifestantes tinham se reunido no sábado, em protesto contra a morte de Alton Sterling. Um vídeo mostrou dois policiais brancos atirando no homem enquanto ele estava imobilizado, inflamando a ira dos movimentos em repúdio à violência racista da polícia, encabeçados pelo Black Lives Matter.

Segundo a Reuters, a mulher da foto foi detida pela polícia, mas a agência não soube identificá-la. De acordo com veículos de mídia nos EUA, trata-se de Ieshia Evans, enfermeira de 35 anos e mãe de um filho. Segundo o New York Daily News, Evans passou a noite de sábado na prisão - segundo as autoridades, mais de 100 pessoas foram presas.

Em sua página no Facebook, Evans agradeceu à preocupação de amigos e do grande público, mas até agora ainda não deu entrevistas.

No entanto, sua atitude já foi comparada à do anônimo chinês que, em 1989, obstruiu o caminho de uma coluna de tanques a caminho da Praça da Paz Celestial, em Pequim, para reprimir protestos pró-democracia.

A mais recente analogia, entretanto, é com a imagem da sueca Tess Asplund, fotografada na frente dos líderes de uma marcha que reunia mais de 300 nazistas, negando-se a deixá-los passar. A ativista é considerada, desde então, uma heroína na Suécia por seu gesto “icônico” de desafio à marcha fascista. A fotografia foi tirada por Borlänge, Dalarna, na Suécia central, onde a organização nazista Nordiska motståndsrörelsen (Movimento de Resistência Nórdica) estava conduzindo uma manifestação no último domingo, 1º de Maio.

Tess Asplund contra os neonazistas da Nordiska motståndsrörelsen

Bachman, em declarações à revista The Atlantic, disse ter a impressão de que Evans quis mostrar não temer a polícia. "Tudo aconteceu muito rápido, mas me pareceu que ela não ia se mover", contou o fotógrafo.

O jornal britânico Daily Mail entrevistou uma amiga de Evans, Natash Haynes, que deu mais detalhes sobre por que ela estava em Baton Rouge. Segundo a amiga, Evans, que mora em Nova York, viajou para a capital do Lousiana depois de ficar impressionada com a morte do homem negro pela polícia na terça-feira, e por "querer um futuro melhor" para o filho de cinco anos.

Em meio à maior crise política nos Estados Unidos desde a década de 30, às portas de uma eleição que se dará à direita entre Hillary Clinton e Donald Trump, os protestos em defesa da vida dos negros e contra a violência racista da polícia reacende um dos movimentos mais progressistas dos últimos anos no coração do imperialismo: "Sem justiça não haverá paz", como diz o lema do Black Lives Matter (A vida dos negros importa)




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