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Jovem morto eletrocutado é primeira vítima da falta de estrutura do carnaval de São Paulo

O estudante Lucas Antônio Lacerda da Silva, de 22 anos, foi a primeira infeliz vítima da falta de estrutura para o carnaval de rua de São Paulo. O jovem foi eletrocutado ao encostar em um poste com duas câmeras recém instaladas para monitorar o carnaval.

segunda-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Gabriel Cabral/Folhapress

Lucas estava no bloco Acadêmicos da Baixa Augusta na região central da capital paulista quando saiu para procurar um banheiro e, nessa busca, apenas encostou em um poste de sinalização de pedestres, na esquina da Rua da Consolação com a Rua Matias Aires. Nesse momento ele sofreu uma descarga elétrica e caiu desmaiado na calçada, onde acabou encostando o pescoço no equipamento e sofreu uma parada cardíaca. Uma médica que estava no bloco tentou reanimá-lo e ele chegou a ser levado para a Santa Casa, mas não resistiu.

No poste onde Lucas foi eletrocutado haviam sido instaladas na última sexta duas câmera de segurança da empresa GWA System, com o objetivo de monitorar os blocos, que foi contratada pela empresa Dream Factory, vencedora do edital da prefeitura para organizar o carnaval de rua, sendo a responsável por gerir o patrocínio de R$20 milhões do carnaval de rua de São Paulo. A empresa alega ter informado a CET dessa instalação, porém a responsável pelo controle de trânsito da cidade diz não ter conhecimento de nenhuma atividade do tipo.

O carnaval ainda nem começou oficialmente e a falta de estrutura adequada já fez sua primeira vítima. A morte de Lucas é consequência das políticas do prefeito João Doria, que privatiza e terceiriza até mesmo a folia de rua. Essa falta de estrutura para o carnaval, fruto da política de sucateamento e privatização de Doria e também Alckmin foi vista também no caos que virou o metrô no último sábado (3), com o fechamento das transferência da Linha Amarela do metrô no último sábado.

Saiba mais: Linha 4, privatizada, fecha transferências e cria caos no Metrô de SP

A empresa Dream Factory, parceira da Ambev e contratada pro Doria para cuidar do carnaval, foi alvo do Ministério Público, que solicitou ao Tribunal de Contas que apurasse o contrato. O promotor Nelson de Andrade questionou que a empresa tenha sido a única a propor o patrocínio e ser a mesma organizadora do carnaval de 2017, quando foi também alvo de investigação devido a suspeita de que a prefeitura tenha ajudado a Ambev a vencer o processo de concorrência. Segundo o promotor "Graves irregularidades foram constatadas no Chamamento Público de 2017 com indícios robustos no direcionamento em favor da empresa Dream Factory".

Em sua defesa, a empresa alega que vencer o edital "reforça toda a competência na entrega do trabalho realizado pela Dream Factory na produção dos carnavais de Rua da cidade desde 2015". A morte do estudante Lucas com certeza mostra que essa competência é bastante questionável, e é prova concreta de como a terceirização até mesmo do carnaval só pode acabar em caos e tragédia.

Nos solidarizamos com a família e amigos de Lucas. As empresas contratadas e a prefeitura de João Doria são responsáveis por essa morte.




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