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Jornada de protestos e greve nacional paralisa Porto Rico

Uma enorme multidão tomou as ruas de San Juan, capital da ilha, exigindo a renúncia do governador Rosselló. Como em ocasiões anteriores, a polícia reprimiu os manifestantes ao cair da noite.

terça-feira 23 de julho| Edição do dia

A crise que assola Porto Rico já tem mais de uma semana, e nesta segunda feira se expressou nas ruas de San Juan, capital, com enorme força. Os manifestantes exigem a renúncia do governador Ricardo Rosselló, após o vazamento de conversas machistas e homofóbicas dele com seu entorno político, nas quais, ainda, insultava-se jornalistas e políticos da oposição e faziam piadas com o sofrimento do povo porto riquenho.

Mas os vazamentos foram apenas a gota d’água. As causas profundas da crise se encontram na situação de pobreza, precarização e miséria em que vive a ilha, agravadas pela corrupção endêmica de políticos e empresários, e produto de sua relação colonial com os Estado Unidos.

Aos efeitos da crise econômica de 2008, se somou à catástrofe produzida pelo furacão María em 2017, para aprofundar as condições de miséria e pobreza nas quais vive a ilha.

Não é de se estranhar que as manifestações dessa segunda feira e da última quarta tenham sido massivas, com estimativas de por volta de 500 mil participantes em uma ilha com uma população de 3,2 milhões de pessoas. A convocatória foi tão ampla, que alcançou muitos porto riquenhos que vivem nos Estados Unidos, e que desde lá expressaram seu rechaço ao atual governador.

Organizações sociais e sindicais convocaram a marcha, que começou com uma concentração em frente ao estádio Hiram Bithorn, às 9h da manhã, e logo se moveu em direção à avenida Jesus Piñeiro, no distrito de Gato Rey, em San Juan. Assim como na semana passada, as principais figuras musicais da nação, como Ricky Martin, Residente (antiga calle 13) e Bad Bunny participaram, mostrando a extensão do rechaço a Rosselló. Esta segunda, a marcha, mais uma vez, chegou à sede do Executivo, e nas últimas horas, de noite, foram registrados enfrentamos com a polícia, que voltou a reprimir manifestantes, como informa o El Nuevo Día.

Entre as demandas mais sentidas, que impulsionam os sindicatos, está o rechaço à lei Promesa, aprovada pela administração Obama, que cria um organismo de controle que elimina todo traço de soberania econômica e política da ilha, deixando a administração sob a supervisão dos Estados Unidos e redobrando os laços coloniais deste com ela. Esta lei incluiu a precarização das relações de trabalho, cortes orçamentários em áreas chave e um cronograma de privatizações, entre outras medidas. Também lutam contra o plano de austeridade imposto pelo atual governo dos Estados Unidos, para garantir o pagamento da ilegal e ilegítima dívida externa.

No domingo passado, Rosselló anunciou que não irá concorrer à reeleição em 2020 e que renunciará à presidência de seu partido, o Partido Nuevo Progressista, mas que continuará no cargo de governador até o fim de seu mandato. A assembleia legislativa iniciou um processo de impeachment, que tem várias etapas. Rosselló declarou que enfrentará o processo "com toda a verdade, força e de maneira responsável", sabendo que seu partido tem os votos necessários para barrar a iniciativa. De qualquer forma, o governador se encontra cada vez mais ilhado politicamente, tendo perdido não somente apoiadores internos, mas também aliados nos Estados Unidos.

No final do ato massivo, a polícia reprimiu os manifestantes, lançando gás lacrimogêneo contra um grupo que protestava em frente a La Fortaleza, a sede do executivo.




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