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Jonas vai a Nova Iorque vender mentiras sobre Campinas à ONU

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), está em Nova Iorque chefiando um grupo de prefeitos brasileiros na sede da Organização das Nações Unidas.

segunda-feira 9 de julho| Edição do dia

Trata-se de uma viagem diplomática, na qual o prefeito campineiro busca reafirmar sua honraria recebida em 2013 de “campeão em resiliência”, assim como a Frente Nacional de prefeitos pretende atrair a integração da ONU no Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável.

Mais do que apresentar um compromisso com a prevenção de desastres ou com a sustentabilidade, a visita de Jonas à ONU tem como objetivo central a propaganda de sua gestão numa das maiores e mais ricas cidades do país. E isso se torna evidente quando se lê o “Plano de Resiliência de Campinas 2017-2020” divulgado pelo portal da prefeitura.

No prefácio do Plano Jonas fala sobre os objetivos de proporcionar à população “condições de vida dignas” e sobre como Campinas é uma cidade com “qualidade de vida elevada”. Interessante que as fotos decorativas buscam enfatizar essa suposta cidade invejável, mostrando a área verde através do Bosque dos Jequitibás, a cultura com o Teatro Castro Mendes, áreas de lazer do Taquaral, casas e prédios bem planejados próximo do bairro central Guanabara, patrimônios preservados como a Torre do Castelo. Não apareceram nas fotos o Hospital Ouro Verde com filas de sete horas, a crescente população em situação de rua que se abriga na Catedral, os ônibus circulares quebrados e lotados de passageiros ou mesmo os morcegos que tomaram conta do Teatro Carlos Gomes. Tampouco as estatísticas mostraram que se depender de Jonas e seus aliados empresários a população campineira nunca terá vida digna.

Para não ir tão longe, basta um rápido olhar nos últimos seis meses da cidade de Campinas para entender a demagogia do prefeito Jonas Donizette. O ano de 2017 começou com um aumento de tarifas contra a população, com aumento do IPTU, conta de água e valor das passagens de ônibus. Trata-se de um ataque direto aos setores trabalhadores e mais pobres da população, que vê seus salários virarem pó com esses ajustes. Esse aumento de tarifas se deu juntamente com o atraso dos salários de servidores públicos por parte da prefeitura. Enquanto isso Jonas faz campanha a respeito do crescimento do PIB e ofertas milionárias de isenção para os empresários se manterem na cidade.

Enquanto Jonas é honrado pela ONU e Campinas aparece como cidade modelo, inclusive ressaltando nas notícias a preocupação com as crianças, idosos e pessoas com deficiência, a realidade mostra pacientes denunciando a falta de medicamentos básicos nos postos de saúde, usuários dos transportes coletivos mostrando cadeiras que despencam sobre os passageiros e os próprios médicos denunciando no Ministério Público a desassistência à população no hospital municipal.

Há dois meses a tragédia do edifício Paissandu em São Paulo repercutiu em preocupação direta para importante parte da população da cidade, pois, como aponta um levantamento da Companhia de Habitação (Cohab), cerca de cem mil famílias moram em ocupações que são marginalizadas e se encontram em situação de vulnerabilidade social ou mesmo em situação de riscos similares ao do prédio paulista, em edifícios inacabados e com problemas estruturais. Essa realidade urbana caótica, na qual se somam mais de 600 pessoas em situação de rua, é omitida na propaganda da prefeitura.

O Hospital Ouro Verde é um símbolo da verdadeira política e gestão de Jonas: Aliança com empresários, corrupção e ataque à população pobre. Além das denúncias cotidianas por parte dos pacientes e da própria equipe médica diante do completo abandono e precariedade, veio à tona o escândalo de corrupção envolvendo a administração que foi entregue por Jonas à Organização Social Vitale, com o desvio de centenas de milhões do cofre municipal.

Em meio à crise nacional e a insistência dos capitalistas de que sejam os trabalhadores e a população pobre que pague por ela, o prefeito de Campinas busca implementar além do tarifaço uma reforma da previdência contra seus servidores. Mais que isso, a visita de Jonas aos Estados Unidos é também um claro sinal de que Campinas poderá ser um modelo de subordinação ante um projeto de futuro em que a maior preocupação não é com a sustentabilidade ou a qualidade de vida da população, mas com o lucro. A serviço exclusivo do lucro é que estará o centro tecnológico e todas as riquezas campineiras. Esse verdadeiro objetivo é evidente quando se vê que entre os “patrocinadores e parceiros” do “Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável” estão gigantes capitalistas como a Uber e os bancos Itaú e Santander.

Somente os trabalhadores aliados ao povo pobre podem derrubar esse discurso falso e o governo pro-empresário de Jonas, com organização para lutar contra cada um dos ataques e condições de miséria que o prefeito administra em favor dos grandes empresários. Uma cidade sustentável deveria começar deixando de fora todo o setor privado que quer lucrar com os direitos da população. É preciso resolver o problema da moradia, através de um plano de obras públicas que atenda a toda a demanda. O problema do transporte, da saúde e dos serviços básicos que atendem a população, tornando-os 100% estatal e passando seu controle para as mãos dos trabalhadores e usuários.




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